Ivana Lopes

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strategien binäre optionen 60 sekunden Erico Verissimo antes de se tornar reconhecido como grande escritor, foi tradutor, deu aulas de literatura e inglês, foi bancário, trabalhou numa seguradora e ainda jovem chegou a ser proprietário de uma farmácia.

opzioni binarie 60 secondi forum O escritor nasceu no Rio Grande do Sul na cidade de Cruz Alta em 1905. Desde criança lia muito. Com apenas 13 anos, além dos autores nacionais, lia também Walter Scott, Tolstoi, Émile Zola, Dostoievski e Eça de Queirós. Estudante de um colégio interno, se destacava nas aulas de literatura, inglês e francês.

double one touch option broker Em 1922, com a separação dos pais, arranjou emprego como balconista no armazém de seu tio para ajudar a família. Apesar das dificuldades continuava lendo muito nas horas vagas. Foi neste período que Verissimo escreveu seus primeiros textos, enquanto paralelamente  traduzia  do francês e do inglês trechos de obras de escritores estrangeiros. Nessa mesma época largou o trabalho no armazém para trabalhar no Banco Nacional do Comércio.

Köp billiga Atarax utan recept Com 18 anos Erico Verissimo lia Oswald e Mário de Andrade e além deles, Nietzsche e Ibsen. Era sem dúvida um leitor com gosto e interesse muito diferenciados para alguém da sua idade.

http://www.gmhasia.com/?vosk=opzioni-binarie-tracciare-supporti-e-resistenze&db3=c9 opzioni binarie tracciare supporti e resistenze Erico e a família se mudaram para Porto Alegre e devido a problemas de saúde ele perdeu o emprego de bancário, a família voltou para Cruz Alta e lá ele se tornou sócio de uma farmácia com um amigo. Passou também a dar aulas de literatura e inglês. Sem nunca ter deixado o hábito da leitura e cada vez mais interessado pela literatura mundial ele lia Oscar Wilde, Bernard Shaw, Anatole France e muitos outros.

Em 1929 foi publicado pela primeira vez um conto seu: “Chico: um conto de Natal”. No mesmo ano em Porto Alegre foram publicados mais três contos do escritor. Ao enviar um conto para o jornal “Correio do Povo” ele foi publicado sem nem mesmo ter sido lido, tal era já o seu prestígio no meio literário da região.

Em 1930, com o propósito de viver exclusivamente de seu trabalho como escritor, Erico Verissimo se mudou para Porto Alegre, onde conheceu, entre outros nomes da literatura local, o escritor Mario Quintana e se tornou redator na Revista do Globo. Se casou no ano seguinte e teve pela primeira vez uma tradução sua publicada: “O sineiro” de Edgar Wallace.

Durante o governo de Getúlio Vargas o escritor Erico Verissimo chegou a ser acusado de comunista sendo obrigado a depor. Mesmo em meio a esses incidentes ele publicou nessa época vários romances que ganharam prêmios importantes. Numa viagem ao Rio de Janeiro conheceu Carlos Drummond de Andrade e José Lins do Rego.

Em 1936 foi publicado seu primeiro livro infantil: “As aventuras do avião vermelho” e o escritor lançou na Rádio Farroupilha, um programa de auditório para crianças chamado “Clube dos três porquinhos” . Neste mesmo ano nasceu seu primeiro filho Luís Fernando Verissimo, que se tornou escritor como o pai.

A partir de 1937, durante o “Estado Novo”, o governo impôs a Verissimo que todas as histórias criadas por ele para seu programa de Rádio teriam que passar pela aprovação da censura antes de irem ao ar. Não se submetendo a isso, numa atitude de protesto, ele encerrou o programa.

Em 1938 Erico Verissimo lançou o livro “Olhai os lírios do Campo” que foi um de seus maiores sucessos, esse livro foi adaptado para o cinema e muitos anos mais tarde para a TV, se tornando uma novela exibida pela Rede Globo. Trabalhando para a Editora Globo, o escritor foi um dos responsáveis pela criação de séries que fizeram muito sucesso como a “Nobel” e “Biblioteca dos Séculos”  com traduções de livros de Virginia Wolf, Balzac e Proust entre outros. Mas a censura no país continuava atuante e para escapar dela o escritor publicou dois de seus livros numa editora “secreta”, onde eram publicados livros que sabidamente desagradariam o governo. Para proteger a família da ditadura de Vargas ele se mudou com eles para os Estados Unidos e passou a dar aulas de Literatura e História do Brasil na Universidade da Califórnia onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa.

Erico Verissimo escreveu uma trilogia chamada de “O tempo e o vento” que foi muito elogiada pela crítica e que levou 15 anos para ser concluída. Essa trilogia foi adaptada, muitos anos mais tarde, para a TV, como minissérie e exibida pela Globo. O autor teve outro trabalho seu, o livro: Incidente em Antares, transformado em minissérie pela mesma emissora e estrelado pela atriz Fernanda Montenegro.

O escritor faleceu em 1975 com 70 anos vitimado por um infarto fulminante.

Erico Veríssimo foi um homem culto, e um escritor diferenciado, que desde muito cedo leu muito, tanto os grandes autores nacionais quanto os internacionais e essa “cultura literária” influenciou diretamente a sua obra, que foi traduzida em mais de 10 idiomas. Ele foi reconhecido e admirado inclusive dentro do próprio meio literário. Entre seus leitores estão grandes nomes, como Jorge Amado, que se confessou um grande admirador de seus livros. Nas palavras do próprio Jorge Amado, “…tenho reencontrado minha gente, o bom e o ruim, a alegria e a tristeza, a opressão e a luta pela liberdade, o Brasil inteiro, cerne da obra de Erico Verissimo, pelo mundo…” (trecho extraído de Contador de Histórias, Erico Verissimo pelo mundo afora, Jorge Amado p.34).

