CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – O GRANDE MESTRE DA PALAVRA

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O poeta Carlos Drummond de Andrade  nasceu em Itabira do Mato Dentro em Minas Gerais em 31 de outubro de  1902. Estudou em Belo Horizonte e também em Nova Friburgo no Rio de Janeiro em um colégio de Jesuítas, ficando pouco tempo neste último. Quando retornou a Minas começou, ainda bem jovem, a sua carreira de escritor  escrevendo para o jornal “Diário de Minas”.

Em 1924, após a Semana de Arte Moderna, Drummond conheceu Oswald e Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, ilustres representantes do Modernismo, e passou a se corresponder com eles.

O dom para as letras despontou bem cedo na vida desse grande poeta, mas por imposição da família, que exigia dele um diploma, Carlos Drummond se formou em Farmácia em 1925, nesse mesmo ano ele se casou e criou com colegas mineiros  “A Revista”, que não teve vida longa, mas que contribuiu para fortalecer o movimento modernista em Minas Gerais .

O poeta trabalhou como  professor em sua cidade natal depois se mudou para Belo Horizonte onde foi redator-chefe do “Diário de Minas” e mais tarde se tornou redator no jornal “Minas Gerais”. Escreveu crônicas para diversos jornais, como o “Correio da Manhã” e o “Jornal do Brasil”. Trabalhou também no jornal comunista “Imprensa Popular” a convite de Luís Carlos Prestes.

Em 1934 ele entrou para o serviço público onde ficou a maior parte de sua vida até se aposentar, mas sem jamais deixar de escrever, publicou muitos livros em verso e prosa, sua produção literária é rica e grandiosa, sua obra é uma das  mais importantes dentro da literatura brasileira do séc. XX. Em seu trabalho figuram verdadeiras obras primas da poesia brasileira. Ele escreveu além de poesia, contos, crônicas e literatura infantil. Também traduziu escritores como Balzac, Marcel Proust, Garcia Lorca e Molière entre outros.

Seus versos são livres, sem métrica. Sua poesia é concreta e objetiva, marcada pela linguagem coloquial repleta de ironia e humor onde o poeta explora em seus temas a realidade e o cotidiano que o cercam, fala do indivíduo, da terra natal, da família e dos amigos, fala do amor (sentimento mas não romântico). Seus primeiros textos já tinham nítidas características do modernismo. Em seus versos ele transparece um desencantamento com o mundo e com as questões sociais e demonstra a vontade de transformar  tudo isso. Há a constante inquietação existencial, o descontentamento que questiona tudo até o próprio trabalho, a poesia e a escrita. Em determinados momentos o poeta explora a visão material da palavra, a letra em si, sua colocação no texto, seu som.  Muitas obras do poeta foram traduzidas para o francês, inglês, espanhol, sueco, tcheco entre outras línguas.

O grande poeta Carlos Drummond de Andrade foi antes de tudo um questionador de seu tempo, da realidade, do indivíduo frente às dificuldades, desalentado pela impossibilidade de transformar  o que vê e sente. Um de seus poemas mais famosos “José” ilustra bem essa característica da obra de Drummond:

Trecho do poema “José”  :

“E agora José

A festa acabou

a luz apagou

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

E agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?…

Um  outro poema de Drummond também bastante conhecido “ No meio do caminho” , escrito em 1924 ,por ter fortes características do modernismo foi alvo de duras críticas no início, para anos mais tarde receber  inúmeros elogios. Isso ocorreu muito mais pelo fato de que, no início quando foi publicado,  não foi compreendido nem aceito por muitos críticos literários como aconteceu com o próprio movimento Modernista. Mas o tempo mostrou que a genialidade do poeta estava também expressa nesses versos, aparentemente repetitivos e simples, a “pedra” bruta  da palavra era na verdade um “diamante” que causou polêmica  e continua  a nos intrigar e interessar , mostrando que na poesia de Drummond é exatamente  nessa forma “justa” , “concreta” do verso que reside o seu valor e o seu encanto.

          No meio do caminho

“No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma  pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.”

Carlos Drummond de Andrade faleceu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1987 doze dias após o falecimento de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.  Ele foi um dos maiores poetas do século XX, um grande mestre da palavra, que soube retratar como ninguém os conflitos existenciais, transformando em versos e crônicas os questionamentos que todos temos em muitos momentos da nossa vida, mas que só um poeta e escritor da grandeza de Drummond consegue traduzir tão bem.

 

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – Tradutora, Escritora e Colunista

Estão todos convidados a conhecer minha página de trabalho no facebook: Tradutora Ivana Lopes

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e meu site Mestres da Literatura

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Fontes de Pesquisa:

www.cultura.estadao.com.br (Raquel Cozer, O Estado de São Paulo 24/11/2010)

www.ebiografia.com

www.releituras.com/drummond

www.lusofoniapoetica.com-Manuel C. Amor

www.educacao.upl.com.br

www.educacao.uol.com.br

 

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

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