Claudia Marczak

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  1. Fale-nos um pouco de você.

        Sou uma escritora atípica. Gosto do dia, de reunir amigos, de cozinhar, de estar perto de gente, de dar risada, de praia no inverno. Não sou uma pessoa muito complicada, mas me julgo um pouco complexa. Trabalho muito e garimpo o tempo para escrever entre as horas que estou livre.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou professora e psicóloga. A inspiração surgiu primeiro em ouvir histórias. Adoro ficar ouvindo outras pessoas contarem suas histórias de vida, falarem sobre o que sentiram em determinada situação. Depois comecei a ler e pensei: eu queria fazer isso, inventar, contar histórias para as outras pessoas e emocioná-las.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

É o prazer. Sinto um prazer enorme em escrever e provocar emoções nas pessoas.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Tenho o meu cantinho do caos, onde só eu me entendo. Sou extremamente bagunceira.  Normalmente só passo a limpo os escritos, pois escrevo à mão primeiro.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Romance, mas escrevo poesias, contos e infantis. Os contos estão publicados em sites literários e uma coleção de infantil está publicada pela Editora Completa. Mas o romance é o que tem mais me atraído nos últimos tempos. Meu primeiro romance A flor da pele, foi publicano no ano passado pela Editora Penalux.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Eu queria fazer uma história de amor como tantas outras, que são parecidas em muitos aspectos e, no entanto, em si contém diferenças que as tornam únicas. A pergunta que me motivou foi: e se eu descobrisse que nada sei de mim de mim mesma?  A partir daí surgiu uma história doce e surpreendente. Adoro surpreender os leitores com cenas que podem parecer impossíveis de acontecer. A receptividade dos leitores têm sido muito interessante. Alguns se revoltam, outros choram, mas com certeza ninguém passará sem ser mexido pelas múltiplas faces do amor. Gosto de nomes sonoros para os personagens ou nomes que já carregam alguma referência para o leitor. Já os títulos são oscilantes. Muitas vezes demoro até chegar ao que será o definitivo. No caso de A flor da pele a editora Penalux me ajudou na escolha.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Prefiro escrever sobre o cotidiano, sobre histórias que podiam ser de qualquer um. A vida das pessoas são romances diários e se olharmos direito todos têm uma grande história para ser contada. Normalmente apenas observo as pessoas e as situações e busco me colocar no lugar das pessoas que estão vivendo aquele momento, mas caso necessite de um estudo mais profundo em determinado tema procuro ler e me informar sobre o que quero escrever.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Nelson Rodrigues e Clarice Lispector são os autores que mais me influenciaram. Nelson pela sua intensidade e Clarice pela sua profundidade.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Não é fácil publicar um livro. As editoras recebem um volume grande de originais, o que dificulta a seleção. Tenho alguns livros infantis que ainda busco editora e espero que meu novo romance, o mundo perfeito, encontre logo um lugar no mercado. As plataformas de auto publicação e os e-books são uma opção para o trabalho não ficar na gaveta. 

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Confuso, com muita gente boa sem ser publicada e muitas publicações de autores estrangeiros ou de pseudo autores, pessoas que não são escritores de vocação. Há espaço para todos os bons escritores, mas nem todas as editoras costumam investir em novos talentos.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que faz parte e o próprio mercado vai fazer a escolha. O problema é que existe um movimento da mídia transformando qualquer celebridade em escritor. A verdadeira literatura é bem maior que isso e o tempo fará os bons permanecerem. 

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acredito ter um certo preconceito quanto ao valor dos livros. Não achamos caro uma pizza ou uma camiseta de 40 reais, mas para um livro achamos absurdo. Cabe aí um questionamento: será que damos real valor à literatura?

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

O Eu profundo e outros Eus, do Fernando Pessoa. Fantástico.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Todos os meus livros têm trilha sonora. Cada um deles tem músicas e gêneros próprios. Faço listas e escrevo ouvindo as músicas escolhidas, como num filme. Para o A flor da pele, por exemplo, fiz uma grande listagem de músicas de amor que tinham como temática a distância, a entrega, a eternidade do amor  e tocamos no lançamento. Foi bárbaro.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Os livros meio que chegam no momento certo na minha vida, no momento no qual estou precisando ouvir aquelas palavras.  O Eu profundo e outros Eus, tem me acompanhado já faz algum tempo e cabe em vários momentos da minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou terminando meu segundo romance, O mundo perfeito. Diferentemente de A flor da pele que é um livro que fala essencialmente sobre o amor, O mundo perfeito questiona os valores, a hipocrisia da sociedade. Tem uma pegada mais amoral e crítica. Os infantis estou reenviando para uma editora da minha cidade, na torcida que algum seja aceito.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não costumo acompanhar por falta de tempo. Acho que críticas bem feitas são bem-vindas, mas nem todos conseguem fazer uma boa crítica e isso acaba não sendo bom, pois expõe o autor e a obra, muitas vezes sem fundamento.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Eu gostaria que meu livro fosse lido por um monte de gente. Um livro sem leitor não tem sentido e cada leitor é especial. Cada um lança um olhar diferenciado sobre a história e ela caba tendo mais faces do que o próprio escritor supõe.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Emocionar.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não tenham medo de ler, de escrever e de tocar o coração das pessoas. Precisamos tornar o Brasil um país de leitores e para isso precisamos criar espaços de leitura, de discussão, de trocas literárias, fazer que a literatura seja algo tão importante quanto outras manifestações culturais do nosso país como o Carnaval e o futebol. Escrever é um ato de eternidade.  Sejam eternos.

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