Arcanos da Eternidade – Fergi Cavalca

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O Livro Arcanos da Eternidade de Fergi Cavalca é um romance místico que busca recontar a história de Jesus ? aqui chamado de Joshua ? através de uma interpretação espiritualista baseada no conhecimento oculto dos evangelhos apócrifos retirados de versões bíblicas através dos séculos.

Narrado inicialmente em primeira pessoa, o livro começa com um homem, desempregado, casado e que vive as angústias dessa nova fase de sua vida.

“… A verdade é que a empresa havia contratado um jovem recém-formado por um salário bem menor que o meu. Eu ensinara todo o trabalho a ele. Durante meses a fio, passei todas as informações importantes… Depois de tudo já não era imprescindível, nem necessário… Uma laranja chupada até o bagaço era como me sentia. E agora? Arranjar um emprego com a idade avançada em que me encontrava? Quase sessenta anos…”.

 Entretanto, ao parar num banco de praça questionando sobre seu valor enquanto funcionário, sentiu-se incomodado com a presença de um senhor com uma barbicha branca, vestindo calça e blusa da mesma cor e que o olhava fixamente-sentado em banco em frente ao seu.

Temendo ser um assaltante, o protagonista levantou-se e entrou no metrô e, saltando em uma estação qualquer, procurou outra praça onde voltou a sentar-se.

 Esta praça, ao contraário da anterior, era mais calma e convidava à meditação. Ele deixou-se ficar ali, imaginando que rumo tomar em sua vida, quando se deparou justamente com o mesmo homem que o observara na outra praça.

Agora, porém, o desconhecido dirige-se claramente a ele, pedindo desculpas se o assustara e apresenta-se declinando seu nome: Ângelo; amistosamente pousa a mão sobre o ombro do protagonista, que sente uma corrente elétrica invadi-lo e uma voz dentro de sua mente lhe diz que Ângelo era o guia espititual e que não deveria temê-lo.

Ângelo então diz que precisa contar a ele uma história e que deverá ser publicada e divulgada para seus familiares e amigos, e que tal história lhe era familiar, embora dela não se recordasse.

Ângelo sabia o nome do protagonista nessa vida atual, mas o chamaria de José, pois era esse o nome dele quando se conheceram em épocas passadas.

Após tudo isso, Ângelo entregou a José um cartão combinando um novo encontro, sempre aos domingos; no cartão havia um endereço e indicações do local onde se daria tal fato.

Após um período de dúvidas, José resolve encontrar aquele desconhecido no dia e hora combinados.

É quando Ângelo lhe revela a existência de uma ordem mística da qual José fazia parte em outra encarnação como iniciado. Ângelo diz:

 “… Alguns de nós somos escolhidos como depositários desse conhecimento. Tu, embora não te lembres nesse momento, já passaste por iniciações. Já morreste para a vida mundana e ressuscitastes em outras dimensões de teu próprio pensamento…”.

  Olhou bem dentro dos olhos de José e falou com voz meiga:

 “…. Sentistes que tua alma reconheceu a minha e esta é uma das formas que temos para nos aproximarmos quando revestidos da roupagem humana que caracteriza nossa existência física… ”

  José sentiu-se transportar para o momento da própria iniciação na ordem e reconheceu que era Ângelo quem estivera sempre ao seu lado desde aquele momento. Ângelo diz:

 “… A fraternidade é composta por uma Ordem Mística que vive em uma união perfeita, completa e real; talvez a mais forte união existente e que não tem entre os homens nenhuma forma similar de comparação, qualquer que seja sua natureza. É difícil explicar, mesmo em sentido figurado, a possibilidade da existência de uma associação como a nossa. No mundo exterior, os membros da Ordem não precisam da aproximação corporal, a não ser em casos extremamente raros e de muita importância. Quase nunca se correspondem verbalmente. No entanto, seu contato espiritual é constante, ininterrupta é sua troca de ideias e absoluta sua comunhão de almas. Com certeza não possuímos leis exteriores à nossa consciência…” 

Aos poucos, Ângelo começa a narrativa da história que José deverá escrever e assim conhecemos novos personagens dessa outra trama – que só então percebemos ser a trama principal.

Jamil, um beduíno, encontrou uma mulher agonizando nas areias do deserto, ao lado de seu filho de seis anos. Assustado, o menino nada falava, mesmo quando o beduíno interpelou seu nome. Aos poucos ganhou a confiança da criança desamparada, porque a mãe não resistira. Jamil consegue enfim extrair o nome da criança pequena. Era Yosef.

O livro Arcanos da Eternidade possui um narrador? José, que ora atua como personagem, ora como o narrador, quando então o autor Fergi Cavalca desenvolve a história de Yosef, Joshua e os outros personagens ligados a eles.

Aos poucos os dramas e passagens dos evangelhos e as questões filosóficas são debatidas ao longo do trabalho descrito no livro.

Entretanto, há um mistério envolvendo toda a trama, que só quando o leitor chegar ao final das 387 páginas do livro poderá descobrir.

Uma narrativa densa, profundamente mística e ainda assim, leitura leve e fluída. O vocabulário culto sem, contudo, trazer palavras incomuns, o que facilita a leitura.

Os capítulos possuem versículos da Bíblia como abertura e que servem como introdução para cada momento da narrativa.

A capa mostra na porção superior uma ilustração de Joshua e logo abaixo, uma caravana, com beduínos atravessando o deserto montados em camelos e outros viajando a pé.

A cor predominante  é a amarela, a cor da Luz e do conhecimento revelado.

Uma narrativa leve, fluída sem perder, porém, a profundidade da mensagem que o autor Fergi cavalca trouxe para o leitor.

Para ler e pensar. Recomendo!

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Um comentário

  1. Intrigante este livro e sua resenha está ótima. Interessei-me por ele e pretendo comprá-lo assim que der.

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