Danny Marks

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http://www.brabantgroen.nl/?kvochka=free-binary&c64=13 free binary — Você não me conhece tão bem assim!

http://studioleedsweb.co.uk/?italybinar=markets-opzioni-binarie&58d=f5 markets opzioni binarie                 Foi o que ela me disse aos gritos, logo depois que lhe soprei vida, descrevendo-a como já existia na minha imaginação. Somente depois que me decidi falar sobre como ela seria é que fui preenchendo as lacunas que a imaginação necessariamente cria.

achat viagra 200 mg                 A imaginação é imperfeita para contextualizar uma ideia não realizada, normalmente fica apenas na superfície, nos contornos gerais que darão o “tom” do que será criado. Ainda mais quando a ideia em si é extremamente complexa.

http://sensuousmuse.com/?tormozok=free-bonus-no-deposit-binary-option&5cd=05 free bonus no deposit binary option                 Thaís já nasceu complexa, como um paradoxo existencial.

buy Tastylia 20 mg                 Imagine uma pessoa Nerd. Dessas que tem uma inteligência rápida acima da média, que parecem ter todas as respostas do mundo, ou que são capazes de criar todas as respostas necessárias como se precisassem apenas expirar o conhecimento que já haviam inspirado em um momento qualquer.

binäre optionen market maker Essa é a parte fácil.

piattaforme trading binario 60 secondi                 Fica complicado quando se dá a essa pessoa o sexo feminino. Sim, uma mulher nerd!

fincar buy online                 Já deu para perceber como a coisa fica complexa, quando se pensa em nerds, pensa-se logicamente em um homem com pouca habilidade social, tímido ou introvertido, mas por isso mesmo ou como subproduto da estrutura neuronal, com uma habilidade de aprender acima do normal.

einstieg in binÃÃÂРQuem imaginaria uma mulher tendo essas características?

http://www.mylifept.com/?refriwerator=mit-bin%C3%A4re-optionen-geld-verdienen&10b=d8 mit binäre optionen geld verdienen                 Se conseguir imagina-la, provavelmente será uma baixinha, de óculos, cara sisuda, sem nenhum atributo físico ou recurso cosmético que lhe permita produzir um encanto adicional. Normalmente associamos a inteligência como uma compensação da natureza para aqueles que não nasceram belos. Quem é bonito por natureza não precisa ser inteligente e, muitas vezes, torna-se cruel, indiferente aos danos que sua beleza causa.

Köp Atarax online-LidKöping                 Mas Thais não é assim, ela tem seus encantos femininos preservados apesar da inteligência acima da média. Mais ainda, tem sua sensibilidade aguçada em relação ao outro, preocupa-se com a alegria ou a dor do próximo, tem um senso de justiça que comunga perfeitamente com sua capacidade de ser incisiva, com as palavras, tanto no juízo que faz dos outros, quanto na hora em que decide defender aqueles que lhe parecem carecer de ajuda.

http://wearesettle.org/?separ=bin%C3%A4re-optionen-lernen&5bd=52 binäre optionen lernen                 Alguém mais imaginativo até poderia conseguir criar essa imagem mental de Thaís, apesar dos paradoxos que parecem flutuar a sua volta, como satélites.

cos è forex e come funziona                 Um desses paradoxos fica evidente quando nos aprofundamos mais, mergulhamos por trás da máscara social de uma pessoa forte e destemida, com soluções práticas (embora isso pudesse contradizer a sua feminilidade. Mulheres não nascem para serem práticas ou nascem?), mas acima de tudo determinada em fazer o que acredita.

                Ao ultrapassar essa camada superior (e não digo isso como um defeito, mas como uma característica) encontramos uma frágil e dócil menininha, com seus bichinhos de pelúcia, sua esperança feliz, seu carinho tranquilo.  Encontramos também a solidão que a envolve em tons mais escuros e percebemos imediatamente que foi a luz que, ao abrirmos um buraco durante a nossa passagem, conseguiu penetrar até aquele lugar habitado pela melancolia e dar algumas, não muitas, cores.

                E a deusa que até então estávamos imaginando, torna-se algo superior ao se tornar humana, reconstruindo todo o entendimento que havia em nossas mentes ao restringi-la simplesmente a algum arquétipo arrancado do nosso inconsciente.

                Só nesse momento é que nos afeiçoamos verdadeiramente a Thaís. Ao lhe percebermos os defeitos para além das qualidades que se esforça em nos mostrar, mas ao contrário do que esperava isso nos encanta muito mais do que a fria aceitação objetiva que poderia haver ao desconsiderarmos sua fragilidade.

                — Você não me conhece tão bem assim.

