As Memorias de Cleópatra, A Filha de Isis – Margaret George

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O Egito sempre me fascinou. Tanto que nos livros da série Alma e Sangue ele está bastante presente, entremeado com vampiros, lobos e anciões.

Essa fascinação está ligada a Alexandre o Grande, a Cleópatra, a rainha do Egito, ao seu panteão de Deuses e lendas tão intrigantes e belas. Mesmo quando li na bíblia sobre José, um hebreu que foi governador do Egito, ou Yôs?p, minha curiosidade só cresceu.

Muitos caminhos me levam para as areias douradas dessa terra mística e misteriosa. Quando recebi o livro “As Memorias de Cleópatra, A Filha de Isis, fiz milhões de conjecturas. A série escrita por Margaret George é composta por três volumes, dois quais eu já possuía o segundo, que adquiri num sebo. O vendedor me informou, que havia vendi os outros dois livros. Gostei tanto do livro que comprei mesmo assim.

Li e amei. Claro, faltou muita coisa. Agradeço a editora Geração Editorial por me dar a oportunidade de ler tal obra. Estou apaixonada, essa é a palavra.

Mergulhei de cabeça e vivi dias e noites incríveis em Alexandria, em Roma. Desci o ri Nilo e visitei as pirâmides, pude sentir o sol dourado sobre meu rosto, e vi grandes ícones da história mundial escreverem suas historias dia após dia. Acho que eles desconfiavam que entrariam para a história. Será que suspeitavam que alguém como eu ainda os admirasse mesmo depois de tantos séculos? Talvez sim, talvez não.
Mas vamos ao livro.

Deixo bem claro, qualquer pessoa pode ler esse livro e desfrutar de bons momentos. Não precisa ser um estudioso, alguém que goste de história, ou do Egito. Para ler esse livro basta gostar de romance, de disputas de poder, traição, morte e vida.

Margaret George soube com delicadeza e inteligência conduzir o leitor pelas ruas de Alexandria, a ver a infância de Cleópatra, descobrir como foram seus dias, enquanto seu pai, o rei Ptolomeu, vulgarmente conhecido como o flautista, tentava manter sua coroa e o Egito longe das garras do império romano. Já li muitos relatos sobre a rainha e achei o livro valioso para leitores leigos, ou até mesmo aqueles que buscam mais informações sobre a vida dessa mulher que reinou sobre o Egito e sobre o coração de dois Césares.

Fiquei encantada em vê-la crescer, enfrentar seus medos, navegar pelo Nilo sem que ninguém soubesse que aquela menina era herdeira dos Ptolomeu, que trazia nas veias a herança de Alexandre, o Grande. Acho que isso me seduziu. Poder observá-la crescer, e se tornar uma mulher inteligente, capaz de sobreviver à traição de seus irmãos, ser exilada no deserto, enquanto Júlio Cesar colocava ordem no Egito.

Aposto que alguns se lembram da famosa cena do filme, Cleópatra de 1963, quando Elizabeth Taylor, interpretando a rainha, entra no palácio enrolada em um tapete. No livro isso foi descrito com grande exatidão e até detalhes novos.

O romance dela com Cesar é maravilhoso, tenso, complicado. Eles se amam, querem ficar juntos, mas existe Roma, e suas convenções, Calpúrnia, esposa de Júlio Cesar, uma legião de bajuladores, traidores. Em Alexandria viveram juntos com liberdade, mas em Roma, os momentos de intimidade estavam condicionados a agenda de Cesar, que se dividia entre o senado e conter as revoltas na Espanha. Um amor tão profundo, verdadeiro, e que trouxe a Cesar a dadiva de ser pai. Dois grandes conquistadores apaixonados e tentando viver seu amor o melhor possível.

Identifiquei-me com Cleópatra, afinal ela foi uma mulher como somos todas nós. Teve dúvidas, medos, angustias e ciúmes. Amar César não foi tarefa fácil e no seu lugar não sei se teria suportado. Mas como dizem o amor tudo suporta, tudo perdoa.

Vê-la administrar e governar o Egito, enfrentar enchentes, escassez de comida, e reconstruir parte de Alexandria depois da guerra é uma lição. Sua devoção pela deusa Isis é tocante.

Algo que me fascinou é a descrição das roupas, utensílios, pratos servidos nos banquetes, os tipos de vinhos. As joias, a forma como o mundo via Roma e Roma via o mundo.

Algo que já sabia e abominava, eram as festividades, e jogos no coliseu. Durante os quatro triunfos em homenagem a Cesar a quantidade de sangue derramada de corredores de bigas, escravos, prisioneiros e gladiadores e animais exóticos é revoltante, e quase equivalente a que derramou em suas batalhas conquistando o mundo para o Império Romano. Um espetáculo cruel, violento e sangrento. Os deuses e costumes se chocam entre um povo conquistador, romanos, e um povo culto, egípcios. Não estou aqui dizendo que eles não sabem lutar. Mas não nos esqueçamos de que em Alexandria existia a maior biblioteca do mundo civilizado. Comparar é inevitável. Fico com os egípcios, mais limpos, organizados e donos dos maiores tesouros.

Um livro para ler e reler com prazer, não houve decepção, só mais curiosidade e fome de ler. Parto agora para a leitura do segundo volume, As Memorias de Cleópatra, O Beijo da Serpente. Já preparando meu coração para o inevitável.

Minha nota para o livro, 5 beijos mordidos. Mais bem poderiam ser mil.

Resenha de Nazarethe Fonseca, resenhista do Arca Literária

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