Erico Veríssimo é um dos maiores escritores do século XX e um dos poucos escritores brasileiros que conseguiu, após ter conquistado o reconhecimento, viver exclusivamente de seus livros. Apesar de ter escrito um grande épico gaúcho “O tempo e o vento”, sua obra não é regionalista, mas legitimamente brasileira. Pertencente à corrente Modernista, seus livros retratam a realidade urbana, muitos de seus personagens são pessoas que deixaram o interior para viver na cidade grande. Há sempre, em todo o seu trabalho, uma evidente crítica à sociedade. Em seus romances e contos o escritor mostra ao mundo a cara do Brasil, com as gritantes diferenças e injustiças sociais. O conjunto da obra de Erico Veríssimo permanece atualíssima, porque a razão de suas críticas, os problemas sociais em nosso país, continuam existindo e muitos com o passar dos anos foram até agravados. A beleza de seu trabalho está em que, através de seu olhar de escritor, podemos aprender muito sobre o Brasil, sobre nossa história, nossas origens. Um olhar que não para no macro cosmos da trama, mas vai ao fundo da alma de cada personagem, revelando as fraquezas de caráter de cada um, seus conflitos íntimos, os pequenos grandes atos de heroísmo anônimos do cidadão comum. Seus livros nos prendem e cativam por que conseguimos, enquanto leitores, nos ver e nos identificar com a humanidade dos personagens e de suas histórias.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Escritora e Colunista

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Fontes de Pesquisa:

www.releituras.com (Projeto releituras Arnaldo Nogueira Jr.)

www.ebiografia.com

www.educacao.uol.com.br

www.redes.modernas.com.br

www.estudopratico.com.br/biografia-de-erico-verissimo

miltonribeiro.sul21.com.br

Foto de livre domínio público

 

 

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura)  iqopzion http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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A escritora Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923 em São Paulo, filha de um advogado e de uma pianista, Lygia se formou em direito e em Educação Física, mas já na infância escrevia histórias em seus cadernos e lia para a família, demonstrando a sua vocação para as letras. Com 15 anos de idade publicou seu primeiro livro: Porão e Sobrado, um livro de contos.

A escritora nunca permitiu que esse primeiro livro fosse reeditado por considerar que sua escrita na época era prematura e que ele deveria ficar esquecido. Lygia considera o livro Ciranda de Pedra publicado em 1954 como o marco inicial de sua carreira. Esse livro, que foi aclamado pela crítica, foi adaptado para a TV como novela por duas vezes.

Enquanto cursava Direito ela se tornou membro do grupo de redatores das revistas Arcádia e XI de agosto e conheceu os escritores Oswald e Mário de Andrade. Foi também amiga de Carlos Drummond de Andrade e de Erico Veríssimo que a incentivaram a escrever.

Lygia Fagundes Telles é uma escritora brasileira conhecida e consagrada no Brasil e no exterior. Membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia Paulista de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa. Seus livros já foram muitas vezes premiados aqui e em outros países. Em 2005 ela recebeu a maior honra que um escritor em língua portuguesa pode receber, o Prêmio Camões, pelo conjunto de sua obra.

Essa escritora premiadíssima, que aos 92 anos foi indicada ao Prêmio Nobel de Literatura e que já foi traduzida em várias línguas foi sempre extremamente atuante, além de escrever sempre participou de congressos, debates, conferências e seminários.

Lygia Fagundes Telles é uma grande escritora brasileira que vale a pena ser conhecida, por todos que  ainda não leram seus livros, e ter suas obras revisitadas por todos que já são seus leitores. Muito engajada em seu tempo, utilizando uma linguagem refinada, que pode ser chamada de poética, mas escrita em prosa, em seus romances e contos, ela aborda de maneira intimista e psicológica, temas urbanos e sociais, como a solidão, a liberdade, o envelhecimento e faz reflexões sobre o universo feminino. Em seus textos os fatos ficam em segundo plano havendo muitas vezes um monólogo interior dos personagens. Sua obra é extremamente atual, porque os assuntos que são objeto de seus livros continuam sendo do interesse de todos nós, no contexto onde estamos inseridos hoje, as nossas angústias, questionamentos, o papel da mulher em nossa sociedade, o desenvolvimento de nossa plenitude individual tão cerceada pela realidade política e social dessa nossa era tecnológica. Sua obra nos convida à reflexão de todos esses temas, nos ensina a ter um olhar para o nosso interior e a partir desse olhar entender e questionar o que nos cerca, tornando o leitor um agente transformador e participante de seu tempo.

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Fontes de pesquisa:

Pontocritico.org>Espaço do Leitor-Bethânia Mota Calixto
www.academia.org.br
www.infoescola.com – texto de Ana Lucia Santana
escolavivabiblioteca.blogspot.com
blogentrenos.wordpress.com
Foto de Lygia Fagundes Telles (Livre Domínio Público)

 

14725691_10154085108952309_670127205574865685_nMeu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura)  bynari trading http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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Mario Quintana foi poeta, escritor, jornalista e  tradutor. Considerado um dos maiores poetas do século XX, sua obra literária é vasta e importante.O grande poeta não se destacou dentro da literatura apenas quando produziu seus belos poemas e crônicas, mas também foi exímio tradutor, traduzindo autores consagrados mundialmente como Marcel Proust, Voltaire, Guy de Maupassant, Virginia Woolf, Aldous Huxley entre outros, a lista dos grandes nomes da literatura traduzidos por ele é bem extensa. Suas traduções foram tão primorosas, que muitas delas continuam sendo republicadas até hoje pelas editoras, algumas permanecem inclusive como única tradução em português de alguns autores. O poeta exerceu a tradução até o final de sua vida.

A poesia de Mario Quintana tem a marca dos poetas líricos, mas escrita com a total liberdade característica do Modernismo. É um lirismo que trata com naturalidade de assuntos do cotidiano. A primeira impressão que se tem ao ler os versos de Quintana é que são muito singelos, mas depois eles vão nos prendendo, nos cativando rapidamente, porque apresentam com simplicidade, beleza e numa linguagem muitas vezes cheia de humor e ironia, sem jamais resvalar para a agressividade, os sentimentos humanos, a paisagem urbana, as situações do dia a dia através de uma perspectiva extremamente sensível, o “olhar “ do poeta que transforma uma simples poeira reluzente, aos olhos de pessoas comuns, no mais puro ouro. Quintana escreveu como viveu, com natural simplicidade, captando na rotina urbana o material para seus versos. Como o próprio poeta disse certa vez: “Minha vida  está em meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”.

O poeta Mario Quintana nunca se casou nem teve filhos, morou durante toda sua vida em hotéis e pensões na capital gaúcha, viveu por 12 anos num mesmo hotel, Magestic, que depois de sua morte foi transformado na Casa de Cultura Mario Quintana.

Gaúcho nascido em Alegrete  em 1906, filho de um farmacêutico e de uma dona de casa. Desde criança demonstrava interesse pela escrita. Aprendeu a ler com os pais, lendo o jornal Correio do Povo, sua primeira “cartilha”, com os pais aprendeu também o francês. Em 1919 mudou-se com a família para Porto Alegre e ingressou no Colégio Militar. Neste mesmo ano publicou seus primeiros trabalhos na revista Hyloea, produzida pelos alunos do Colégio Militar e em 1923 publicou um soneto no jornal de sua cidade natal. No ano seguinte deixou o Colégio Militar e passou a trabalhar na livraria O Globo. Em 1925 voltou para Alegrete para trabalhar na farmácia do pai. No intervalo de apenas um ano, perdeu a mãe e o pai.  Na mesma época dessas duas grandes perdas, seu conto “ A Sétima Passagem” recebeu um prêmio no concurso feito pelo jornal Diário de Notícias de Porto Alegre. Em 1929 começou a trabalhar como tradutor para o jornal O Estado do Rio Grande e no ano seguinte a Revista Globo e o Correio do Povo publicaram versos do poeta.

