Cela sem Portas – Marcel Trigueiro

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Miguel é um menino especial. Ele sofre de uma forma rara de esclerose onde somente pode mexer os olhos, pálpebras e parte da mão direita e mesmo assim consegue ter uma independência principalmente no mundo cibernético. Utilizando recursos de última geração, ele consegue, usando apenas os olhos, escrever textos em word, apropriado para o seu problema.

O garoto estuda em uma escola para crianças com problemas parecidos, ou seja, cada criança apresenta um tipo de doença que o impede de ter total independência, no entanto, não os impede de estudar.

Uma das professoras que trabalha na escola é uma pessoa muito querida, tanto pelos alunos quanto pelos pais das crianças: a Professora Ângela.

Um dia depois do Dia dos Professores Ângela pegou o ônibus com destino à escola, no entanto, algo muito ruim acontece. Dois sujeitos armados rendem o coletivo e anunciam não um assalto, mas um sequestro. E o que eles querem é somente uma coisa: a libertação do chefe do Quarto Comando, Cartola.

A Polícia Civil entra com a negociação, enquanto a Polícia Militar cerca todo o local onde o ônibus ficou parado com os sequestradores e reféns, bem próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas.

E depois que acontece uma fatalidade, o agente federal Matheus começa a fazer parte da investigação que vai expor muito mais do que problemas enfrentados pelas forças policiais da cidade do Rio de Janeiro.

E a situação dos reféns fica cada vez mais delicada, todos correndo sério perigo.

Marcel Trigueiro escreveu um livro com muita realidade do que acontece na cidade do Rio de Janeiro. Roubos, sequestros, milícia, lideranças do tráfico nos morros. Não deixando nenhuma ponta solta, sua narração envolve o leitor, transportando-nos para dentro daquele ônibus, à mercê dos bandidos.

Foi a primeira vez que li em um livro a atuação das forças policiais, tanto civil quanto militar e fiquei muito feliz porque retrata o mais fiel possível como é uma investigação policial, e como se trata de uma situação extrema, onde temos uma situação com reféns. Como policial me vi representado neste livro.

Também é um livro com reviravoltas, nada é realmente tudo aquilo que você acredita que seja. De certa forma, nós somos como o Miguel, em alguns momentos, apenas espectadores, em uma cela sem portas. E sem saber se a professora estimada voltará a dar aulas para Miguel e as demais crianças.

Recomendo.

Antonio Henrique Fernandes

Resenhista em parceria com o Arca Literária.

4 Comentários

  1. Olá,

    Fico muitíssimo feliz que o livro tenha agradado também a alguém que é policial de verdade! Eu tinha receio sobre o que poderiam achar de um livro onde há vários deles trabalhando juntos.

    E ao Arca Literária, muito obrigado pela oportunidade de ter minha obra resenhada aqui. É uma honra aparecer num veículo de divulgação como este.

    Grande abraço,

    Marcel T.

    • Olá Marcelo,
      foi um prazer imenso ler o seu livro, que me deixou muito satisfeito pelo desenrolar dos fatos e de como as polícias trabalham. Muitas das vezes os escritores escrevem sem pesquisar ou tentar saber como realmente trabalham as nossas forças policiais.
      um abraço,
      Antonio Henrique Fernandes.

  2. Antonio!
    Li a entrevista do autor e gostei.
    Agora lendo sua resenha sobre o livro, fiquei ainda mais curiosa em poder ler, porque ele realmente retrata a realidade vivida, principalmente no RJ.
    Ver os comandos policiais unidos é porque a coisa é séria mesmo.
    E se nada é o que parece, deve ter mistérios por trás.
    “O saber é saber que nada se sabe. Este é a definição do verdadeiro conhecimento.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy

    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

    • Oi Rudynalva,
      Pode ter certeza que retrata muito bem a realidade, e eu sei disso também por experiência própria, não a do Rio de Janeiro, mas a da cidade onde moro, por ser policial. Já vivi muitas situações como essa, que de certo modo são desesperadoras. E leia o livro assim que puder. Vai gostar.
      um beijo

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