Caio Rodrigues Alves

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1. Fale-nos um pouco de você.
R: Sou Caio, aquele mesmo verbo conjugado na primeira pessoa do singular no presente do indicativo, um homem caído nos braços da literatura, que busca fazer da sabedoria contida nas palavras seu legado e da beleza nelas contida, sua inspiração. E também sou Caio Rodrigues, filho, irmão, amigo, cidadão, empreendedor, e por assim vai. E, por fim, sou Caio Rodrigues Alves, um escritor brasileiro.

2. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?
R: Além da árdua labuta de escritor, também nutro bastante sentimento pela minha profissão, administrador, a qual me graduei e me faz atuar no ramo empresarial. Minha inspiração veio desde bem jovem. Aos 15 anos já havia escrito meu primeiro romance (bem infantil e desajeitado). Mas, para ser sincero, o verdadeiro fervor pela literatura surgiu conforme minha família e amigos sorriam, se emocionavam, se divertiam, ou demonstravam algum sentimento desperto por minhas palavras. Meus primeiros leitores foram as pessoas mais importantes para mim, e fazê-las um pouco mais felizes me fez ter certeza que esta arte deveria ser uma de minhas tentativas de contribuição ao mundo.

3. Qual a melhor coisa em escrever?
R: Por em palavras a sua percepção de beleza tanto do mundo exterior quanto do mundo criado pelas suas próprias ideias. O prazer do impacto do som de uma palavra em outra ou ainda o ritmo orquestrado por uma história. Bem, isto elucida o entusiasmo estético por trás da escrita. A outra face do prazer contido na literatura se faz pelo dito na resposta anterior, pelos sentimentos despertos nos leitores.

4. Você tem um cantinho especial para escrever? 
R: Sim! Meu querido quarto/escritório/cafofo literário.

5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
R: Não gosto de limitar minha escrita a um único gênero, pelo contrário, sempre procuro inserir elementos de muitos gêneros diferentes. Mas, se fosse escolher um como base, seria a literatura fantástica. Há muito tempo me identifico com a metaficcção, uma ferramenta literária que insere uma narrativa dentro de outra, explicando de maneira simples. E esta ferramenta por si só já me dá bastante liberdade para passear em diversos gêneros. E isto pode ser constado no meu livro “O Segredo das Runas – A Escolha de Uma Valquíria”.

6. Fale-nos um pouco sobre “O Segredo das Runas”. Onde encontra inspiração para o título e nomes dos personagens?
R: Por se tratar de uma ficção dividida em duas narrativas, o título acabou sendo uma das minhas últimas decisões, pois tinha de conseguir entrelaçar ambas as histórias. Antes deste, apenas o subtítulo figurava na capa do livro. Sempre achei o nome dos personagens algo vital para a identificação do leitor, por isto, além das razões citadas no livro, escolhi um nome grego para a protagonista da narrativa nórdica, algo sonoro e mais habitual aos nossos ouvidos. Os demais personagens, quando não fieis a própria mitologia, possuem nomes vindos de minhas homenagens a personagens ou pessoas da cultura pop que nutro admiração.

7. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
R: As minhas histórias sempre demandam grande tempo em pesquisas, mas estas variam bastante, indo desde os eventos por trás de certos fatos históricos a poemas mitológicos, mapas das cidades que descreverei, clima regional, linguagem apropriada à narrativa, dentre outras peculiaridades inerentes tanto a ambientação quanto a trama.

8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
R: Toda semana passeio por Tolkien ou George R. R. Martin para ajudar na narrativa fantástica, tanto em ambientação quanto construção de diálogos. Já para uma narrativa contemporânea, Dan Brown, Carlos Ruiz Zafon, Stephen King ou, o grande autor brasileiro, Moacyr Scliar, contribuem bastante.

9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
R: Esta ainda é uma pergunta muito precoce para eu responder, pois “O Segredo das Runas” foi o primeiro livro que realmente tive vontade de publicar e acabei o fazendo sem grandes empecilhos. Meus outros trabalhos foram somente poesias e contos, dos quais ainda não avaliei se estão aptos para publicação.