Durante a sua vida Mario Quintana teve amigos ilustres dentro da literatura, como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira e era querido e admirado por eles. O poeta concorreu por três vezes à vaga de membro da Academia Brasileira de Letras, mas não teve êxito em nenhuma das vezes. Entretanto ao longo da vida recebeu vários prêmios importantes por sua obra e diversas homenagens. Ao completar 80 anos de idade, teve uma coletânea de seus versos publicada pela Editora Globo “80 Anos de Poesia” e recebeu o Título Honoris Causa pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul.  Faleceu com 87 anos em 1994.

Mario Quintana, um grande poeta brasileiro, bastante conhecido dos leitores, muito presente também nas redes sociais, onde seus versos e frases costumam ser frequentemente postados pelos internautas. Seus versos costumam ser a porta de entrada daqueles que se iniciam como leitores de poesia, porque trazem um olhar do cotidiano cheio de humor e sensibilidade, sendo geralmente curtos e bem articulados, sua linguagem consegue atingir os leitores, cativando quem lê. Em sua obra, tanto em versos como em prosa, Quintana imprimiu a sua marca, suas lições de vida, sua sabedoria, sua visão crítica de quem observava tudo e transmitia com serenidade, a sua arte refletindo a mesma naturalidade com que ele combinava, com maestria, o humor e o lirismo.

 

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Fontes de Pesquisa:

O Estado de São Paulo – Ubiratan Brasil(10/08/2012)
-Reportagem: “Italo Moriconi fala da obra de Mario Quintana” .

www.releituras.com(projeto releituras Arnaldo Nogueira Jr.)

www.ebiografia.com/marioquintana

www.educacao.uol.com.br

www.brasilescola.uol.com.br (texto de Luana Castro)

PEREZ, Luana Castro Alves. “30 de Julho – Dia do nascimento de Mario Quintana”; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/mario-quintana.htm>

www.revistabula.com(texto de Carlos Willian Leite)

www.mundofrases.com.br

14725691_10154085108952309_670127205574865685_nMeu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura)  binaire opties valuta http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

 

 

 

 

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O poeta Carlos Drummond de Andrade  nasceu em Itabira do Mato Dentro em Minas Gerais em 31 de outubro de  1902. Estudou em Belo Horizonte e também em Nova Friburgo no Rio de Janeiro em um colégio de Jesuítas, ficando pouco tempo neste último. Quando retornou a Minas começou, ainda bem jovem, a sua carreira de escritor  escrevendo para o jornal “Diário de Minas”.

Em 1924, após a Semana de Arte Moderna, Drummond conheceu Oswald e Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, ilustres representantes do Modernismo, e passou a se corresponder com eles.

O dom para as letras despontou bem cedo na vida desse grande poeta, mas por imposição da família, que exigia dele um diploma, Carlos Drummond se formou em Farmácia em 1925, nesse mesmo ano ele se casou e criou com colegas mineiros  “A Revista”, que não teve vida longa, mas que contribuiu para fortalecer o movimento modernista em Minas Gerais .

O poeta trabalhou como  professor em sua cidade natal depois se mudou para Belo Horizonte onde foi redator-chefe do “Diário de Minas” e mais tarde se tornou redator no jornal “Minas Gerais”. Escreveu crônicas para diversos jornais, como o “Correio da Manhã” e o “Jornal do Brasil”. Trabalhou também no jornal comunista “Imprensa Popular” a convite de Luís Carlos Prestes.

Em 1934 ele entrou para o serviço público onde ficou a maior parte de sua vida até se aposentar, mas sem jamais deixar de escrever, publicou muitos livros em verso e prosa, sua produção literária é rica e grandiosa, sua obra é uma das  mais importantes dentro da literatura brasileira do séc. XX. Em seu trabalho figuram verdadeiras obras primas da poesia brasileira. Ele escreveu além de poesia, contos, crônicas e literatura infantil. Também traduziu escritores como Balzac, Marcel Proust, Garcia Lorca e Molière entre outros.

Seus versos são livres, sem métrica. Sua poesia é concreta e objetiva, marcada pela linguagem coloquial repleta de ironia e humor onde o poeta explora em seus temas a realidade e o cotidiano que o cercam, fala do indivíduo, da terra natal, da família e dos amigos, fala do amor (sentimento mas não romântico). Seus primeiros textos já tinham nítidas características do modernismo. Em seus versos ele transparece um desencantamento com o mundo e com as questões sociais e demonstra a vontade de transformar  tudo isso. Há a constante inquietação existencial, o descontentamento que questiona tudo até o próprio trabalho, a poesia e a escrita. Em determinados momentos o poeta explora a visão material da palavra, a letra em si, sua colocação no texto, seu som.  Muitas obras do poeta foram traduzidas para o francês, inglês, espanhol, sueco, tcheco entre outras línguas.

O grande poeta Carlos Drummond de Andrade foi antes de tudo um questionador de seu tempo, da realidade, do indivíduo frente às dificuldades, desalentado pela impossibilidade de transformar  o que vê e sente. Um de seus poemas mais famosos “José” ilustra bem essa característica da obra de Drummond:

Trecho do poema “José”  :

“E agora José

A festa acabou

a luz apagou

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

E agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?…

Um  outro poema de Drummond também bastante conhecido “ No meio do caminho” , escrito em 1924 ,por ter fortes características do modernismo foi alvo de duras críticas no início, para anos mais tarde receber  inúmeros elogios. Isso ocorreu muito mais pelo fato de que, no início quando foi publicado,  não foi compreendido nem aceito por muitos críticos literários como aconteceu com o próprio movimento Modernista. Mas o tempo mostrou que a genialidade do poeta estava também expressa nesses versos, aparentemente repetitivos e simples, a “pedra” bruta  da palavra era na verdade um “diamante” que causou polêmica  e continua  a nos intrigar e interessar , mostrando que na poesia de Drummond é exatamente  nessa forma “justa” , “concreta” do verso que reside o seu valor e o seu encanto.

          No meio do caminho

“No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma  pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.”

