A Cabana – William P. Young

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Seguindo com o clima de religiosidade que a leitura de Anjos e Demônios proporcionou, comecei a ler A Cabana. Já ouvi e li críticas aclamando ou vaiando o livro que originalmente foi publicado em uma editora pequena e que já esteve em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times. Eu, fã de uma polêmica no meio literário, já começo a ler esperando uma grande decepção ou uma grande paixão.

Mack, o protagonista, passa por uma situação que nenhum pai gostaria de estar passando: sua filha desapareceu e provavelmente foi assassinada por um serial killer conhecido como o Matador de Meninas. Anos se passam e Mack está envolto pela Grande Tristeza e questiona o motivo de Deus permitir tamanha brutalidade.

Em uma manhã, Mack vai à sua caixa de correio e, entre as correspondências, encontra um bilhete marcando um encontro no local onde sua filha morre: na cabana, o símbolo de sua Grande Tristeza. O mais instigante é que a correspondência não tem remetente, é apenas um pedaço de papel assinado por “Papai”, nome que Nan, sua esposa, usa para se referir a Deus.

Logo no prefácio o autor utiliza um recurso que foi usado por Machado de Assis. Quando fala: “Se você odiar essa história, desculpe, ela não foi escrita para você” (página 11), o autor conversa com o leitor por meio de seu personagem e ainda o desafia. Ao ler um livro, todo mundo espera gostar da história ou, ao contrário, nem abrimos o livro. Quando viramos a página 11 do livro A Cabana queremos que a história seja para nós, temos a expectativa que a história seja boa.

 Eu, presa a estereótipos, tive dificuldade para imaginar Deus da forma como era apresentado, humano (estranho?), em uma figura que passa longe de qualquer imaginação. Não contem isso como ponto negativo, eu não contei. Essa dificuldade, como disse, é resultante de uma figura já construída na minha imaginação.

  Na verdade é bem simples. O ser sempre transcende a aparência. Assim que você começa a descobrir o ser que há por trás de um rosto muito bonito ou muito feio, de acordo com seus conceitos e preconceitos, as aparências superficiais somem até simplesmente não importarem mais.” A Cabana, página 73.

 A Cabana desperta seus questionamentos mais íntimos em relação a Deus. É impossível você não se solidarizar com a dor de Mack e não olhá-lo como um espelho. Após ler A Cabana, seus questionamentos nunca mais irão dormir ou ficar envoltos em certezas provenientes de uma mentira que você criou para ficar em uma zona de conforto. É impossível você não derramar uma lágrima quando se põe no lugar de um pai que se sente culpado pela morte da filha.

 Recomendo a leitura. Talvez você se espante com a forma como Deus é mostrado, assim como eu, mas com o tempo nós acabamos nos acostumando e entendendo. Demorei um bom tempo para terminar de ler, duas semanas para ser exata, pois eu cheguei a reler um capítulo inteiro para compreender qual era a ideia e o ensinamento que ele queria passar. O mais interessante de tudo é que o autor em nenhum momento ofende a religião de ninguém.

 Com toda a certeza A Cabana não foi uma decepção. Vou reler esse livro um dia para comparar minhas concepções atuais com as futuras.

Resenha de Karina Erika, resenhista do Arca Literária e do Eu e minha Cultura

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