Dezesseis – Rachel Vincent

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Imaginem um mundo onde a tecnologia é super avançada e as pessoas não são mais concebidas a moda antiga e sim produzidas. Imaginaram? Pois é, é com esse plano de fundo que Rachel Vincent nos apresenta a uma história que apesar de fictícia se mostra muito real. Essa é a realidade de Dahlia 16, uma jovem de dezesseis anos que foi produzida em uma remessa de cinco mil jovens que possuem o mesmo genoma e que trabalham para a glória da cidade onde vivem.

 Nesse futuro evoluído, as pessoas não escolhem quem são, elas são produzidas em massa para serem o que o sistema acredita que seja o melhor para a cidade. Eles são produzidos com características específicas e são todos iguais, tanto física como psicologicamente, as suas habilidades são as mesmas e pensar ou agir diferente é tido como uma anomalia, e uma vez identificado esse defeito, a ordem é que todas as milhares de pessoas que possuem aquelas mesma características, ou seja, todos que foram criadas com aquele mesmo genoma sejam recolhidos, ou melhor exterminados, pois ser diferente não é algo aceitável, é um erro incorrigível.

 É ai que começa a grande viagem que esse livro pode nos proporcionar, quando comecei a ler, confesso que achei uma história um pouco estranha, pois, a mesma é contada em primeira pessoa, conhecemos a história através das perspectivas da Dahlia e como ela foi criada para fazer e saber apenas o que a administração da cidade deseja, vamos descobrindo a história com ela no decorrer do livro, sem pressa. Quando eu digo sem pressa, não quero dizer que o livro é entediante, pelo contrário, ela possui tudo que uma boa história precisa, ou seja, segredos, ação e emoção.

 É uma história diferente, interessante, sua capa chama bastante a atenção, pois nela encontramos várias Dahlias e apenas uma se diferencia das demais e é justamente isso que a leitura quer nos passar, Dahlia é sim diferente das outras. Dhalia e suas idênticas são agricultoras, ou melhor, foram criadas para serem agricultoras e para produzir com igual qualidade e determinação, porém Dahlia 16 sempre se destaca das demais, o que ela planta sempre cresce mais e fica mais bonito do que todas as outras, o que até ai não foi nenhum problema, até que Dahlia conhece Trigger 17, um jovem produzido para trabalhar como um soldado e defender a cidade, mas a partir desse encontro as vidas de Dahlia e Trigger mudarão para sempre.

 Trigger é um jovem forte, corajoso, inteligente, foi criado para lutar pela cidade e por isso além de habilidades físicas, também recebe treinamento voltado para a computação, sai da cidade sempre que é preciso, enfim, é mais um jovem com vários idênticos, mas assim como Dahlia se destaca dos demais, mas diferente dela, devido as suas funções, conhece e já fez coisas que ela e suas idênticas nunca imaginaram.

 Eu gostei muito desse livro, é muito interessante, diferente, os personagens principais são inteligentes e para aqueles que como eu, gostam de livros que nos fazem refletir, esse é um prato cheio. A sociedade em que Dahlia e Trigger vivem não tem muita diferença da nossa, vivemos em uma sociedade onde o diferente é errado, onde a sociedade exige que as pessoas sejam iguais, onde os mais favorecidos recebem benefícios, enquanto a classe trabalhista é vista como aqueles que nasceram apenas para servir.

 Dahlia se destaca por ser diferente e seu encontro com Trigger desperta sentimentos que ela não foi programada para sentir, afinal todas as suas ações e sentimentos são determinados pelo sistema.  Mas a pergunta que me ocorreu durante toda a leitura foi a seguinte, eles trabalham para a glória da cidade, mas quem se beneficia de toda essa glória? será que todos nessa sociedade vive da mesma forma? Quando a história vai chegando ao fim, descobrimos que existem muito mais segredos do que podemos imaginar e que da mesma forma que no mundo real sempre existe uma minoria se beneficiando dos esforços de uma maioria que é a todo momento induzida a obedecer sem pensar, sem questionar, uma minoria que trabalha mas não colhe os frutos desse trabalho, uma minoria que vive refém da ignorância imposta por aqueles que governam a sociedade, e que aquele que não se cala, que busca respostas e ousa se rebelar, acaba pagando um preço muito alto, pondo em risco a vida dos seus semelhantes.

 O final do livro é bem surpreendente, é bem diferente do que eu imaginei que seria, creio que a autora quis deixar uma mensagem com esse livro, trouxe para debate assuntos atuais e fez uma certa crítica social de uma forma bastante inteligente e diferente. Fiz algumas pesquisas e não encontrei na internet nenhum vestígio de que esses livro tenha sequência, mas se tivesse eu não pensaria duas vezes em comprá-lo, pois o final deixou uma brecha para essa continuação e eu amaria conviver um pouco mais com Trigger, Dahlia e todas as dúvidas e descobertas que fazem deles seres muito humanos e reais.

 Até breve….

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8 Comentários

  1. Assim que comecei a ler me remeteu a uma crítica real da nossa sociedade atual com um aspecto criativo, inteligente e tecnológico embutido no contexto da história, exatamente como a observação feita no último parágrafo. Realmente, o livro parece um tanto intrigante e reflexivo do jeito que gostamos!
    Ótima resenha.

    Abraços!

  2. Diferente essa história. Achei interessante, e fiquei curioso para saber o final. Bem legal dua resenha.

    • Realmente é uma história diferente Magno e bem legal também. Traz um boa reflexão sobre as exigências sociais de uma forma leve, mas ao mesmo tempo direta.

  3. Muito interessante, uma história bem diferente mas me parece boa, vou procurar por esse livro.

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