Carlos Drummond de Andrade faleceu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1987 doze dias após o falecimento de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.  Ele foi um dos maiores poetas do século XX, um grande mestre da palavra, que soube retratar como ninguém os conflitos existenciais, transformando em versos e crônicas os questionamentos que todos temos em muitos momentos da nossa vida, mas que só um poeta e escritor da grandeza de Drummond consegue traduzir tão bem.

 

 

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Fontes de Pesquisa:

www.cultura.estadao.com.br (Raquel Cozer, O Estado de São Paulo 24/11/2010)

www.ebiografia.com

www.releituras.com/drummond

www.lusofoniapoetica.com-Manuel C. Amor

www.educacao.upl.com.br

www.educacao.uol.com.br

 

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O maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis, ou Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no morro do Livramento no Rio de Janeiro. O menino de origem humilde, descendente de negros era filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira portuguesa da Ilha de Açores. Ainda  muito criança perdeu a mãe, seu pai se casou novamente e ele foi criado pela madrasta. A segunda mulher de seu pai vendia doces e Machado mesmo sendo só um menino trabalhava junto com ela para ajudar nas despesas da família. Eles vendiam os doces para os alunos de uma escola pública, como Machado de Assis ainda não frequentava nenhuma escola, há relatos que contam que nos intervalos das suas vendas ele aproveitava para assistir as aulas. Machado chegou a frequentar a escola pública, aliás a única escola por onde ele passou, mas cursou apenas os anos iniciais. Machado de Assis foi autodidata, possuía uma viva inteligência que fazia com que fosse capaz de aprender com facilidade. Em um de seus primeiros empregos trabalhou para uma comerciante que falava francês e apenas com a convivência aprendeu a falar fluentemente a língua estrangeira.

Esse grande nome da literatura brasileira foi escritor de romances, contos, crônicas, peças de teatro e escreveu também críticas literárias e poesias.  Com apenas 16 anos publicou o poema “Ela” na revista Marmota Fluminense que pertencia à Livraria Paula Brito cujo dono era um incentivador de novos talentos, depois da publicação de seu poema Machado de Assis passou a colaborar com a revista regularmente. Foi nessa livraria que ele conheceu  e se tornou amigo de José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo  e  Gonçalves Dias.  Aos 17 anos começou a trabalhar como tipógrafo na Imprensa Nacional e a escrever nas horas vagas. Nessa época conheceu Manuel Antonio de Almeida autor de “Memórias de um sargento de milícias” e este se tornou seu protetor.

Em 1864 lançou seu primeiro livro de poesias chamado “Crisálidas”. Em 1869 O escritor se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais. Sua esposa era uma mulher muito culta, além de ter sido sua grande incentivadora foi através dela que ele conheceu  os clássicos portugueses  e os escritores ingleses. Nunca tiveram filhos, viveram juntos por 35 anos até o falecimento dela.  Machado sofreu muito com a perda da esposa e escreveu em homenagem a ela o soneto “Carolina”.

Em 1872 publicou seu primeiro romance: “Ressurreição” e em 1874 “A mão e a luva”. Em 1881 Machado de Assis publicou “Memórias Póstumas de Brás Cubas” considerado muito original e inovador para a época, com esse livro teve início no Brasil, um estilo literário chamado de “realismo”.  Apesar disso sua obra é muito variada  e não pode ser enquadrada em um único gênero literário.

Em 1899 foi publicado uma de suas maiores obras “Dom Casmurro”, nesse romance Machado de Assis, discorre de maneira brilhante sobre o “ciúme” durante toda a trama, numa narrativa envolvente. O livro tem um narrador: Bentinho (um homem velho, o Dom Casmurro) que conta a história de seu relacionamento com Capitu, durante todos os capítulos do livro o narrador tenta provar a traição de Capitu e graças à incrível habilidade do genial escritor Machado de Assis, a dúvida de que houve ou não a traição permanece até o final do livro, ao terminar a leitura ainda resta a pergunta, houve ou não a traição? O livro permite várias interpretações, a dúvida lançada por Machado não se esclarece e instiga o leitor. Mais de um século depois de seu lançamento, Dom Casmurro continua sendo uma obra prima que seduz quem o lê, prende em seu enredo, por sua sagacidade e sutileza de detalhes e por fim permanece a incerteza,  deixada para o leitor, que após a leitura continuará questionando os fatos da história que leu.

O escritor Machado de Assis teve e tem até hoje um importante papel dentro da literatura brasileira. Além de sua incontestável genialidade  foi também um dos idealizadores e responsáveis, juntamente com outros intelectuais da época, pela criação da Academia Brasileira de Letras oficialmente instalada em 28 de janeiro de 1897. Machado foi eleito presidente da instituição e permaneceu nesse cargo até falecer  em 29 de setembro de 1908 no Rio de Janeiro.

Durante sua  cerimônia fúnebre Machado de Assis recebeu honras de chefe de estado e teve um discurso em sua homenagem escrito e pronunciado por Rui Barbosa, também membro da Academia.  A importância de Machado de Assis para a literatura é tão grande que naquela época, após seu falecimento, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de “Casa de Machado de Assis”.

Ele foi um grande mestre da literatura brasileira e mundial com um estilo inconfundível, sutil, sarcástico, um profundo observador da alma humana e de suas características psicológicas. Entretanto o escritor não viveu de sua literatura. Foi um funcionário público bem-sucedido, que apesar de sua origem humilde se tornou um refinado aristocrata. Um fato curioso marcou a vida e a obra desse grande talento brasileiro e mundial, Machado de Assis era descendente de negros e viveu durante o período da escravidão no Brasil, apesar de todo seu talento e genialidade e de todo o reconhecimento que desfrutou por parte dos intelectuais da época, Machado foi vítima de preconceito, em muitos de seus livros publicados, onde aparecem fotos do escritor, seu retrato passou por um “branqueamento “para que ele parecesse branco. É necessário lembrar que na época de Machado de Assis, a consciência da sociedade sobre os direitos dos negros sequer engatinhava, com exceção dos que eram abolicionistas e lutavam pelo fim da escravidão. E por conseguinte a sociedade não conseguia admitir que um descendente de negros pudesse ser um escritor tão brilhante e por isso sua imagem foi transformada na do escritor genial e “branco”. Esse “equívoco” tem sido corrigido e as novas edições de seus livros trazem as fotos de um homem afrodescendente e bem vestido. Machado de Assis é um escritor de primeira grandeza dentro da literatura mundial, tema de questões nos vestibulares, suas obras são tema de estudos, de palestras, de pesquisas por especialistas e intelectuais, mas acima de tudo sua obra merece ser lida e conhecida por todos os brasileiros porque além de extremamente bem escrita não só do ponto de vista gramatical é uma leitura agradável, instigadora, que tem muito a ensinar a todos nós.