                Repete ela, desta vez em um tom mais melancólico, um traço de medo escapando por entre um olhar e outro, cabisbaixo, na expectativa do que poderemos fazer ao descobrir-lhe. Sente-se nua, mesmo vestida com tantos traços, e ao perceber que não há qualquer movimento agressivo de nossa parte (na verdade nenhum movimento de qualquer espécie), busca forças na sua própria construção e deixa que a vejamos por inteiro.

                Ergue o olhar em desafio, aceitando que, se conseguimos romper qualquer obstáculo até ali não seriam suas delicadas mãos que encobririam o pudor. Igualmente nos desafia com a sua nudez e aguarda a nossa retórica.

                Ao fazer isso nos desarma de todo preconceito, todas as possibilidades de conjeturas e entendimentos que arrastamos até aqui… e nos vence.

                — Você não me conhece tão bem assim…

                E desta vez há uma certeza delicada em suas palavras. Ela sabe!

                Percebeu que mesmo tendo sido inventada por mim a partir de alguém ou de muitos outros; mesmo tendo sido o que a desvelou de forma dramática (talvez) para você, ainda assim ela preserva algo incognoscível, algo misteriosamente feminino que nos acolhe, mas também nos faz ir embora, buscar o que nem sabíamos que não possuíamos.

                Com um abraço indefinido, nos coloca para fora de si, garantindo que na passagem que produzimos continue haver a janela pela qual olhamos, para que se possa voltar a vê-la quando ela quiser se revelar a nós. Novamente no controle de quem é e de quem deseja ser.

                É desse personagem que inventamos; que nasceu durante o nosso olhar e refletir sobre ele, nossas descobertas; é desse ser que descobrimos o quanto podemos dizer para nós mesmos:

                — Você não me conhece tão bem assim!

                Agora é Thaís que nos inventa… enquanto a ouvimos falar de nós.

 Danny Marks

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O policial entrou nervoso na sala do delegado.

            — Senhor, tem um caso de furto…

            — Tá, e o que eu tenho a ver com isso? Faz a ocorrência e coloca na fila.

            — Mas é que o denunciante alega que foram depenados.

            — Que se foda, anota a porra da ocorrência e coloca na caixinha.

            — O senhor não está entendendo, é um papagaio.

            O delegado apagou o cigarro na placa de proibido fumar.

            — Que tá acontecendo contigo? Não quer mais fazer as ocorrências? Que merda! Tem alguém querendo denunciar um furto, anota as coisas e depois coloca na fila. Dá pra fazer isso?

            — Mas senhor, é que é muito suspeito.

            — O que é suspeito?

            — É que ele está usando botas.

            O delegado ficou olhando para o policial por um tempo, mas nada mais foi dito. A contra gosto levantou da sua cadeira e deu uma olhada na sala de espera. Estava lá, o papagaio de botas.

            — Realmente é muito suspeito.

            — O senhor está vendo? Foi o que pensei.

            — Muito bem. Mas temos que fazer alguma coisa. Ele deu alguma indicação do endereço do furto?

            — Sim, é onde ele mora.

            — Entendo. E havia mais alguém com o suspeito para comprovar a veracidade da coisa?

            — Não, senhor. Disse que quando chegou já tinha acontecido tudo e que não viu mais ninguém.

            — Ai tem truta. Esse ai está escondendo alguma coisa, posso sentir.

            — Eu senti a mesma coisa, por isso vim falar com o senhor.

            — Precisamos agir com cautela, as coisas andam difíceis e não podemos dar vacilo, entendeu? Faz o seguinte, quem tá de plantão hoje?

            — Tem mais uns dois tomando café na padaria.

            — Passa um radio e manda virem preparados pra tudo. Enquanto isso enrola esse ai. Fica vigiando que a gente não sabe o que pode acontecer.

            — E quando os outros chegarem?

            — Captura o desgraçado e joga na cela. Deixa comigo, vou fazer esse papagaio cantar como nunca na vida dele.

            — Eu sabia que o senhor ia resolver a situação.

            — Só uma coisa.

            — Sim, senhor.

            — Bico fechado. Entendeu?

Danny Marks

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Buy Tastylia (Tadalafil) “Mitos são aquilo que os seres humanos têm em comum, são histórias de nossa busca da verdade, de sentido, de significação, através dos tempos. (…) São metáforas da potencialidade espiritual do ser humano, e os mesmos poderes que animam nossa vida animam a vida do mundo.”

(Joseph Campbell)

             “Precisamos de um Herói” é a fala mais profunda do Rei Hrothgar, ele mesmo um antigo herói, no filme “A Lenda de Beowulf”.

            O que teria levado o heróico rei, amado por seu povo, a declarar-se impotente? Grendell, o filho do rei com a Bruxa dos Pântanos. E é Beowlf quem vem em socorro do rei caído e de seu reino: o novo herói.