10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
R: Acredito que uma geração promissora esteja se desenvolvendo na literatura nacional.

11. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
R: Um fenômeno natural desperto pela inclusão digital e globalização. Temos muitos leitores no Brasil, não de livros exatamente, mas de mídias em geral, principalmente redes sociais. Este constante contato com informação acaba inflando muitos mercados, trazendo pseudos profissionais à luz de editoras, livrarias e sites mais interessados na produção em massa do que na qualidade artística. Não é exagero dizermos que hoje temos muitos textos mas poucos escritores de fato.

12. Qual a sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
R: Existem diversos fatores envolvendo o preço elevado de uma mercadoria, questões estas mercadológicas, sociais e governamentais. Partindo do ponto de vista social, se houvesse uma maior demanda de leitores por literatura nacional, naturalmente existiria mais investimentos por parte das editoras em autores do nosso país, ao invés de fortunas gastas em compras de direitos autorais, traduções e marketing. Quanto a face mercadológica, o país vive um cenário econômico delicado como um todo, e os livros, de maneira geral, não escapam desta crescente inflação. Quanto ao governo, o Brasil ainda carece de diversos incentivos a cultura, e a literatura infelizmente não escapa de tal descaso. É lastimável que a maior parte da população ainda não se interesse ou ainda não tenha acesso as mais variadas formas de arte, principalmente a literatura.

13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
R: Se eu citasse alguma obra nesta resposta, estaria caindo em contradição, pois foram as influências provocadas por uma série de ideias geniais as quais tive contato que despertaram as minhas próprias ideias. Então, prefiro não perturbar esta frágil ordem universal.

14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)
R: De tantas faixas que tão bem se harmonizariam com cada capítulo, existe uma música bastante interessante, na qual sempre consigo captar o âmago de “O Segredo das Runas”. O nome da música é “The Truth Beneath The Rose” da banda irlandesa “Within Templation”.

15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
R: Já li muitos livros transformadores, capazes de me tornar um ser humano melhor do que aquele que iniciou sua leitura. Porém, seria desleal com muitas obras literárias atribuir o fardo da transformação da minha vida a uma única.

16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
R: Tenho muitos projetos literários tanto a curto quanto a longo prazo. Não posso entrar em muitos detalhes pois há diversos fatores, tanto mercadológicos quanto editorias, determinantes neste processo. Porém, os leitores podem esperar algo muito bom já para 2016!

17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?
R: Todos os dias tento verificar alguma repercussão do livro nas redes sociais. Até o momento fiquei bastante satisfeito com os feedbacks e as resenhas que recebi desde o lançamento do livro. Só lamento por uma minúscula parcela de blogueiros não ter o mesmo zelo pelo autor brasileiro quanto por autores estrangeiros cujos exemplares são enviados através de parcerias firmadas com as editoras.

18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
R: Acho que o Eduardo Spohr, por ser um escritor brasileiro, de grande trajetória e também amante de fantasia e mitologia, teria muitas opiniões interessantes para contribuirem com o meu trabalho.

19. Qual a maior alegria para um escritor?
R: Saber que um sentimento momentâneo, uma fascinação onírica, ou ainda que pensamentos reflexivos podem se tornar palavras acolhidas pela eternidade, e que estas palavras podem iluminar um pouco a vida de outras pessoas.

20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
R: Aos leitores: Primeiro, devo agradecer aos leitores que já se aventuraram nas páginas de “O Segredo das Runas”. E, para aqueles que ainda não o fizeram, os convido para esta emocionante jornada, onde os dramas e questionamentos do início do século XXI se ligam a épica fantasia por trás da mitologia nórdica.

Aos novos escritores: Planejem em minúcias o caminho literário que desejam tomar. Quando este caminho parecer tortuoso, perseverem. E quando esta árdua perseverança se tornar palavras, em tinta e papel ou em pixels de algum ebook, olhem para trás com orgulho, pois a eternidade pertence aos feitos dignos de serem lidos.

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