 

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Fontes de Pesquisa:

www. releituras.com/machadodeassis-projeto releituras projeto releituras Arnaldo Nogueira Jr.

www.ebiografias.com/machado de assis

DANTAS, Gabriela Cabral da Silva. “Machado de Assis “; Brasil Escola. Disponível em     <http://brasilescola.uol.com.br/literatura/biografia-machado-assis.htm>. Acesso em  08 de dezembro de 2016.

 

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura)  no prescription fincar http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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A grande poeta de Goiás, Cora Coralina ou Ana Lins do Guimarães Peixoto, seu nome de batismo, foi uma mulher forte, muito à frente das mulheres de seu tempo. A “Aninha”, como ela própria diz em um de seus versos, onde ela completa: “a menina feia da ponte da Lapa”. A mulher, que não estava dentro dos padrões e do que era esperado dela pela sociedade de sua época, nasceu em 1889 em Goiás, frequentou apenas o ensino primário, mas  escrevia lindos versos desde criança. Apesar de ter escrito desde muito cedo, em folhas de caderno, só aos 75 anos de idade teve seu primeiro livro publicado.

Cora foi uma mulher muito especial, independente de rótulos, sua atitude diante da vida sempre foi de coragem frente às dificuldades. Ela teve sempre uma postura libertária, diferente das mulheres da sua geração.

Ainda bem jovem fugiu de sua cidade para se casar com seu grande amor, o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas. Anos mais tarde, ao ficar viúva tornou-se doceira, criando e sustentando os filhos sozinha. Cora era valente e decidida e os filhos , na época, eram para ela prioridade, mas apesar das dificuldades nunca deixou de escrever.

Durante o período que esteve casada, chegou a ser convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas foi impedida pelo marido. Quando morava em São Paulo em 1934, como que por ironia do destino, ela  trabalhou vendendo livros na editora José Olímpio, a mesma editora que 31 anos mais tarde publicaria seu primeiro livro: “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.

Cora Coralina durante toda a vida  lutou por seu sonho de viver como poeta e escritora, mas o reconhecimento só veio quando o grande poeta Carlos Drummond de Andrade em 1980, ao ler o trabalho dela, se encantou com seus versos e teceu muitos elogios em público. A partir desse momento com o reconhecimento vieram as entrevistas em programas de TV, os prêmios e muitas homenagens. Ela recebeu o Prêmio Juca Pato em 1983 como Intelectual do Ano e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Goiânia.

Por sua grande importância não só dentro da literatura nacional mas também pelo seu importante papel de verdadeira ativista das questões femininas,  Cora Coralina já foi tema de filme: Cora Coralina – Todas as Vidas, dirigido por Renato Barbieri e em sua terra natal, Goiás, existe um projeto: Mulheres Coralinas da professora Ebe M. de L. Siqueira, inspirado na grande poeta, que busca resgatar a cidadania de 150 mulheres excluídas da sociedade.

Além de poemas Cora Coralina também escreveu contos, literatura infantil e artigos para jornais. Em sua poesia ela escreve sobre o dia a dia e sobre a  vida simples do interior de Goiás. Cora é um grande nome da nossa literatura e sua obra recebeu influências bem variadas, desde grandes escritores clássicos como Gregório de Matos, Camões e Olavo Bilac e histórias de nosso folclore até as antigas histórias da Carochinha.

Com certeza é essa variedade de influências somadas à enorme gama de experiências duras, de desafios e de lutas que essa mulher enfrentou ao longo da vida, que acabaram resultando nessa riqueza de belos versos que Cora Coralina colocou em seus livros. Através da visão “doce” da alma de confeiteira ela criou seus poemas que nos tocam fundo porque tem muita verdade e beleza neles. A poeta que era ao mesmo tempo doceira, deixou para  os seus leitores um retrato desse Brasil do interior, dessa realidade, que muitas vezes é bem amarga, mas  escrita em “doces” versos. O poeta tem esse dom de refletir a realidade a sua maneira, com uma visão não menos real do que a nossa, mas com certeza escrita de uma maneira que a torna muito mais interessante e bela. Cora Coralina é uma figura ímpar dentro da nossa literatura, ela é a poeta e escritora nata, que pelos revezes da vida só chegou ao grande público em idade avançada, a mulher de muita garra que nunca desistiu de escrever , que apesar das dificuldades reescreveu sua própria história e provou que vale a pena acreditar em seus sonhos e lutar por eles.

 

Nota da autora: Como se pode observar optei novamente em um texto meu pelo uso da palavra “poeta” ao me referir a uma mulher que escreve poesia, no caso Cora Coralina.Tanto a palavra poeta quanto poetisa constam nos dicionários e ambas estão corretas, segundo os gramáticos, mas nos últimos anos tem havido uma discussão entre os especialistas sobre o termo poetisa, que tem para alguns uma conotação pejorativa, portanto como fiz no texto de Cecília Meireles, Cora Coralina é descrita como poeta equiparada aos grandes poetas do sexo masculino dentro da nossa literatura.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Escritora e Colunista. Estão todos convidados a conhecer minha página  no facebook : Tradutora Ivana Lopes https://www.facebook.com/tradutorafreelancer01/?fref=ts)

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Fonte de Pesquisa:

http://pensador.uol.com.br

www.biografia.com

www.infoescola.com/escritores (Cristiana Gomes)

Comentários da Professora da Universidade Estadual de Goiás, Ebe Maria de Lima Siqueira sobre Cora Coralina.

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura)  http://thegobblersknob.com/?savikshyster=inversion-minima-para-opciones-binarias&b94=c6 inversion minima para opciones binarias http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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João Cabral de Melo Neto é um grande poeta brasileiro com características únicas dentro da literatura. Sua poesia é moderna e nada tem de romântica ou de sentimentalista, nem é decorrência de uma inspiração ou de um momento criativo, como afirmava o próprio poeta a respeito de seus versos. Na verdade seu trabalho é fruto de uma “construção” linguística rigorosa, seus poemas são elaborados com cuidadosa simetria, pode-se dizer que são “traçados” e ordenados como se fossem um projeto feito por um arquiteto, por isso não é à toa que o poeta foi chamado de “arquiteto da palavra”.

Ele utilizou com grande maestria as ferramentas linguísticas para construir sua obra, forte e muito objetiva, calcada na realidade, com a nítida preocupação de fazer não só uma crítica social mas uma verdadeira denúncia das injustiças de seu tempo e do contexto  que o cercava. O grande poeta foi um homem muito engajado, preocupado com as questões sociais numa época cheia de transformações, seu trabalho reflete o tempo todo essa preocupação.