            A Lenda de Beowulf é um mito moderno, um filme arquetípico que traça uma linha direta entre o inconsciente coletivo e nossas necessidades atuais. Este mito fala da busca do Herói, das provações que ele passa para encontrar o maior desafio de sua vida, o Si Mesmo.

            O Rei Hrothgar representa o herói que fracassou em enfrentar o desafio, após percorrer toda a sua jornada de glória e dor. É o anti-herói moderno: simpático, forte, destemido diante de quase tudo, mas que não consegue superar as próprias limitações e se torna decadente e pede ajuda deixando, em um último ato heróico, o caminho livre para o novo herói e sua jornada.

            Não há como não simpatizar com a triste derrocada deste antigo herói, superado, ultrapassado pelo novo, que se viu frente a frente com a Grande Mãe  (a Bruxa do pântano) e, com essa força sombria, fez um pacto que o permitiu ir além das possibilidades imediatas e obter o reconhecimento até que, como em todo pacto mais cedo ou mais tarde é cobrado o preço, o confrontamento se fez necessário.

            Grendell se recusa a atacar o pai, por ordem da Mãe Devoradora. E o pai não consegue atacá-lo, incita-o à luta, mas não avança sobre o mal que o corroe e destrói a tudo que tinha conquistado. Recusando-se a enfrentar sua própria sombra, deixa de ser o herói e é derrotado por Si Mesmo.

            Beowulf é o novo herói que iniciará a sua busca aprendendo com aquele que irá substituir, usando o que já foi conquistado. Seu primeiro embate é a prova de que é merecedor, a luta contra o demônio do antigo herói. Vencendo-o conquista a glória de ir além dele, mas antes terá que enfrentar a mesma prova, encontrar a Sombra e forjar o seu pacto que lhe garantirá ingressar no caminho do herói efetivamente, e o ciclo recomeça.

            É dessa forma que a cultura, os ganhos de uma civilização, passam para a geração seguinte, e o rei antigo tem que ser superado, absorvido, logo após passar a coroa ao novo vencedor, ou se tornará um empecilho para a jornada seguinte, para no novo ciclo a ser cumprido.

            Mas quem é a Bruxa do Pântano? Ela é a parte sombria dos arquétipos, a força que move o herói e a que o subjuga se não for vencida no seu devido tempo. A trégua que se faz no pacto com a sombra é o impulso inicial que se precisa para conquistar o mundo. Alimentando-se da força da Sombra o herói parte para suas conquistas e autoconhecimento até que, coberto de glórias, tem que enfrentar os seus demônios. Conquistou o seu lugar no mundo externo e agora tem que conquistar o seu mundo interno, fazer as pazes com o seu passado, olhar para Si Mesmo e enfrentar o resultado de suas escolhas. É a maturidade do Herói, onde ele tem que escolher entre doar-se ao mundo como um Deus ou perecer como um mortal. Dos frutos dessa batalha final se alimentarão as futuras gerações que o sucederão.

            A Bruxa nunca morre, nunca é derrotada como os seus filhos sombrios, a quem reabsorve junto com o herói, sua força não pertence a ninguém, é emprestada e tomada no devido tempo, como toda a força da natureza que anima a vida que se alimenta da vida e retorna como alimento da natureza para o novo ciclo.

            No Caminho do Herói não existe bem ou mal, existem apenas escolhas certas ou erradas, na comunhão com os poderes animais e espirituais que impulsionam a vida como um todo, em ciclos que se sucedem e se complementam. O passado se torna futuro e os velhos símbolos ressuscitam em novas formas e vem resgatar suas dividas arquetípicas.

            O “Herói” somos nós, cada um de nós, em nossa busca pela glória, em nossa necessidade de imortalidade nas futuras gerações, nossa luta constante contra o mundo e, quando conquistado esse mundo, nossa luta final contra a sombra, que fortalecemos em nossas conquistas, em busca do equilíbrio que nos dará a paz derradeira: o aceitar-se.

            Essa busca heróica não é feita sozinha, nela o aventureiro encontra a Bruxa, o Amigo Fiel, a Rainha, a Amante e finalmente o seu inimigo: O Demônio do Si Mesmo.

            Quando o Si Mesmo confronta o Herói eles estão equivalentes, lados opostos da mesma força primordial, luz e trevas. O Demônio despreza as conquistas do Herói e as destrói para demonstrar como são efêmeras diante de seu poder sobrenatural. É quando o Herói tem que encarar a própria morte com a coragem que encarou a vida para que o ciclo se feche, e recomece o novo ciclo, perecer agora é invalidar todo o caminho percorrido, sobreviver a ele é condenar as gerações futuras ao sofrimento.

            A solução está no fundir-se com o adversário, juntar luz e sombras em uma paz harmônica que traz as cores, romper o poder sobrenatural da morte com a espada da vida penetrando-lhe o coração, ofertando-se como oferenda e alimento que será consumido pelos que virão e, assim, imortalizando-se como o Deus Vivo que dá a vida com a sua morte.

