Caroline Defanti

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  1. Fale-nos um pouco de você.

 Eu sou uma estudante de Letras, escritora e niteroense. Sou amante de heavy metal – na verdade, todo o tipo de rock metaleiro -, e filmes hollywoodianos – sabe aqueles cheios de efeitos especiais? Esses mesmo. Sou resenhista do site literário Vai Lendo e também do blog Era uma vez.. Livros e Cia. Adoro analisar livros  e resenhá-los. Adoro conversar com os escritores sobre os livros deles. E, é claro, admito que sou indubitavelmente viciada em livros e leitura, com um fetiche por ficção fantástica – fantasia, ficção científica e terror. O que mais amo fazer é ler e escrever – se pudesse, faria só isso o dia inteiro.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Eu não faço absolutamente nada além de escrever!…

Brincadeirinha!

Bom, eu sou estudante universitária – curso Letras, com habilitação em Língua Alemã. E resenho para o site Vai Lendo e para o blog Era uma vez… Livros e Cia.

A inspiração para a escrita veio de uma brincadeira com um de meus melhores amigos de infância. Nós gostávamos de brincar de escrever e inventar histórias. E, pelo visto, gostei para valer, porque continuo “brincando” até hoje. rsrs

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Eu não sei se eu consigo responder isso decentemente. Porque eu me divirto tanto escrevendo, que nunca parei para pensar de onde exatamente vem essa diversão. Rsrs Mas acho que gosto da sensação de criar um mundo novo e único. Gosto de criar regras no início da história, mas terminar tendo que me sujeitar a elas. Gosto de tentar passar uma mensagem para o leitor, de me expor de uma forma única e fazer com que as pessoas tentem desvendar isso.

Acho que me empolguei um pouco. Desculpe. rsrsrs

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Na verdade, não. Não tenho nenhum lugar especial. Eu escrevo em qualquer lugar, basta alguma ideia surgir  – certa vez, escrevi em um guardanapo no restaurante; e estou vendo a hora em que vou escrever em papel higiênico. Rsrs

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Bom, se a pergunta está voltada para a leitura, eu curto muito ler ficção fantástica – já passei, sim, por outros gêneros, mas o que mais me agradou foi esse. Não tem jeito.

No que se refere à escrita, também me volto para a ficção fantástica – o que eu acho bem coerente, já que é o gênero que leio. Recentemente, estive focada em escrever ficção científica – que é o tipo ao qual se adequa a trilogia Irmandade de Copra, de minha autoria, e também o meu mais novo projeto, que eu terminei de escrever faz pouco tempo -, mas para o meu próximo projeto planejo me voltar para a fantasia.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Na verdade, eu vou admitir: sou uma negação para criar nomes e títulos. Principalmente títulos. Rsrs Fico horas, às vezes dias, para pensar em alguma coisa que preste. E, mesmo com toda a minha queima de neurônios, normalmente consigo títulos óbvios demais.
Já o nome para os personagens é um pouco mais fácil. Eu costumo fazer uma pesquisa. Levo em conta a história que estou escrevendo, a nacionalidade do personagem, o jeito de ser dele, sua aparência, seu papel da história e a sonoridade do nome.

clique na imagem para ler a resenha

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Normalmente, leio sobre o assunto – sejam materiais didáticos a respeito do tema, ou mesmo obras do mesmo gênero que a minha –, assisto documentários, quando possuo essa opção, ou converso com pessoas que entendem do assunto mais do que eu.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Acho que é impossível um escritor não se influenciar pelos autores que lê. Na verdade, acho que é assim com qualquer leitor – seja ele um escritor ou não. Não tem aquele ditado: a gente é o que a gente come?

Então,… eu acho que nós somos o que lemos.

De forma que eu posso dizer que, sim, eu me inspiro em todos os autores que leio – e cujas obras eu gosto, é claro. E a lista é grande. Mas a grande maioria – se não todos – são autores de ficção fantástica.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Com certeza eu tive uma enorme dificuldade em publicar um livro. O próprio Irmandade de Copra foi um desafio e tanto. Como eu não queria fazer uma publicação independente, tive que sair atrás de uma editora. E a maioria deve saber que conseguir uma resposta positiva de uma editora é BEM difícil. Principalmente se você tenta com as grandes editoras, cujo foco costuma estar nas obras estrangeiras – quando não, elas cobram um valor exorbitante do autor.