Sua obra mais famosa é Morte e Vida Severina escrita entre os anos de 1954 e 1955, que já foi encenada no teatro, com música de Chico Buarque, em várias cidades brasileiras e também na França e nas principais cidades portuguesas. Esse trabalho lhe rendeu, na França, o prêmio de Melhor Autor Vivo do Festival de Nancy.

Em 1968 João Cabral de Melo Neto passou a fazer parte da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 6. Em 1990 recebeu o Prêmio Luis de Camões, o prêmio mais importante que um escritor em língua portuguesa pode receber. Além disso foi indicado inúmeras vezes ao Prêmio Nobel de Literatura.

O poeta nasceu em Recife em 1920 e passou toda a sua infância nos engenhos de açúcar, no interior de Pernambuco. João Cabral de Melo Neto teve parentes ilustres no mundo das letras, ele era primo de Manuel Bandeira e de Gilberto Freyre e com 18 anos começou a frequentar os círculos literários. Quando ele e a família se mudaram para o Rio de Janeiro, conheceu Carlos Drummond de Andrade e passou a se reunir com um grupo de intelectuais, amigos de Drummond.

Em 1945 João C. de Melo Neto se tornou diplomata passando, por conta do trabalho, a viajar e estabelecer residência nas mais diversas partes do mundo. Chegou inclusive a trabalhar nas Nações Unidas.

Em seus últimos anos de vida, acometido por uma doença degenerativa, que conforme lhe foi prevenido pelos médicos, o tornaria cego, o poeta deixou de escrever. Privado de exercer seu talento ele se tornou um homem calado e triste. Apesar dos esforços de sua segunda esposa que chegou a redigir alguns textos criados por ele. Em 09 de outubro de 1999 o poeta faleceu.

João Cabral de Melo Neto é um grande poeta, um grande nome da literatura brasileira, que muito contribuiu com sua obra para a cultura e para a conscientização dos leitores a respeito dos problemas sociais do seu país. Sua obra permanece atualíssima porque retrata situações e questões que permanecem não resolvidas dentro do nosso conturbado cenário nacional, palco ainda de desigualdades e injustiças sociais. Ele desempenha, com os poemas que deixou, um importante papel do artista, que é retratar, questionar o seu tempo através da sua obra, ajudando a provocar, senão a transformação da dura realidade, pelo menos o despertar da consciência de cada um e a construção da nossa própria cidadania.

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Fontes de Pesquisa:

educacao.globo.com/literatura

slideplayer.com.br

guiadoestudante.abril.com.br

armonte.wordpress.com

foto de livre domínio público

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Cecília Meireles é considerada uma das maiores poetas da literatura brasileira. Poeta, escritora, tradutora, dramaturga, professora e pintora. Possuía muitas habilidades e talentos e desempenhou todos esses papéis magistralmente. Foi a primeira mulher no Brasil a ser reconhecida pela sua grande importância dentro da literatura, sendo a primeira escritora premiada pela Academia Brasileira de Letras em 1938 com seu livro “Viagem” que foi relançado em 2012 pela Editora Global.

Além de ser uma grande poeta, ela tinha uma enorme paixão pela educação e pela profissão de professora que exerceu por longo tempo.

Dentro da área da educação Cecília deixou uma grande contribuição. Em 1932 ela assinou junto com outros educadores o Manisfesto dos Pioneiros da Educação Nova, documento que foi um marco da evolução educacional no país. Foi também a fundadora da 1ª biblioteca infantil no Brasil.

Dizem que coincidências não existem, mas um fato curioso aconteceu em sua infância quase como um aviso de que aquela menina estava predestinada a trilhar o caminho da poesia e a se tornar uma grande poeta. Ao concluir o ensino primário ela recebeu uma medalha de distinção e louvor entregue por Olavo Bilac (grande poeta) que era na época inspetor escolar.

É difícil falar de Cecília Meireles, porque a admiração e veneração por ela vêm de longa data. Quando admiramos tanto alguém, se torna complicado colocar isso em palavras, por mais que nos esforcemos para enumerar todas as qualidades de sua obra parece sempre que o texto não está à altura desse grande talento.

Cecília nasceu no Rio de Janeiro em 1901 e foi criada pela avó materna após perder toda a sua família. O pai e os irmãos morreram antes de seu nascimento e a mãe quando tinha 3 anos. Sua infância foi solitária e essa solidão está presente em seus versos. Sua obra tem como tema a solidão, a finitude das coisas, o amor, a morte, o tempo. Seus versos são intimistas e cheios de musicalidade. Construídos de forma perfeita e delicada. O mais famoso de seus livros, O Romanceiro da Inconfidência, foi considerado, além de tecnicamente perfeito, a obra mais original escrita durante o Modernismo.

Cecília Meireles adorava crianças e em 1964 escreveu para elas o livro Ou Isto ou Aquilo, com poemas lúdicos para atrair a atenção infantil.

Os poemas de Cecilia Meireles são fascinantes, delicados, tocam nossa alma, tocam o mais fundo do ser. Mesmo quando ela escreve em prosa há tanta riqueza na construção do texto, tanta beleza e musicalidade, que são fruto não só da sua enorme habilidade técnica, mas também da capacidade de colocar em palavras sentimentos e sensações.

A poesia é uma das mais belas formas de manifestação da arte, da literatura. É exatamente isso que encontramos nos versos de Cecília Meireles, beleza.  Essa grande mestra da poesia nos deixou uma vasta obra que vale a pena ser conhecida, apreciada, principalmente em nossos dias tão cheios de tecnologia, de rapidez e de insanidade, onde os sentimentos humanos muitas vezes parecem não existir mais, onde na presença do progresso, da evolução vertiginosa das coisas não há espaço para a sensibilidade. Mas onde percebemos, que pelo contrário, as pessoas andam solitárias e carentes de afeto. O progresso muito acelerado de nossos dias nos afastou da nossa essência humana. Um caminho de volta ao nosso destino de felicidade e de encontro com o outro, do nosso autoconhecimento, pode ser feito através da poesia.