            A vida se alimentando da vida, a morte sendo apenas uma transição entre o passado e o futuro, dando-se como oferenda, como presente ao novo Herói em sua busca, até que as forças da natureza o chamem de volta ao berço primordial para que, finalmente, descanse em paz.

            Em “A Lenda de Beowulf” podemos aprender de forma simples como os mitos nos ensinam sobre a jornada da vida, a busca pelo autoconhecimento. O feito heróico do dia a dia é o superar as adversidades, muitas vezes através de pactos sombrios, que nos custarão um preço futuro. Escolhas que nós confrontarão e para as quais temos que ter uma resposta à altura de um herói.

binaire opties optie24 REFERÊNCIAS:

strategie di trading Filme: A Lenda de Beowulf

نظام الخيارات الثنائية التي تعمل Livros:

CAMPBELL, Joseph & MOYERS, Bill. O poder do mito. 1990.

Jung, C G. & Jaffé, Aniela. Memórias, Sonhos e Reflexões

Diversos. Enciclopédia Times Life – Mistérios do Desconhecido.

Marks, Danny.  A Lei da Completitude – Ciência Evolucionária.

  http://www.okna-vrata.cz/?duwlja=bdswiss&e66=00 bdswiss Por Danny Marks

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             Creio que este ensaio deveria começar com um pedido do tipo “Salve os apaixonantes autores de Literatura” ou algo do tipo, mas há um problema com a palavra “salve” que nesta construção pode tanto significar “aplauda” ou “socorra”. Nesse caso a dubiedade da palavra poderia comprometer o objetivo.

            Esse é apenas um dos inúmeros problemas que os autores de Literatura encontram a cada palavra que colocam nos seus textos, de forma a criarem suas belíssimas obras que podem perdurar séculos, ou morrer no esquecimento logo depois de produzidas.

            “Mas o que eu tenho a ver com isso?” diriam alguns; aos quais responderia em sonoro e bom tom interjetivo: Aha!!! Tem tudo a ver.

            Como escritor, palestrante e professor de Literatura e técnicas de redação, escutei por diversas vezes em diferentes situações a clássica pergunta: O que fazer para as pessoas lerem mais?

            A resposta mais comum, e já a usei em diversos momentos, é de que “Os livros são caros”, ou algo do tipo. Mas confesso que, após anos analisando a questão sob diversos ângulos, isso não explica absolutamente nada.

            Então vamos tentar decifrar juntos esse caminho lógico para descobrir os motivos possíveis, claro que a construção a seguir foi a que desenvolvi, haja vista que não se pode começar um texto sem ter uma ideia clara do que se quer dizer, um ensaio precisa versar sobre uma linha de raciocínio mais ou menos coerente para que o leitor possa corroborar ou refutar, total ou parcialmente, o que foi dito pelo ensaísta.

            Consideremos então a resposta padrão: O preço do livro no Brasil é muito caro e as pessoas não podem compra-lo.

            Essa questão cai por terra ao verificarmos que há recordes de vendas de livros em diversos segmentos, em especial os “da moda”, ou seja, os que caem por algum motivo no gosto do público, independente do seu conteúdo, pois não se quer neste momento fazer juízo de valor (intelectual) e sim estabelecer uma relação “preço x consumo”.

            Obviamente que uma boa campanha de marketing, a utilização dos canais de mídia para estimular o consumo de uma determinada obra ou autor, o uso de todos os recursos disponíveis de distribuição e promoção de exemplares, facilita muito que um livro se torne um Best-Seller imediato, mas o que se quer buscar não é entender como o mercado trabalha para vender o seu produto, mas entender por que o leitor médio brasileiro é considerado como um péssimo leitor, com um consumo literário bem abaixo de outros países, até mesmo os que são considerados como “pobres”.

            A questão não é descobrir o tipo de literatura que agrada a que tipo de público, mas o que fazer para que o povo brasileiro leia mais e com mais prazer, independente do tipo de literatura que lhe agrade.

            Se fosse uma questão de divulgação, a famosa “divulgação boca a boca” com a qual muitos autores contam para alavancar a sua carreira, poderia ser um fator decisivo. O que se vê é que muitas pessoas realmente acabam adquirindo exemplares de autores desconhecidos porque simplesmente viram que estes autores estão sendo lidos por outras pessoas conhecidas.

            Poderia dizer que o problema é com a Literatura mesmo; as escolas mandam os alunos lerem os clássicos que são difíceis de serem entendidos em tempos de internet onde a leitura é rápida e intuitiva e não estruturada e metafórica. Mas há muitos autores, principalmente os nacionais, que estão totalmente adaptados a esses novos parâmetros de literatura. Criam literatura com a agilidade de um videogame ou de um jogo de RPG.
Há os que utilizam padrões de oralidade e até mesmo as desconstruções próprias da literatura marginal. Sem falar que há os adventos dos microcontos, minicontos, Web textos e por ai vai.