Antes do Irmandade eu escrevi uma saga de quatro livros – levei 10 anos escrevendo esse negócio. E gosto de encarar esse período e esses quatro livros como o meu estágio na área da escrita criativa. Esses quatro eu não publiquei e nem pretendo. Eles são as meninas dos meus olhos e, sinceramente, acho que nunca ficarão realmente prontos. Não sob o meu ponto de vista. rsrs

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Que novo cenário? Rsrs O que vejo é o surgimento – e, em alguns casos, o desaparecimento – de pequenas editoras, que se focam na literatura nacional – já que as grandes editoras parecem mais interessadas na literatura estrangeira. O que vejo é a supervalorização do trabalho literário estrangeiro, quando, na verdade, temos ótimos materiais vindos de autores nacionais. Eles só precisam de um pouco de ajuda e investimento.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Bom, eu não sei se eu sou a melhor pessoa para falar sobre isso, visto que, como autora nacional, não sei onde eu me encaixo nessa separação – afinal, quem garante que eu não me encaixo nessa categoria de escritores que produzem livros nacionais “desesperadores”? rsrs

Mas, como leitora, posso dizer que é um pouco decepcionante ver que o processo de análise de originais não é tão levado a sério. Eu acho que é um pouco de falta de respeito com o autor que dá um duro danado para trazer ao público um bom livro – muitas vezes, o cara leva anos escrevendo, mas acaba sendo ultrapassado por um sujeito que levou, sei lá, um mês para escrever um livro medíocre, mas que é muito bom em marketing.

Sem falar que é aquela situação chata: o Brasil não possui um público LEITOR, de fato. O país não é formador de leitores, que começam desde jovens e que aprendem a distinguir um livro onde houve um estudo e um cuidado por parte do autor, de um livro medíocre.

Mas, se engana quem pensa que é só no Brasil que tem essa miscelânea de escritores bons e escritores “não tão bons”, porque isso também existe no exterior. Não é só porque é estrangeiro que o negócio é automaticamente bom.  obrigada por terem se interessado pelo que eu tinha a dizer aqui. arco e acharia do meu livro. =

Enfim, é um assunto polêmico demais e eu não devia estar falando essas coisas. Desculpe.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É… Isso aí é bem chato.

Mais uma prova de que o foco do país não está em tornar o seu povo uma sociedade leitora. Muitos acreditam no absurdo de que ler um livro é perda de tempo, é coisa para desocupados. Isso é um pensamento incrivelmente primitivo, porque enquanto lemos, nós aprendemos. E aprendemos nos divertindo. Aprendemos sem nem perceber, muitas vezes. E aprender é se evoluir, é se tornar mais do que você era antes. O que é muito bom, eu acho. Não?

Mas o preço dos livros é tão alto que apenas uma pequena parcela da população pode ter acesso a essa maravilha chamada livro – e mesmo dentre essa pequena parcela daqueles que podem pagar esse valor, temos que levar em consideração que não é a sua totalidade que gosta de ler.

Então, os preços dos livros são, na minha opinião, como tentar dar dois passos para frente e acabar dando um para trás.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Normalmente, eu não fico secando a ideia de ninguém. Rsrs É claro que eu admiro a criatividade e o brilhantismo de alguns autores, como todo leitor faz. Mas eu realmente acredito que se eu não tive tal ideia é porque eu não saberia desenvolvê-la. Então, tudo bem que eu não tenha pensado nisso. Que bom que alguém pensou. Seria uma enorme perda se ninguém o tivesse feito.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Uma trilha sonora para a trilogia Irmandade de Copra? Fácil. Eu escolheria Orchard of Mines, do Globus. Acho essa música assustadoramente inspiradora. Não consigo escutá-la sem ter papel e caneta na mão, senão a minha cabeça explodindo de ideias. rsrs

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Certamente, já li livros que me abalaram, que me fizeram ficar de porre literário, que me fizeram mudar de ideia sobre algumas coisas e que me fizeram desenvolver uma opinião acerca de algo sobre o qual eu nunca havia pensado antes.

E se eu tivesse que escolher um livro que me marcou tão profundamente de forma que apresento essa marca até hoje, diria que foi A Droga da Obediência, de Pedro Bandeira.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Eu sempre tenho novos projetos em mente. Rsrs Mesmo quando ainda estou trabalhando em alguma coisa, já estou começando a pensar em algo novo.

Recentemente, eu terminei um livro novo, chamado As Sentinelas. Também é uma ficção científica e se passa no futuro. Mas é completa e totalmente diferente de Irmandade de Copra. Muito diferente! Tem robôs, assassinato, Soldados, Sentinelas, muita ação, tecnologias e um pitada pequena de romance – esse não é o meu forte.