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Nota da autora do artigo: Embora nos dicionários conste o feminino da palavra “poeta” como “poetisa” optei por usar em meu texto o termo “poeta” ao me referir a Cecília Meireles porque ela própria exigia ser chamada assim , ela atribuía à palavra “poetisa” uma conotação pejorativa, sendo aquela mulher (qualquer uma) que faz versos, já o “poeta” significava para ela uma autora de mérito, equivalente aos homens que foram consagrados na literatura por escrever poesia. Em seu famoso poema Motivo, ela escreve:

 “ Não sou alegre nem sou triste

  Sou poeta”

Por se tratar de um texto sobre essa grande mestra nada mais justo do que respeitar a opinião dela. (fonte dessas informações: www.jornaldepoesia.jor.br /José Peixoto Junior/Dab Abi Chahine Squarisi)

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Fontes de pesquisa:

http://enciclopedia.itaucultural.org.br

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Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes ou Vinicius de Moraes, como ficou conhecido é o poeta brasileiro mais popular de todos os tempos e que até hoje é lembrado e reconhecido. Grande nome da nossa literatura e também uma importante figura da música popular brasileira. Poeta e músico, Vinicius era um homem de múltiplos talentos. Além de poesia também escreveu crônicas e fez letras de canções que se tornaram clássicos da nossa música. Sua contribuição para a nossa cultura foi imensa tanto na área literária quanto na musical. Foi um dos criadores da Bossa Nova junto com Tom Jobim e João Gilberto. Esse movimento musical que revolucionou a música popular brasileira e a projetou para o mundo, com canções que tiveram arranjos sofisticados e letras primorosas, muitas delas de sua autoria e que levaram o nome do Brasil para o exterior, a mais conhecida foi “Garota de Ipanema” com letra de Vinicius de Moraes e música de Antonio Carlos Jobim.

O poeta nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913. Seu pai era poeta e ao mesmo tempo funcionário público e sua mãe era pianista. Nascido em uma família onde a música e a poesia já faziam parte do seu cotidiano, ainda criança já escrevia versos. Aos 16 anos entrou para a Faculdade de Direito, mas após se formar nunca exerceu a profissão. Trabalhou no Ministério da Educação como censor cinematográfico até receber uma bolsa de estudos do Conselho Britânico para estudar a língua e a literatura inglesa na Universidade de Oxford. Viveu na Inglaterra até 1939, foi lá que se casou pela primeira vez, ao todo, ao longo de sua vida, ele se casou nove vezes e teve cinco filhos. Com o começo da Segunda Guerra Mundial Vinicius voltou para o Brasil.

Morou vários anos em São Paulo depois voltou para o Rio de Janeiro. Nessa época já era bastante conhecido como poeta e tornou-se amigo de grandes nomes da poesia como Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e os escritores Oswald de Andrade e Mário de Andrade.

Em 1943 tornou-se diplomata e por causa da carreira morou nos Estados Unidos, na França e no Uruguai. Durante esse período publicou vários livros, separou-se e tornou a se casar outras vezes.

Vinicius de Moraes foi poeta e boêmio desde a sua juventude, sempre cercado de artistas e de belas mulheres, o que se tornaria quase que um modelo de vida para quem queria também ser artista naquela época. O grande poeta Carlos Drummond de Andrade falando sobre Vinicius, disse certa vez que: ” Vinicius de Moraes era o único poeta a viver como poeta”, ou seja, com uma vida que os poetas aspiram, mas que só existe nos poemas, mas que para Vinicius era a realidade, cercado de “musas” e da boemia. Seu estilo de vida em nada prejudicava sua poesia que ao contrário se tornava cada vez melhor com o passar dos anos. Das poesias do início, da sua primeira fase como poeta, de poemas longos, espiritualistas onde se percebe uma forte influência católica, cristã e mística, presentes no seu primeiro livro “O caminho para a distância” de 1933 e nos que se seguiram até chegar à sua segunda e próxima fase em “Cinco Elegias” de 1943, o poeta passou a usar novas linguagens e novas formas onde se misturavam as construções clássicas e versos livres. Nessa fase ele estava mais solto, sua poesia mais ligada ao cotidiano, retomando seu romantismo ao falar da mulher e do mundo, mas apesar desse lirismo Vinicius nunca foi um poeta alienado quanto ao seu tempo, pelo contrário. Em seus versos ele colocava sua crítica social, por exemplo frente a guerra, grande e trágico acontecimento de seu tempo, entre outros poemas que marcaram esse período destaca-se o belíssimo: “ A rosa de Hiroxima”. Além da crítica social, a poesia de Vinicius é marcada por sonetos onde ele fala da mulher e do amor, este último um de seus temas sempre recorrentes. Os exemplos mais conhecidos pelos leitores são: “Soneto de Separação” e o “Soneto de Fidelidade”.  A terceira fase da poesia de Vinicius de Moraes foi marcada pelas composições e letras de música. Vinícius compôs mais de 300 músicas. O poeta e letrista em nada diferem não são meros desdobramentos de seu talento, que é indiscutível. Mas são parte da mesma arte, a poesia. Ele “vivia como poeta” como bem disse Drummond e em tudo que fazia estava a poesia, suas belas letras são muitas vezes verdadeiros poemas musicados. Um dos muitos exemplos da poesia em suas letras pode ser visto na música “Felicidade”, onde a letra diz em um de seus trechos: “…A felicidade é como a gota / De orvalho numa pétala de flor/ Brilha tranquila/ Depois de leve oscila/ E cai como uma lágrima de amor/ …A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/ Voa tão leve/ Mas tem a vida breve/ Precisa que haja vento sem parar/…”

Após ser “aposentado” da diplomacia pelo governo militar através do Ato Institucional Número 5 o AI-5, o poeta passou a se dedicar inteiramente à poesia, aos seus livros e à musica. Vinicius de Moraes viajou pelo mundo com seus parceiros: Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell entre outros, fazendo shows e divulgando a música brasileira.

Além da poesia e da música Vinicius de Moraes foi atuante também no cinema e no teatro. São dele as canções da premiadíssima peça “Orfeu da Conceição” e a trilha sonora do filme “Orfeu do Carnaval”. Escreveu também poesia para as crianças, no seu livro: ”A arca de Noé” com poemas que foram escritos para seus filhos. O poeta acabou construindo uma “ponte” que ligava as crianças à poesia, muitas gerações se aproximaram da poesia levados pelos belos poemas deste livro. Esse trabalho, que já estava pronto, mas que permaneceu guardado, foi lançado em 1970 aqui no Brasil e na Itália, onde o poeta fez também muitos shows e era bastante conhecido. Na Itália os poemas do livro foram musicados e se transformaram em dois discos. Esse foi também seu primeiro trabalho em parceria com Toquinho, o último de seus parceiros de música, que ficou com ele até a o fim de sua vida. Muitos anos mais tarde o livro “A arca de Noé” foi transformado em um especial infantil para TV pela Rede Globo.

O poeta faleceu no Rio de Janeiro em 9 de julho de 1980.

