Daniela Buselato

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Essa parte é sempre a mais difícil rsrs. Bem, vamos lá. 😀
Escrevo desde meus treze, quatorze anos, não com tamanha frequência. Naquela época, eram sonetos, poemas e poesias, frases… A vontade de escrever um livro veio depois que encontrei meus cadernos contendo esses versos onde exprimia meus sentimentos e, foi através deles que decidi montar uma história, depois da faculdade, depois da pós tive mais tempo para me dedicar com intensidade a livros, pesquisas, matérias pelas quais eu necessitava para montar meus personagens e suas tramas. Desde 2013 escrevo, se não todos os dias, pelo menos, toda a semana.

Sou virginiana, 28 anos, casada, tenho um cachorro de nome Boby e trabalho no Registro Civil. Adoro ler, amo escrever, sou detalhista e observadora e uso isso ao meu favor quando quero montar um personagem.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Bem, como citei acima, eu trabalho no Registro Civil da minha cidade a quase cinco anos, e juro, foi dali de dentro que encontrei muita inspiração para escrever.

É no dia a dia que a gente ouve as histórias das pessoas, seus fatos corriqueiros bem como suas lamurias, acredite, já imaginei cada fim para cada situação!

No meu local de trabalho é como um laboratório a céu aberto, você ouve de tudo o tempo todo. Histórias com finais felizes, outros trágicos, outros nem tão felizes, outros tristes, mas que a vida segue, então sim, é no dia a dia que encontro muita inspiração.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Romance. Meus primeiros livros foram romances eróticos, cada livro tem uma pitada de sensualidade, mas acredito piamente em amor, que esse sentimento pode curar uma pessoa desde que ela queria uma mudança, desde que essa pessoa se permita. Creio que o amor seja o único sentimento que quebra os laços de ódio, tristeza e rancor entre as pessoas, permitindo assim uma nova oportunidade para se sentir feliz.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Infelizmente ainda não tenho. Escrevo em qualquer lugar para não esquecer a ideia ou mesmo uma nova história.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Romance. Já tentei, mas achei horrível e desisti.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Bem, tudo depende. Geralmente a inspiração chega num determinado momento, sem hora nem lugar, a ideia surge em minha mente, vai se desenrolando até determinado ponto, então, tento parar o que estou fazendo para anotar e as vezes, como ocorreu com meu livro MARINA, a ideia surgiu e eu ignorei por dias, semanas, até que não consegui mais escrever por um mês e comecei a por a história dela (MARINA) no papel e em oito meses estava pronto, com mais de 300 paginas de word. Eu não tenho um padrão ou uma organização, simplesmente a ideia vem e até que eu não a coloque, não a veja ganhar forma, eu não tenho sossego.

Para cada trama que desenvolvo, procuro usar elementos diferentes, cidades diferentes, aspectos e pessoas diferentes, afinal, não somos iguais, então isso eu tenho tentado colocar com mais clareza possível nos meus personagens, quanto mais real, quanto mais verdadeiro for com alguém que existe e não ser apenas fruto da minha imaginação melhor.

Os títulos! Isso me incomoda bastante. Eu tento deixar por último, mas como quero compartilhar com meus leitores na plataforma do Wattpad, isso se torna difícil, então, eu coloco sempre como provisório, porque ao longo da escrita, às vezes o nome que coloquei no titulo não combina mais com o enredo ou na minha opinião, ficou perdido em relação a trama descrita, acho que o título tem que ser sugestivo. Quanto aos nomes… Na maioria das vezes o gênio do personagem condiz com alguém que conheço e uso isso a meu favor.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Gastronomia é o primeiro. Como Santa Catarina é um estado quase que todo turístico isso me ajuda muito. Os elementos básicos que utilizo além da gastronomia como citei anteriormente, cultura, descendência e a personalidade de cada povo, que aqui é muito enraizado, é muito forte essa questão da descendência.

Basicamente uso esses elementos como base para a construção dos meus personagens e onde cada trama vai ocorrer, como ela vai se desenvolver.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Já tive vários, mas como vejo hoje, todos nós falhamos, todos nós deixamos a desejar por vezes, então decidi não tenho um padrão ou autor especifico. Procuro ler nacionais e assim tenho outros pontos de vista.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Já, já tive dificuldade. Acho que todo escritor tem dificuldade em mostrar seu primeiro trabalho. Inevitável, que foi meu primeiro livro, foi lançado em 2014 por minha própria conta e risco e jamais havia imaginado que ele tomaria tamanha proporção e ser lançado em 2ª edição na Bienal!

Todo o autor/escritor tem muita dificuldade, muita duvida em expor seu material e… Até que você prove para um editor que seu texto/livro/enredo é bom, isso leva um considerável tempo. Não tive nem um, tenho agenda para eles, mas não tenho pressa.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

É um cenário bom. Pode ser melhorado e muito. Contudo, não podemos comparar com literaturas internacionais! Tem tantos livros maravilhosos escritos por escritores brasileiros que dão de 10 a 0 em livros internacionais que li. Acho que falta o incentivo a leitura, embora, desde que eu estive no colegial isso mudou muito.