No momento, estou trabalhando em um conto, ao qual estou tentando dar um tom steampunk, e uma questão filosófica fantasiosa como foco. Mas estou descobrindo que escrever contos é bem mais difícil do que eu pensava – contos têm o péssimo hábito de acabar muito cedo. rsrs

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho, sim. Eu costumo procurar por resenhas, comentários, vídeos ou qualquer coisa que se trate do Irmandade, normalmente, uma vez na semana. É uma forma de saber o que as pessoas estão achando do livro. Portanto, acho importante procurar saber.

Quanto às críticas, eu posso afirmar que gosto muito de recebê-las. Sejam positivas ou negativas. As positivas são sempre boas porque… bem, são positivas, né. Rsrs E também é bom ficar sabendo de críticas negativas, porque são essas que vão me fazer crescer e modificar a minha escrita de forma que agrade mais ao público – e é justamente isso o que praticamente todo escritor que tem o seu livro publicado quer.

É por isso que eu tento sempre encorajar os leitores com quem tenho contato e os blogueiros a falarem comigo sobre os pontos que julgam positivos e negativos a respeito do meu livro. Eu adoro quando as pessoas vêm falar comigo sobre isso. Adoro mesmo!

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire), quem seria?

Ok. Essa pergunta demanda um pouco de tempo e neurônios de minha parte. Rsrs Deixa eu pensar… Tem muitos.

Eu admiro muito o Pedro Bandeira – acho que já repeti isso vezes o suficiente para todo mundo ficar sabendo. Rsrs Certamente, ter a opinião dele sobre o Irmandade seria não apenas muito importante, mas também seria uma honra. Imagina receber uma crítica do Pedro Bandeira! Eu ia zerar a vida! Rsrs Seria aquela situaç˜so bizarra em que o seu ídolo diz que leu o seu livro e faz uma crítica a ele – pode até ser negativa – e tudo o que você, mero mortal sonhador, consegue pensar é: “Cara, que máximo! Ele leu o meu livro!”.

Também sou uma grande fá do Eduardo Spohr. Não o conheço pessoalmente, mas gosto muito dos livros dele. Com certeza eu gostaria muito de saber o que um escritor e leitor como ele acharia do meu livro.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Acho que isso varia de escritor para escritor. Para mim, pessoalmente – e, apesar do que eu acabei de dizer, acho que o mesmo vale para a maioria -, há três momentos de maior alegria:
A sensação de terminar um livro; aquele momento em que você olha para a tela do computador – ou folha de papel ou o que for – e tem certeza de que deu o seu melhor, no momento.

Sentir o seu livro em suas próprias mãos, quando ele, enfim, é trazido para o mundo material. Dá uma sensação de paz que ouso comparar com a alegria de uma mãe ao segurar o seu bebê recém-nascido.

E, por fim, a deliciosa sensação ao receber o primeiro elogio vindo de um leitor. Esse, eu diria, é o grande prêmio por todo o tempo que se gastou enchendo páginas e mais páginas com pensamentos e ideias tão pessoais – porque escrever é um ato solitário e profundamente pessoal -, por todos os instantes de agonia por saber que nunca será capaz de passar a mensagem exatamente do jeito que gostaria – porque ninguém entende uma coisa exatamente da mesma forma que outra pessoa – e pela incessante caça às palavras certas.

Ser escritor por si só, para aqueles que amam fazer isso, é uma alegria.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Para os leitores, eu espero que essa entrevista tenha sido útil de alguma forma – e que eu não tenha falado demais e não os tenha cansado. Se resolverem adquirir o Irmandade de Copra, espero sinceramente que gostem. Eu fiz o meu melhor, na época. Espero ter sido o suficiente para valer o tempo e o interesse de vocês. E, se não foi, ficaria imensamente agradecida se me dissessem o motivo e me ajudassem a melhorar.

Para aqueles que estão iniciando nesse universo imenso e maravilhoso da escrita, digo para não perderem a fé. Não parem de lutar pelo que querem – se querem publicar o livro de vocês, publiquem; se querem escrever uma história louca sobre uma expedição espacial feita pelos Power Rangers, em busca de um baú de Kriptonita em Tatooine… sei lá… escrevam! Não parem nunca de escrever, porque a arte da escrita demanda prática. Peçam ajuda àqueles que sabem mais sobre o assunto, àqueles que viveram isso também. Só não percam a fé.

E obrigada por terem se interessado pelo que eu tinha a dizer aqui.

Divulgue conosco!

Um comentário

  1. Oi, Caroline. Que ótimo conhecer uma conterrânea minha com tantas qualidades e atributos literários.
    Espero que a sua trilha continue sempre com boas surpresas.
    Seja sempre positiva, porque só assim que a gente vai longe.
    Tenha muito sucesso!
    Beijos,
    Leo Vieira

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