Cazuza tinha razão, mas…

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Somos um país muito ideológico. Sempre fomos. Temos mártires. O patriotismo verde-amarelo. Uma esquerda bem esquerdista, uma direita bem direitista. Não há meios-termos. Somos brasileiros “lutadores”, com convicções. O país está pegando fogo – por causa da esquerda caviar, da direita homofóbica, alguns querem até a volta da ditadura. (E não estamos em uma ditadura de corruptos impunes?)

Somos um país repleto de teorias e vontades. Acostumamo-nos a ser assim. Falamos bonito, fazemos pouco. E os governantes? Com umas poucas promessas, palavras ornamentadas, citação de ideais de cooperação e igualdade social, conseguem amealhar montanhas de votos. Imagina, até com uma simples concessão de Bolsa Família – que é uma ótima ideia, vinda da direita, da Ruth Cardoso, que infelizmente passou a ser utilizada também como sistema de compra de votos (resultado: já se começa a cortar a verba da indiscriminadamente distribuída Bolsa Família, em época de Eleição).

Tá na hora de largarmos um pouco o campo teórico e o falatório e admitir a real situação do nosso país. O povo está indignado – mas cadê a indignação no voto contrário ao governo que o oprime? Na eleição dos mesmos governantes. Ok, as urnas brasileiras foram rejeitadas em mais de 60 países e são facílimas de fraudar, nem voto impresso elas têm, como deveriam ter, para preservar o livre acesso aos dados que decidem o futuro do país. Mas tá na hora de deixarmos de ser acomodados, de o Gigante realmente acordar e não dormir mais, de assumir sua fúria pelos maus-tratos. O povo brasileiro em geral sempre se acomodou à corrupção, à exploração – desde a época colonial, agora passamos da maceração dos portugueses para a dos governantes nativos. Temos serviços e produtos caríssimos, o iPhone mais caro do mundo, a Internet também, e os caros serviços – e muitas vezes os produtos – são em geral de má qualidade. O maior juro de cheque especial e cartão de crédito dos últimos 20 anos, maior inflação desde 1996, dólar a uns 4 reais, leis trabalhistas como aposentadoria e pensão “mexidas” para prejudicar o trabalhador, o qual já paga dos impostos mais caros do mundo – 30% de tudo o que ganha vai para a Receita para que tenha acesso a uma saúde pública e a uma aposentadoria de péssimas qualidades. Além disso, estima-se que cerca de 30% de todas as verbas sejam desviadas pela corrupção no Brasil – nível que deve ter aumentado com o Mensalão, o Petrolão e essa mania de roubar com tranquilidade sabendo que “não vai dar em nada”, só os bodes expiatórios são realmente punidos. Prisões lotadas onde tratam os encarcerados como animais, a raiz está na falta de investimento em Educação e na sociedade, segurança pública pífia, índice de desemprego piorando, prontos-socorros fechando por falta de verbas, alimentação, combustível, luz, água que só sobem, os automóveis mais caros do mundo, ok, isso sempre aconteceu, quer dizer, a situação difícil da economia, mas não me venha dizer que tudo estava tão ruim há uns anos atrás como está agora.

Eu não sou direita ou esquerda, mas uma pessoa estupefata com a situação econômica e social deste país, e que não entende quem ainda protege ideologias vagas de governo enquanto não há prática. Quer dizer, eles falam “somos de vocês, do povo, trabalhamos por vocês”, mas ao mesmo tempo cortam seus direitos trabalhistas, roubam seu dinheiro com avidez cada vez maior, aumentam suas taxas, desvalorizam sua moeda, na prática “não estão nem aí para você”. E hipocrisia é uma coisa horrenda. Mas ganha Eleição, no Brasil, infelizmente.

Estamos em uma queda livre nos últimos anos. Acredito que crises vêm e vão, que possa melhorar. Mas isso SE algumas pessoas e coisas forem modificadas, porque não se governa por mágica mas com estratégia e compromisso.

Chega de passar a mão na cabeça de políticos e culpar a mídia. Temos que protestar, exigir, votar direito, não sermos facilmente enganados: o país começa a mudar quando muda a mentalidade do seu povo. Um povo feliz, até feliz demais por tudo o que sofre, esse brasileiro de fila do SUS e salário mínimo baixíssimo.

No mais, o que dizer? Até nosso futebol nunca esteve tão ruim. E não foi só o 7 a 1. Estamos levando goleada todo dia de governantes omissos que só se preocupam com seus “gols”. Não os nossos, como dizem, mas os seus, como fazem.

Ideologia, eu quero uma pra viver, seu Cazuza, mas desde que seja praticada e que faça o mundo, o meu mundo mudar. Desde que não seja “apenas uma ideologia”.

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