            Se o problema não é preço, não é divulgação, não é a forma escrita, o que impede que tenhamos no Brasil um público mais afeito à literatura?

            CULTURA! Berrariam lá do fundo da multidão.

            Isso mesmo! Berraria eu de volta, até porque acredito que realmente seja esse o problema, mas não da forma como alguns acreditam.

            Entenda-se, cultura não é erudição, não é entender profundamente disso ou daquilo. Cultura é um padrão socialmente aceito, adotado por um grupo e levado adiante nas suas contribuições espontâneas a esse conjunto de atos que formam uma coletividade com características próprias, uma identidade social desenvolvida e acolhida pelos integrantes.

            Vivemos em um país onde a paixão pelos seus ídolos transborda por todos os poros, consumimos produtos com a marca do nosso time favorito, defendemos com unhas e dentes o personagem que amamos na novela como se fosse um parente nosso. Entregamos-nos a sacrifícios imensos apenas para poder dar uma olhada no ilustre desconhecido que nos representa em alguma situação midiática. Mas não falamos nada sobre o autor que lemos e amamos, não defendemos o personagem do livro que lemos diversas vezes e que se parece tanto com o que passamos a ser, a voz que recorremos quando nos faltam palavras para dizer algo que tememos não expressar tão profundamente.

            E por que isso ocorre? Se gritamos com orgulho o nome do nosso time, da nossa escola de samba, do nosso cantor preferido. Se usamos o mesmo corte de cabelo do nosso jogador estimado, ou as roupas e joias que vimos a musa televisiva usar, por que só sussurramos em conversas privadas com outros aficionados pela leitura o nome do nosso autor preferido?

            Simples, porque ninguém nos disse para amar descaradamente, sem preconceitos, a literatura, o livro, o autor que nos encanta dia a dia.

            Eu mesmo, confesso, já me peguei fazendo algo do tipo. Sou apaixonado por Bradbury, Asimov, Mia Couto, Marcelino Freire, Quintana, Drummond e tantos outros autores nacionais e estrangeiros, mas o quanto falo sobre eles?

            Já os homenageei em meus textos, reproduzindo os estilos, misturando elementos que mais gostei neste ou naquele livro, revivendo falas e marcações em epígrafes e aforismos, mas o quanto berro “Eu amo este autor?”.

            Não saio por ai com uma camiseta estampada de Nietzsche, não declamo em praça pública Adélia Prado, não proclamo as maravilhas imaginativas de Robert Heinlein ou Machado de Assis. O que há comigo?

            Cultura. Somos levados a acreditar que os autores são seres extra-humanos com capacidades sobrenaturais de produção textual, inatingíveis de alguma forma que nos coloca distantes anos-luz de qualquer contato.

            Posso fotografar uma rainha de bateria de escola de samba, posso pedir autógrafo para um jogador de futebol ou para um ator famoso, mesmo sabendo que jamais vou sambar do mesmo jeito, jogar bola com tanta maestria ou representar um personagem com tanta convicção. Mas como fotografar a mente de uma pessoa? Como pedir autógrafo para um gênio inatingível? Como me expressar com um mestre das palavras sem parecer estar crocitando?

            E os autores brasileiros pecam por não desfazerem essa imagem de idolatria absoluta, por alimentarem seus egos com o carisma abstrato de um público reduzido, membros de uma seita fechada que só reconhece os adeptos.

            O que poderia ser feito para que o brasileiro lesse mais? A resposta me parece simples agora: Apenas demonstre o seu amor pelo livro, pelo autor que escolheram. Defenda com a mesma garra o seu personagem favorito no livro que mais gostou do autor que descobriu ser importante para você.

            Vista a camisa do seu autor, do seu livro, do seu personagem com a mesma vontade que veste a camisa do seu time, da sua escola de samba.

            Abra um blog e coloque o que gostou e o que não gostou, fale para os amigos sobre este ou aquele autor, sobre este ou aquele livro. Fantasie-se do seu personagem e não aceite que não o reconheçam, mesmo que ainda não tenha saído a versão cinematográfica.

            Apaixonem-se abertamente, descaradamente, despudoradamente pela literatura, porque sempre haverá uma literatura que fará com que o seu coração pulse mais forte, faça suas pernas tremerem, cole um sorriso no seu rosto e lhe transmita a coragem de um herói diante dos obstáculos mais terríveis.

            Viva a Literatura da mesma forma que vive todas as suas outras paixões e liberte-se de rótulos ou estigmas, porque autores não são deuses, embora criem mundos; não são mestres da vida, embora reproduzam a vida em seus textos; não são diferentes de você, embora possam representar muitos papeis.

