CORA CORALINA- POESIA QUE CARREGA A DOÇURA DA ALMA DE CONFEITEIRA

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A grande poeta de Goiás, Cora Coralina ou Ana Lins do Guimarães Peixoto, seu nome de batismo, foi uma mulher forte, muito à frente das mulheres de seu tempo. A “Aninha”, como ela própria diz em um de seus versos, onde ela completa: “a menina feia da ponte da Lapa”. A mulher, que não estava dentro dos padrões e do que era esperado dela pela sociedade de sua época, nasceu em 1889 em Goiás, frequentou apenas o ensino primário, mas  escrevia lindos versos desde criança. Apesar de ter escrito desde muito cedo, em folhas de caderno, só aos 75 anos de idade teve seu primeiro livro publicado.

Cora foi uma mulher muito especial, independente de rótulos, sua atitude diante da vida sempre foi de coragem frente às dificuldades. Ela teve sempre uma postura libertária, diferente das mulheres da sua geração.

Ainda bem jovem fugiu de sua cidade para se casar com seu grande amor, o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas. Anos mais tarde, ao ficar viúva tornou-se doceira, criando e sustentando os filhos sozinha. Cora era valente e decidida e os filhos , na época, eram para ela prioridade, mas apesar das dificuldades nunca deixou de escrever.

Durante o período que esteve casada, chegou a ser convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas foi impedida pelo marido. Quando morava em São Paulo em 1934, como que por ironia do destino, ela  trabalhou vendendo livros na editora José Olímpio, a mesma editora que 31 anos mais tarde publicaria seu primeiro livro: “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.

Cora Coralina durante toda a vida  lutou por seu sonho de viver como poeta e escritora, mas o reconhecimento só veio quando o grande poeta Carlos Drummond de Andrade em 1980, ao ler o trabalho dela, se encantou com seus versos e teceu muitos elogios em público. A partir desse momento com o reconhecimento vieram as entrevistas em programas de TV, os prêmios e muitas homenagens. Ela recebeu o Prêmio Juca Pato em 1983 como Intelectual do Ano e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Goiânia.

Por sua grande importância não só dentro da literatura nacional mas também pelo seu importante papel de verdadeira ativista das questões femininas,  Cora Coralina já foi tema de filme: Cora Coralina – Todas as Vidas, dirigido por Renato Barbieri e em sua terra natal, Goiás, existe um projeto: Mulheres Coralinas da professora Ebe M. de L. Siqueira, inspirado na grande poeta, que busca resgatar a cidadania de 150 mulheres excluídas da sociedade.

Além de poemas Cora Coralina também escreveu contos, literatura infantil e artigos para jornais. Em sua poesia ela escreve sobre o dia a dia e sobre a  vida simples do interior de Goiás. Cora é um grande nome da nossa literatura e sua obra recebeu influências bem variadas, desde grandes escritores clássicos como Gregório de Matos, Camões e Olavo Bilac e histórias de nosso folclore até as antigas histórias da Carochinha.

Com certeza é essa variedade de influências somadas à enorme gama de experiências duras, de desafios e de lutas que essa mulher enfrentou ao longo da vida, que acabaram resultando nessa riqueza de belos versos que Cora Coralina colocou em seus livros. Através da visão “doce” da alma de confeiteira ela criou seus poemas que nos tocam fundo porque tem muita verdade e beleza neles. A poeta que era ao mesmo tempo doceira, deixou para  os seus leitores um retrato desse Brasil do interior, dessa realidade, que muitas vezes é bem amarga, mas  escrita em “doces” versos. O poeta tem esse dom de refletir a realidade a sua maneira, com uma visão não menos real do que a nossa, mas com certeza escrita de uma maneira que a torna muito mais interessante e bela. Cora Coralina é uma figura ímpar dentro da nossa literatura, ela é a poeta e escritora nata, que pelos revezes da vida só chegou ao grande público em idade avançada, a mulher de muita garra que nunca desistiu de escrever , que apesar das dificuldades reescreveu sua própria história e provou que vale a pena acreditar em seus sonhos e lutar por eles.

 

Nota da autora: Como se pode observar optei novamente em um texto meu pelo uso da palavra “poeta” ao me referir a uma mulher que escreve poesia, no caso Cora Coralina.Tanto a palavra poeta quanto poetisa constam nos dicionários e ambas estão corretas, segundo os gramáticos, mas nos últimos anos tem havido uma discussão entre os especialistas sobre o termo poetisa, que tem para alguns uma conotação pejorativa, portanto como fiz no texto de Cecília Meireles, Cora Coralina é descrita como poeta equiparada aos grandes poetas do sexo masculino dentro da nossa literatura.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Escritora e Colunista. Estão todos convidados a conhecer minha página  no facebook : Tradutora Ivana Lopes https://www.facebook.com/tradutorafreelancer01/?fref=ts)

e meu site Mestres da Literatura http://ivanascl168.wixsite.com/meusite

 

Fonte de Pesquisa:

http://pensador.uol.com.br

www.biografia.com

www.infoescola.com/escritores (Cristiana Gomes)

Comentários da Professora da Universidade Estadual de Goiás, Ebe Maria de Lima Siqueira sobre Cora Coralina.

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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