Penso que leitura tem que ser algo prazeroso, algo que nos deixe em sintonia com o que estamos lendo e que, acima disso, também modifique nossa visão e forma como interpretamos determinado texto/livro/história.

Leituras devem nos amarrar de certa forma, fazer com que fiquemos apaixonados pela escrita, pela história, pelos personagens e por o que eles estão tentando nos mostrar. Creio que é nesse sentido que falta o incentivo, cada qual para seu público.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Complicado falar desse assunto. Acho que todos querem seu lugar ao sol, mas convenhamos, alguns são bons e talvez o que lhes falta é um pouco de maturidade para organizar as ideias e adequá-las ao seu texto. Não é apenas pelos votos e comentários no wattpad que você tem que se preocupar, isso é apenas um impulso, uma porta para muitas oportunidades. Creio que com critica e revisão, revisão e revisão o livro tem a ficar muito melhor.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Compro muitos livros e antes disso sempre faço uma pesquisa de preço. Vejo livros que custam acima de 30,00 em uma semana e na outra estão por 15,00 ou mesmo por 9,90.

Essa “gangorra” de preços se dá pelo fato de grandes editoras fazerem tiragens altas e por consequência o custo da tiragem é baixo, ao contrário das pequenas editoras, cujos livros chegam a custar por unidade mais de 20,00, motivo que dificulta a comercialização.

Hoje analiso o que preciso e compro quando posso.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Um livro que me deixou fascinada e indico de olhos fechados por conta da ideia é da Dani Atkins – Uma curva no tempo.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 

Sou eclética e tudo depende de cada história. Dependendo do que se trata eu ouço as músicas adequadas para cada trama.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Li vários pelos quais me apaixonei e os indico de olhos fechados, livro que falam sobre a luta de cada um e como enfrentam seus medos, me conquistam, mas não encontrei nem um ainda do qual possa dizer que é o livro da minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, tenho vários. Além dos três livros com compõe a trilogia erótica Inevitável – Inevitável, Inexplicável e Inesquecível – tem mais dois livros prontos, romances apenas, MARINA – que conta a história da Marina, uma estudante de agronomia que mantém um relacionamento desagradável com a mãe e busca a verdade a respeito da família e morte de seu pai, com a ajuda do Leonardo ela não apenas descobre o que acontece mas o que uma simples escolha pode fazer na vida dela e AROMAS DE INVERNO – que conta sobre Camila e Felipe, dois peregrinos do destino que se encontram em circunstancias esquisitas e nasce um amor onde não poderia ocorrer. Ele é um viajante em busca de respostas e ela uma fotografa que perdeu muito na vida e luta para manter sua promessa de não sofrer por ninguém. Ele se apaixona e ela se encanta, para saber mais a respeito desses protagonistas tão antagônicos, o leitor pode conferir no wattpad.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho, não com a intensidade que gostaria, mas acompanho sempre que possível. Acho importante, pois ali está uma visão de quem está lendo o livro e não de quem o escreveu, contudo é a opinião dele(a) e isso é importantíssimo, pois além de nos mostrar onde podemos melhorar, os blogueiros nos ajudam na divulgação do nosso trabalho, fazendo com que mais leitores nos conheçam.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Patricia Rossi (Patt Rossi) e Elaine Elesbão. Admiro demais os trabalhos delas.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Sem sombra de dúvida quando você lê algo sobre sua história, comentários, duvidas, curiosidades e como a história envolveu o leitor. Isso é… Indescritível!

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Primeiramente, não se iluda com o fato de você escrever um livro e enviar para editora, ser aceito e ficar rico! Calma! Coloca os pés no chão, caminhe firme e aceite as criticas, leia, leia e leia e leia e continue lendo. Envie seu livro para revisores e o leia novamente. Tente ler seu livro como um leitor normal e não como o escritor. É um caminho longo, difícil e nem todo mundo é seu amigo, é um caminho que você pode encontrar parceiros, fora isso é ilusão. Quem escreve não tem a intenção de ficar rico porque sabemos que aqui no Brasil isso não acontece, cada um faz por que ama, sobre isso não há sombras de duvidas.

Não estou aqui para dizer que você tem que parar, não, pelo contrário, estou sendo sincera contigo e acima disso, dizer que vale a pena, pois a gente(escritor) conhece muita gente bacana, muita gente legal, pessoas que vão gostar do seu livro e outras não e que mesmo assim, vão te dizer onde você pode melhorar.

Acredito que tudo é crescimento. Mente aberta. Pés no chão e sorriso no rosto e muita, muitas ideias.

 

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