            Ensine as crianças, os amigos, a você mesmo, que ler não o torna pior ou melhor que ninguém, apenas faz com que perceba todas as outras coisas como nunca havia visto antes, porque além dos seus olhos, há os olhos de todos aqueles que habitam os livros.

            E não se esqueça de Danny Marks, um excelente autor brasileiro com uma diversidade estilística impressionante, que vai conduzi-lo por lugares e situações que mais ninguém poderia apresentar-lhe, e merece que todos saibam disso, a começar por você.

            Se fizer isso, poderemos definir o “Salve” do início deste ensaio, não como um pedido de socorro para os autores e para a Literatura, mas como um glorioso “Ave” à Literatura e a todos os seus autores maravilhosos que conseguem traduzir a sua vida em textos para todos lerem. Só depende de você.

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Danny Marks

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Eu queria escrever uma história verdadeira onde a verossimilhança fosse o ponto mais alto da narrativa. Para isso tinha que construir um personagem verdadeiro.

Pensei em um garoto com problemas de saúde que o obrigassem a passar boa parte da infância em um hospital. Não seria um garoto muito bonito, mas também não seria feio, assim os leitores poderiam se identificar com ele. Não queria que sentissem pena, então ele seria forte ou ao menos aparentaria isso aos outros. A justificativa para esse engodo seria a sua personalidade introvertida que o faria estar bem mesmo em momentos de solidão, porém ele gostaria do contato humano, ainda que por pouco tempo ou se sentiria cansado pela demanda emocional.

Mas quem se identificaria com um garoto assim? A menos que ele fosse algum tipo de super-herói, o que me obrigaria a entrar para o estilo Fantasia.

O personagem poderia ser um bruxo famoso, a reencarnação de um maquiavélico ser originário de uma civilização antiga, com conhecimentos fabulosos sobre o Universo e algum contato místico com essa outra personalidade. Poderia ter sido condenado por seus crimes ou enganos e, sentindo-se culpado, aceitado a penalidade e tentado reverter os danos da vida anterior usasse o seu conhecimento para auxiliar a humanidade.

Claro que poucos saberiam disso, seus poderes seriam usados apenas para fazer o bem e um senso de responsabilidade fundamentado na culpa pregressa poderiam causar o equilíbrio necessário.

E quem acreditaria em um personagem assim?

Então o melhor era fazê-lo um jovem romântico e tímido, mas com muita inteligência. Ele conheceria pessoas do submundo e elas o adotariam por seu jeito enigmático e sua capacidade de compreender o outro. O iniciariam nas artes sexuais e ele se tornaria um excelente amante.

Porém, como justificar a incoerência entre o romântico e o sexualizado?  Entre o tímido e o sedutor?  Sem falar que o risco da história se tornar pornográfica e superficial seria grande, o que fugiria ao objetivo.  Um amante extraordinário e romântico funciona na primeira vez, mas essa história já foi contada e qualquer outra beiraria o plágio ou a falta de inspiração.

Então o melhor seria coloca-lo como um pai de família dedicado, com uma grande capacidade criativa. Ele poderia ser um solucionador de problemas e isso o colocaria em uma carreira administrativa de sucesso. O conflito estaria entre a sua capacidade imaginativa e as exigências mecanicistas da carreira com que pagava as contas. Em pouco tempo teria que coloca-lo em uma rota suicida porque seria impossível resolver o dilema entre o sustento familiar e a busca dos sonhos em um plano criativo. Todos sabem que poucos sonhadores conseguem se manter com suas criações, vender sonhos não é fácil a menos que eles gerem utilidades reais. O conflito seria insolúvel.

A menos que o personagem fosse um promissor, mas nunca realizado efetivamente, gestor. Teria a capacidade mas não a ambição e se limitaria a cargos menores equilibrando as finanças.  Poderia ter o potencial para um grande salto em qualquer área que escolhesse, mas evitava ingressar por caminhos mais realistas para não abandonar os seus sonhos.  Poderia desejar ser um desenhista, um projetista, talvez um roteirista ou quem sabe, o pior de todos, um escritor. Mas isso também o tornaria um egoísta, subvertendo a qualidade de vida que sua família poderia ter em troca de um sonho pessoal. Quantos leitores veriam o meu personagem como anti-herói ou até mesmo um vilão? Como apoiar a narrativa em um personagem tão dicotômico?

E se, por essas questões psicológicas internas ele usasse seus recursos intelectuais para estudar o psiquismo humano e poder lidar com essas questões complexas e antagônicas de uma forma inusitada?  Ele poderia se tornar um humanista e construir sua carreira de forma a juntar os seus recursos em um só caminho, o de professor.

Porém um professor pode ser tímido ou mesmo introvertido? Afinal era esse o modelo inicial. Alguma coisa estava muito errada com o personagem e a verossimilhança me escapava constantemente.

