Danilo Sarcinelli

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou um carioca de 33 anos, casado e pai de uma menina de dez meses. Odeio praia, sol e calor e muitas vezes me pergunto o que estou fazendo no Rio de Janeiro. Sou nerd desde criança e curto ficar em casa com a família, com meus livros, filmes e jogos de videogame, mas, o que gosto mesmo é de escrever fantasia!

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou formado em engenharia química pela UFRJ e tenho uma empresa de Análise de Risco e Processo Industrial. A escrita entrou na minha vida antes da faculdade, mas sempre como um hobby e um sonho. Apenas agora estou dando meus primeiros passos no mercado editorial.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Criar histórias, personagens e mundos fantásticos. Emocionar pessoas com palavras.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Não tenho cantinho. Escrevo em meu notebook onde dá, seja no sofá ou na cama mesmo.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo fantasia medieval sombria. Comecei escrevendo alta fantasia, mas fui gradualmente retirando a magia dos meus textos. Já tentei escrever ficção histórica, mas tenho muito receio de escrever algo sem a devida pesquisa histórica. Essa é a beleza de escrever em mundos ficcionais: garantir a verossimilhança é mais fácil que ser plenamente verdadeiro.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Passagem para a Escuridão é uma história de autodescobrimento, redenção e, por que não, amor. Os personagens principais são os príncipes da família real, mas procuro criar personagens secundários igualmente profundos, com seus próprios conflitos e motivações, o que acaba se desdobrando em algumas histórias paralelas que se intercalam. Escolher o título do livro foi e ainda é uma grande dificuldade (por sinal, muitos ainda acham que meu livro é de terror, por conta do título). Já escolher os nomes dos personagens é um pouco mais fácil e procuro sempre respeitar etnias e significados, e uso bastante um site americano de nomes de bebês. Em Passagem para a Escuridão, por exemplo, tenho nomes de origem greco-latina, alguns de origem francesa e espanhola.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Minha maior pesquisa está na história do nosso próprio mundo. As pessoas ficariam muito surpresas em descobrir que muitos dos acontecimentos de livros fantásticos têm paralelo na história de nosso próprio mundo. Estudar história é um enorme prazer para mim e muitas vezes penso que devia fazer uma faculdade em História.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Minha primeira inspiração foram os livros de ficção histórica de James Clavel. Gosto muito do modo como ele escreve. Depois acabei sendo influenciado por outros autores como Bernard Cornwell, Conn Iggulden, e alguns de alta fantasia como Margaret Weis e Salvatore.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Com certeza muita dificuldade! Foram anos mandando livros para editoras, sem resposta alguma. Na verdade, devo agradecer por isso, pois minha publicação naquela época teria sido prematura. Aprendi muito nesse meio tempo. Inclusive tive uma quase publicação que me causou muita dor de cabeça. Por divergências editoriais acabei desistindo da publicação. Ainda bem, pois o livro em questão tinha muitos problemas.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Posso falar com mais propriedade sobre a literatura de fantasia nacional independente e nesse caso acho maravilhoso! Uma grande variedade de autores e temas, indo desde fantasia medieval até mundos inspirados em um extremo oriente mágico. Ainda existe uma barreira muito grande para o leitor conhecer novos autores, mas iniciativas como a da Arca Literária estão aí para ajudar. Vejo com muito otimismo o cenário de literatura fantástica nacional.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Eu acredito no filtro criado por blogueiros e pelos próprios leitores. Nesse sentido, vale ressaltar em especial a importância do feedback do mercado. Se você leu um livro que gostou, faça um comentário na página do autor, no Skoob, na Amazon, onde for. Os autores são muito receptivos e estão sempre abertos a elogios ou a uma crítica construtiva.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Esse é um tema espinhoso que afeta toda a cadeia de livros. Agora, acho inadmissível o preço do de um título em ebook ser praticamente igual ao do livro físico. Os custos de venda de um ebook são infinitamente menores que os de um livro físico.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Difícil… acho que a saga do rei Arthur do Bernard Cornwell.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Adoro a trilha sonora do filme do Gladiador!

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

O livro que me iniciou no mundo da fantasia foi um livro-jogo da série Aventuras Fantásticas chamado Cidadela do Caos.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

O livro 2 de Passagem para a Escuridão já está pronto e em breve vai estar disponível. Tenho uma ideia de escrever uma história que se passe anos mais tarde nesse mesmo mundo. Escrevi um conto que se passa antes dessa história e se tudo der certo vai sair em uma antologia muito especial para mim. Minha cabeça fervilha de ideias, mas cadê o tempo?

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho com certeza! Qualquer crítica para mim é um meio de crescimento. As primeiras críticas e resenhas de Passagem para a Escuridão abriram os meus olhos para alguns problemas que me permitiram mudar na história a tempo para o lançamento do livro físico. Uma crítica séria e isenta para mim é essencial para o crescimento de qualquer autor. Sempre ouço que ainda existe muito amadorismo nesse mercado, desde autores que não sabem receber críticas a blogueiros que também se exaltam. Com mais profissionalismo e menos ego, autores e blogueiros crescerão juntos, com cada vez mais público e conteúdo.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Gostaria que George Martin pudesse ler meu livro.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

A maior alegria é receber o feedback de um leitor que você nunca viu na vida, mas que adorou o seu livro! Dá uma reanimada naqueles momentos em que a única vontade é desistir e jogar tudo para o alto.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Em primeiro lugar, abram o coração para autores independentes. Leiam mais ebooks em nome do meio-ambiente! Não esqueçam de comentar e entrar em contato com os autores. E, se um dia quiser entrar no mundo da escrita literária, não leve para o lado pessoal as críticas aos seus textos; aprenda com elas e se no fim das contas não vier a se tornar um grande autor, ao menos terá se tornado um ser humano muito melhor.

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