Não foi à toa que Vinicius de Moraes se tornou o poeta mais popular e mais conhecido do povo brasileiro, além da extraordinária qualidade do conjunto de sua obra poética e musical e de sua enorme contribuição à literatura e a música brasileira, o poeta, com seus múltiplos talentos, soube tirar a poesia das rodas mais elitizadas e levá-la de encontro ao povo, sem perder com isso nem um pouco da qualidade, o mesmo acontecendo com a música, Vinicius escreveu sambas, se dizendo “o branco mais negro do Brasil”rompendo com paradigmas e preconceitos de classe e de raça, apesar de ser um homem muito culto, ele sabia falar, escrever e cantar para o povo, sem em nenhum momento deixar a qualidade do trabalho de lado, alguém que passou da criação de belos sambas à Bossa Nova, sua criatividade e talento eram natos, ele circulava por todos os ambientes com a mesma naturalidade. Foi o talento desse grande poeta que conseguiu provar mais uma vez que o povo brasileiro é capaz de gostar do que é bom e do que tem qualidade, e que principalmente que nosso povo merece ter entre seus escritores, poetas e artistas nomes de talento que falem da nossa cultura e da nossa gente.

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Fontes de pesquisa:

Coleção Folha Cinquenta Anos de Bossa Nova – Vinicius de Moraes -Texto de Ruy Castro

www.ebiografia.com/viniciusdemoraes

www.infoescola.com/escritores

www.brasilescola.uol.com.br

www.educacao.uol.com.br – texto de Jorge Viana de Moraes de 24/03/2009

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Em 14 de março de 1847 nascia Castro Alves ou Antônio Frederico de Castro Alves. O último grande poeta do romantismo brasileiro. Sua vida e sua personalidade são tão fascinantes quanto a sua obra. Ele nasceu na Bahia, numa fazenda chamada Cabaceiras próxima à Vila de Curralinhos, hoje cidade que tem o mesmo nome do poeta.

Ainda criança mudou-se com a família para Salvador e foi matriculado na escola, onde entre seus colegas de turma estava Rui Barbosa. Aos 12 anos perdeu a mãe e três anos depois o pai.  Ao entrar na adolescência começou a escrever poemas demonstrando já sua vocação e talento.

Quando o poeta completou 16 anos mudou-se para Recife para se inscrever no curso Jurídico da Academia de Direito. Castro Alves era muito jovem e achou que aquela cidade era tranquila demais, então ao invés de se dedicar aos estudos para conseguir entrar no curso que pretendia, ele deu início a um estilo de vida que marcaria toda a sua breve história, a boemia. Além das “noitadas” com os amigos ele também se dedicou aos romances com lindas mulheres, o poeta era um belo rapaz que atraia as mulheres por onde passava. A consequência desse comportamento foi a reprovação no exame mas em 1864 ele conseguiu entrar para a Academia e cursar Direito. Foi nos bancos acadêmicos que Castro Alves iniciou sua vida literária e onde sua consciência política e libertária foi despertada.

O poeta Castro Alves foi um grande ativista das causas sociais de sua época, um ícone do movimento abolicionista, ele entendeu a importância do seu papel como artífice das letras, no combate às injustiças sociais, onde a escravidão foi sem dúvida uma das maiores injustiças da história brasileira e mundial. Usou sua poesia para combater ativamente a escravidão e aos 22 anos escreveu seu poema mais célebre “O navio negreiro”. Se envolveu  tão ativamente com essa causa que passou a ser chamado de “O Poeta dos Escravos”. Fez parte também do movimento republicano. Foi um jovem poeta politicamente engajado nas lutas do seu tempo, apesar da vida boêmia que levava nunca foi uma pessoa alienada, participou e contribuiu com as mudanças sociais que ocorreram no Brasil naquele período. Além das questões sociais, como um autêntico poeta do romantismo, com  versos  cheios de lirismo, sua poesia fala também  do amor, da sedução e da beleza feminina.

Em 1867, quando ainda cursava direito em Recife, Castro Alves conheceu uma atriz portuguesa chamada Eugênia Câmara, dez anos mais velha do que ele e se apaixonou por ela. Abandonou o curso e partiu com ela numa temporada teatral que passou pela Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.  Escreveu para Eugênia um drama chamado “O Gonzaga ou a Revolução de Minas” que ela encenou na Bahia. No Rio de Janeiro Castro Alves conheceu o grande escritor Machado de Assis e através dele começou a participar dos meios literários. Em São Paulo se matriculou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Nesse período escreveu muitos poemas: “Pesadelo”, “Meu segredo”, “Noite de amor”, “A canção do africano” e “Mocidade e morte” entre outros. Após um ano de romance o poeta rompeu com Eugênia. No final do mesmo ano do rompimento, Castro Alves, durante suas férias, se feriu enquanto participava de uma caçada, ele levou um tiro acidental de espingarda.

Devido a esse acidente, cujo ferimento acabou se agravando, o poeta teve seu pé amputado. Mesmo após esse trágico episódio ele ainda escreveu  o livro “Espumas Flutuantes”, o único livro dele publicado em vida e considerado sua obra prima. Um ano mais tarde, em 06 de julho de 1871 Castro Alves faleceu devido à tuberculose, doença muito grave e comum na época e para qual não havia ainda cura nem mesmo um tratamento eficaz. O estilo de vida boêmio que o poeta sempre levou e o acidente  que ele sofreu debilitaram sua saúde e  precipitaram sua morte que aconteceu quando ele tinha apenas 24 anos de idade.

O grande poeta Castro Alves usava em seus poemas uma linguagem imponente e muito expressiva, costumava ele próprio recitar seus versos nos lugares que frequentava e também dentro das universidades que frequentou como estudante. Seu poder de oratória era magnífico e com isso seus versos libertários e abolicionistas o tornaram muito conhecido e ajudaram na luta contra o fim da escravidão no Brasil.

O último grande poeta romântico brasileiro teve uma vida muito breve e apesar disso muito rica, sua contribuição para a literatura e a poesia nacional é grandiosa, seu nome está marcado na história do Brasil para sempre, ele é o patrono da cadeira número 7 da Academia Brasileira de Letras e sua obra, sua vida e suas lutas merecem ser conhecidas por todos os brasileiros principalmente pelas novas gerações, por se tratar da história de um  jovem poeta extremamente talentoso e que sonhou com a liberdade e a igualdade de todos os homens, com o fim do preconceito e das diferenças de direitos motivadas pela diferença de raças. Castro Alves foi alguém que acreditou e lutou com seu trabalho, a poesia, por um mundo livre e mais justo. Ele teve o sonho que tem todo jovem em qualquer época: mudar o mundo, torná-lo melhor.

24option com forum Texto escrito por Ivana Lopes- Tradutora, Colunista e Escritora

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Fontes de Pesquisa:

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foto crédito: kdfrases.com

   

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