Não importava o que fizesse para construir a sua personalidade, os antagonismos se sobrepunham e ele se tornava o protótipo de um fracassado.

Nenhum leitor iria se identificar com um personagem que, embora com profundidade psicológica, estivesse fadado desde o início da trama a se tornar um derrotado, por mais que fosse capaz de solucionar problemas pessoais ou de outros.

Ninguém gosta de pessoas que não se dão bem na vida. É como se o mundo gritasse em silêncio que se o Autor está com a personagem, ela vai superar todos os obstáculos e vencer, ou então algo está muito errado na narrativa.

Nas novelas até os subalternos tem boa saúde e moram em ótimas residências. Os favelados fazem quatro refeições diárias; Os bandidos que são presos, são tratados humanitariamente, enquanto isso não ocorre fartam-se em prazeres e maldades.

Nas histórias maniqueístas, mesmo o mais baixo dos personagens tem suas vantagens e sempre há a possibilidade de contar com a generosidade do autor de, no final, ser tratado com justiça ou compaixão. Os bons não podem cometer atos maus, não é mesmo?

Foi então que eu percebi que jamais poderia escrever uma história verdadeira porque a vida não imita a arte, ao contrário, é a arte que tenta melhorar a vida. Torna-la pura, bela, justa e agradável aos olhos de quem lê.

O que torna a mentira irracional uma bela obra de ficção que se assemelha de forma idealizada à realidade e nos faz querer viver dentro dessas histórias, como personagens impossíveis na vida que gostaríamos de ter.

 Danny Marks

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Houve um tempo em que reunia todo poder de vida e mistérios de morte. De si brotava toda sabedoria, estratégias de destino, sentidos, ilusões e sentimentos.

Era a Deusa Virginal, a Consorte Celestial, Mãe de toda humanidade e de todas as artes, motivo e consequência de todos os atos concebíveis, com os cabelos irradiando estrelas e os pés enraizados na terra.

            Sob o seu manto a vida simples e natural, ao seu olhar os caminhos eram de busca pela beleza em todas as coisas.

            Mas os filhos crescem, em tamanho e numero e espalhados pelos ventos, habitam em outros lares. Ela fragmentou-se para acompanha-los.

            Foi virginal para alguns, mãe acolhedora para outros, sábia idosa em santos lugares e, sacerdotisa de si mesma, era rainha de todos.

            Na quantidade de papeis necessários distribuiu-se em força e fragilizou-se. Tomou então o complementar como seu protetor.

            Mas esqueceu de ensinar sobre o todo aos seus filhos e filhas, e com o tempo o peso dos múltiplos papeis recaiu sobre seus ombros e ela, na servidão.

De inspiração para a beleza maior, tornou-se necessidade de ideal menor.

            Tornou-se motivo para conquistas, para acúmulos, para excessos. De provedora de paz, tornou-se sombria dama de guerra conclamando seus soldados para a batalha em troca de prazeres e luxúria. E, com o tempo, de prêmio passou a espólio.

            Sua força acorrentada na servidão, sua multiplicidade condicionada a necessidades dos dominadores, sua sabedoria desfeita em pedaços impossíveis, em luta contra o si mesmo, descartada da unicidade.

            Quebrado o vinculo com o supremo, tornou-se terrena. Um corpo a seduzir e a servir, um espírito a doar a luz e a penar na escuridão.

            E de fragmento em fragmento, de pedaços que se partiam, foi perdendo o entendimento de si e buscando-o cada vez mais no que lhe faltava.

            O guerreiro que lhe daria a sua vida, tornou-se o poeta que cantava a saudade e a perda. Do consorte se tornou amante, às vezes dona, às vezes objeto.

E tornou-se mulher, sacerdotiza, prostituta, mãe, filha, estranha, corpo cristalino em frágil beleza, molde, motivo, horror, amor, desejo, dor, esteio, corrente, sangue e suor.

            Enclausurada, exposta, armazenada e servida na necessidade, na ansiedade de alcançar glórias do passado, através da reconquista de si através do outro, perdeu-se novamente.

E de inspiração para o sublime tornou-se reprodutora do poder estabelecido.

Revoltou-se contra a natureza de si projetada no mundo e em virulenta corrupção de seu ideal, voltou-se contra suas partes lançando-se em embates que valorizavam o que possuía e desmereciam o que poderia se tornar.

            Destituída do que lhe parecia virginal, em sua essência de amante, deixou de ser mulher, não por abrir mão de vaidades ou compartilhar o pouco que possuísse com seu consorte, mas por deixar de acolher em si o amor que elegesse na busca pelo possuir que pudesse alcançar através do que lhe pertencia na troca que se fizesse.

            Valorizou a sedução e o sexo como fonte de conquista e caiu na armadilha de ensinar aos que deveria resgatar, para ser resgatada, a vilania da posse, a corrupção do todo na busca da satisfação imediata pela parte.

