Boneco de Neve – Jo Nesbo

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“Quando a primeira neve do ano cai o boneco de neve aparece”

            A frase não é apenas para fins de puro efeito, ela faz todo o sentido quando se descobre quem é o “Boneco de Neve”. Cada detalhe da história tem seu significado. Não é à toa que é o meu preferido da série de livros sobre o inspetor Harry Hole.

            “Boneco de neve” é o sétimo livro da série Harry Hole, escrito por Jo Nesbo.

            Na trama Harry Hole é escalado para investigar o desaparecimento de Birte Becker: uma mulher casada e mãe de família. Aparentemente tratando-se de um simples caso de abandono familiar que, com o passar da história, vai se tornando um quebra-cabeça com todas as peças espalhadas muito distantes umas das outras.

            Após receber uma carta, indicando ser do próprio “Boneco de Neve”, Harry percebe que está se deparando com um novo serial killer. Novas vítimas vão surgindo, desta vez assassinadas. E uma similaridade: um boneco de neve em frente da casa com a cabeça virada olhando para dentro da residência da escolhida a morrer.

            As vítimas: mulheres casadas e com filhos menores de idade.

            Katrine é uma oficial nova na delegacia de Oslo que começa a fazer parte do “grupo tarefa” de Hole, e tem sua importância que refletirá na reviravolta.

            Durante as investigações as peças parecem se encaixar, e nesse momento o leitor precisa estar atento a cada mínimo detalhe.

Mas por quê?

            O livro é dividido em Cinco partes. Em cada parte da história a narrativa vai evoluindo em níveis, com aquele efeito montanha-russa até que se chegue ao clímax.

A parte Um introduz os fatos, os personagens, suas motivações, dramas pessoais, e o começo das investigações. Algumas pessoas julgam o livro como “cansativo” por causa disso, mas tudo ali ressaltado é necessário para compreender o final.

Na parte Dois o nível já se eleva com novas tramas e assassinatos. Há muitas descrições minuciosas que se deixar passar sequer uma, não vai conseguir entender tão bem quando todo o quebra-cabeça estiver montado preste a relevar a identidade do “Boneco de Neve”.

            É na terceira parte que as coisas começam a ficar frenéticas aos poucos. As evidências, os álibis dos suspeitos e as situações não os favorecem, fechando um cerco, até, aparentemente, descobrirem quem seja o assassino. Contudo, após o fim das investigações, Harry, não se sente convencido ainda de que tal personagem fosse o assassino, pois algumas peças não se encaixam completamente, convencendo-o de que o “Boneco de Neve” ainda está solto, e sua suspeita é plausível. Começa a agir novamente, “atacando” seu mais novo suspeito de maneira sutil para conseguir arrancar algo que possa incriminá-lo.

            E é na parte Quatro que vem a grande virada da história, e tudo o que você achou ser verdade, esqueça, o passado será revelado, nos mostra algo que a própria narrativa, de forma proposital, nos faz deixar passar despercebidamente. E não há só um plot que tira nosso fôlego, mas sim três, dando gancho para a última parte do livro que é, sem sombra de dúvidas, a mais eletrizante; quando a verdadeira pessoa por detrás dos assassinatos é revelada, e, como tudo é perfeitamente explicado e todas as peças se encaixam.

            Uma dica: quando chegar na parte CINCO, antes de começar a ler, volte para a parte UM e leia os capítulos Um e Cinco, pois verá como tudo se completa. A cabeça explode com tantas informações e minúcias.

            A narrativa é toda em terceira pessoa, mostrando o ponto de vista de todos os personagens importantes, gerando curiosidade. A psicologia dos personagens é bem explorada, assim como seus dramas. No final de alguns capítulos Nesbo usa cliffhangers fazendo o leitor ficar ávido para ler o próximo, e, os plot twists, além de serem bem desenvolvidos, são inseridos nos momentos certos.

            O livro é editado pela Editora Record e contém 420 páginas. A capa segue o padrão feito para a maioria das obras da série Harry Holle editados pela Record: fundo preto e preenchimentos artísticos em branco, e texto em preto e vermelho. O tamanho da fonte, o espaçamento entre linhas na diagramação e a impressão em papel off-white, torna a leitura favorável aos olhos.

 Fernando mello

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