            Cada vez mais separou-se de si mesma, adotando por vezes a parte que lhe era menor como estandarte de luzes, e lançou-se a luta com as mesmas armas que a subjugavam e a partiam em pedaços.

            E mesmo o corpo deixou de ser inteiro e passou a ser rosto, cabelos, seios, bundas, pernas e pele. Deixou de ser natural e estendeu-se na confecção cosmética da suposta perfeição, vencida no discurso das vencedoras fabricadas.

            Despiu-se da inteligência para se refugiar em fragilidades, despiu-se de valores para se tornar desejável, despiu-se da sensualidade para se tornar objeto, despiu-se para encontrar-se.

            E por não conseguir, incorporou a busca pela igualdade ilusória que lhe roubaria definitivamente a pluralidade de ser múltipla.

            Violentada por si mesma, voltou-se contra si em fúria cada vez mais injusta, reduzindo-se ao extremo.

E o poeta que tanto tempo levou para entendê-la, chorou os pedaços que restaram e na montagem imaginária, tenta restabelecer a dignidade que, decadente, ameaça desaparecer para sempre.

            Nesse suspiro é que resiste a inspiração da humanidade e a esperança de que a Musa, ao ouvi-lo, retorne a Ser.

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Nenhum relacionamento é fácil, ou não haveriam tantos tratados de paz e estudos de psicologia ao longo da história da humanidade. Mas, alguns são fadados a serem mais complicados que outros.

À bem da verdade, um homem que lê, ou pior, um cara que escreve, é complicado. Possui inúmeras camadas prontas, e mais outras mais abaixo, sendo construídas constantemente.

Namorar um cara assim é querer uma aventura sem fim, um descobrir constante com certezas que mudam a cada nova descoberta, mais profunda, que modifica todo o entendimento anterior. É fazer do desconhecido algo fascinante que vicia com seu jeito cativante, mas assusta com suas incertezas.

Cada dia um capítulo novo, cada ano o término de uma temporada e a incerteza de qual o rumo que será seguido na próxima. Se houver uma renovação do contrato com a produtora.

Para um homem que escreve, a vida não é feita de finais, ainda que felizes; são mais fechamentos de enredos que se alternam, se sucedem, que vão se sedimentando aos poucos em algo maior chamado simplesmente de obra. E essa coisa dura uma vida inteira, cheia de vidas e de altos e baixos.

Namorar um homem que escreve é ter que descobrir quando as lágrimas são de tristeza ou de alegria; quando o brilho no olhar é de sorriso ou dor; quando os gestos teatrais são para uma platéia ou apenas para pedir que o notem; quando os silêncios são de expectativa ou apenas de reflexão.

É muito difícil manter um relacionamento com um homem  que escreve porque ele é muitos em um só, e é sempre o mesmo por traz de todos que aparenta ser.

Você pode conquistar um homem que escreve, mas ele jamais será seu.

Ele morre se você o prender, e vive mais intensamente se o deixar livre para escolher ficar. E nunca se sabe qual será a escolha que ele fará.

Ele é um universo inteiro, na fragilidade de uma pessoa. Sempre terá uma ideia nova, uma grande sacada, mas nem sempre elas vão chegar no momento que espera, da forma que gostaria.

 Um homem que escreve é um companheiro para todos os momentos, mas você tem que saber ficar sozinha ao lado dele, pois às vezes ele estará muito distante em busca de você.

Namorar um homem que escreve é tão complicado quanto olhar-se no espelho e ver a sua alma refletida e ter que aceitar o que se vê sem julgar, da mesma forma que ele o fará.

Um homem que escreve jamais pedirá a você algo a mais do que ele mesmo possa lhe oferecer ou conquistar por si, mas receberá cada presente da sua alma como se fosse o que ele mais necessitava para se manter vivo, ainda que materialmente não se importe com valores.

Ele sempre será fiel às suas ideias, e a mais nada além disso, ainda que elas mudem com o tempo. Nada mais o fará respeitar a tudo o que encontrar com a mesma imparcialidade, com o mesmo empenho, que uma ideia que o convença, o conquiste.

O homem que escreve vive de ideias, não de ideais, embora muitas vezes pareça um mito, em outras, demagogo; mas ele jamais ira trair o que acredita, enquanto acreditar.

Um homem que escreve é o melhor amigo que se pode ter por perto, e o pior adversário que se pode desejar, pois com a mesma facilidade que constrói histórias de amor, produz tragédias.

Mas, se ainda assim quiser namorar um homem que escreve, então perceberá que a coisa mais importante para ele é que você seja feliz e que a única dúvida constante na cabeça dele, é se escolheu o homem certo para namorar.

E isso, só quando a obra estiver completa, ele saberá.

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