Anna de Leão

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou carioca, mãe de duas moças, e estou na carreira literária desde 2008. Naquele ano tive três poesias de minha autoria publicadas na antologia Letras no Brasil X, da Taba Cultural, e fundei o blog Metamorfose, agora incorporado ao meu site (www.annaleao.com.br). No ano seguinte publiquei meu primeiro livro, o volume um da trilogia de fantasia A Rainha da Floresta.

O livro dois, a Deusa da Terra, foi lançado em 2011. Quando eu escrevia o terceiro livro da série, fui convidada pela Modo Editora para lançar a trilogia em volume único. Isto aconteceu na Bienal do Livro de 2013, no Rio de Janeiro. Três anos depois, desmembrei a saga novamente, dando o título de O Grande Mago ao terceiro livro. No início deste ano relancei a trilogia em um só volume.

No final do ano passado publiquei de forma independente o romance erótico O Pássaro e a Âncora. A obra, recentemente, fechou contrato com a Ler Editorial e será publicada pela editora no segundo semestre deste ano. Aguardem!

Pela Ler também terei um conto erótico publicado na antologia Tardes Quentes de Um Inverno a Dois, organizada por Diany Cardoso e Ceiça de Carvalho, da Arca Literária. Lançamento em breve!

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Eu trabalhei muito com teatro e dança, pois sou formada nesta última, além de formada também em Comunicação Social. Cada vez mais venho me dedicando à minha carreira de escritora e procurando trabalhar mais com a escrita através de revisão, produção e otimização de conteúdo.

Quanto à inspiração, eu escrevo desde pequena. Aprendi a escrever com quatro anos de idade, e sempre tive a imaginação muito fértil. Tenho um lado lúdico muito forte. Acho que minha inspiração para escrever vem disso, dessa minha natureza fantasiosa. Acho que já vim destinada a ser escritora, só demorei a perceber isso e a fazer valer o meu destino. É uma carreira que precisa de maturidade, persistência e determinação, pois é muito solitária e requer muita disciplina.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Tem muitas coisas boas em escrever, mas acho que, para mim, a principal é o fato da escrita ser um importante canal de expressão, tanto da minha imaginação, como dos meus pensamentos, sentimentos e criatividade.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não. Eu escrevo pela casa toda rsrs. Mas gosto de ter a minha mesa de trabalho “oficial”!

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu escrevo vários gêneros literários. Nos livros solo comecei com a literatura fantástica, depois segui para o romance e erótico, mas acho que sempre tive uma pegada mais para o romance, tanto é que a Rainha da Floresta tem uma pitada deste gênero, embora seja um livro de fantasia. Escrevo também poemas, ensaios e crônicas. Estes são publicados no meu site Metamorfose e nos sites O Segredo e Templo de Avalon, nos quais sou colunista.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meus livros são muito pessoais. Eles brotam naturalmente em minha imaginação, e vêm dos meus desejos, sonhos, interesses e anseios. Os nomes dos personagens geralmente vêm à minha mente, pelo menos dos principais. Os títulos procuram ser um “resumo” ou um símbolo do conteúdo da obra.

Em A Rainha da Floresta, este tinha que ser o título porque é quem a protagonista Anaís se torna. Sua vida muda drasticamente a partir do momento em que ela assume o posto de A Rainha da Floresta. E quando falo em assumir este posto, falo a partir do que já estava destinado a ela, antes mesmo dela ter ideia de sua missão. É uma história iniciática e de empoderamento pessoal e feminino, dentro de uma trama com muita aventura e magia.

Os livros subsequentes que fecharam a trilogia, tiveram seus subtítulos bem focados também no X da questão da trama. Tanto A Deusa da Terra quanto O Grande Mago foram peças-chave daquelas histórias.

Já o romance erótico O Pássaro e a Âncora tem seu título extremamente simbólico, o que o torna poético. É uma metáfora para os dois amores da protagonista, uma celebridade de Hollywood, casada com dois homens ao mesmo tempo, que narra a sua história com seus dois maridos através de sua autobiografia amorosa.

Vale falar aqui sobre os títulos de muitos capítulos que vieram à minha mente com muita facilidade. São nomes de filmes, o que tem muito a ver com a obra, pois ela é passada no mundo do cinema (e também da música).

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro? 

Cada livro é um livro. Em A Rainha da Floresta não houve pesquisa, pois além do cenário ser fictício, todo o conhecimento de magia empregado no livro eu já possuía. Diria que a obra é um meio lúdico de passar muitos conhecimentos de magia, wicca, druidismo e xamanismo. Mas como toda fantasia, eu pude “viajar” e ir além do possível. No entanto, há as bases de conhecimento, como em todo livro ou filme de literatura fantástica. Porém, eu tive o cuidado de não deturpar nada e “apenas” soltar a imaginação.

O Pássaro e a Âncora como é passado em lugares que eu não conheço pessoalmente (Los Angeles, Chicago, Spokane, Paris e Holanda) solicitou uma pesquisa técnica em alguns momentos, como distância entre lugares, tempo de viagem, etc. Quanto às casas noturnas, bares e outros estabelecimentos, eu preferi criá-los do meu imaginário, até porque estes tipos de lugares estão sempre se reinventando. Um dos poucos estabelecimentos reais que aparecem na obra é o Hotel Four Seasons.

Acho muito interessante esta mescla de fantasia e realidade quando escrevemos um livro de ficção contemporânea… Até onde podemos ir?

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Eu diria que minha inspiração vem mais da música e dos meus próprios devaneios. Mas isso não impede que inconscientemente haja inspirações que eu não perceba.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sim. Eu tenho dois livros infantis escritos e não publicados. Tentei publicar um deles bem antes do início oficial da minha carreira literária. Eu mandei para algumas grandes editoras, sem respostas positivas. Foi o primeiro livro que escrevi, mesmo tendo tido a ideia da Rainha da Floresta bem antes, mas que só foi para o papel depois.

O outro infantil, eu escrevi já no curso da minha carreira, mais para o início, mas não tentei publicá-lo. Depois passei a não priorizá-los. Como há toda uma questão de ilustrações e, cada vez mais, sinto a minha veia literária para o romance adulto, eu não busquei mais publicação para eles. Mas quando for o momento certo, eles serão publicados. Não devemos deixar nossas criações morrerem na gaveta.

Vale ressaltar aqui, que hoje em dia as possibilidades são bem maiores do que há algumas décadas. O autor independente é uma realidade que a tecnologia fez acontecer, e com isso foi possível não depender de editora e se autopublicar. Isso permite que o autor fique visível, assim como sua obra, e consiga um acesso mais fácil às editoras, se ainda for do seu interesse.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

O que me preocupa é a falta de leitores, e leitores que pensam que são escritores só porque gostam de ler. Precisamos incentivar o gosto pela leitura como uma forma de prazer e cultura. Mostrar que o leitor pode se divertir e aprender muito lendo um livro de ficção, como quando assiste a um filme ou série.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

É como falei acima. Não é porque gosta de ler que necessariamente vai ser um escritor. Para ser um autor de ficção você precisa ter o que contar, saber contar e saber escrever. Os dois últimos você pode aprender, mas o primeiro é um dom, é ter uma criatividade fecunda e, principalmente, uma imaginação rica, se não, você apenas copia e reproduz fórmulas prontas.

Quando as pessoas assistem a filmes e séries, a maioria não quer ser cineasta ou roteirista só porque gosta de assisti-los. Por que com o livro tem que ser diferente?

Acho que a resposta se concentra em dois fatores: aparentemente é mais fácil, principalmente, por causa das atuais ferramentas de autopublicação, e pela questão do status de ser um escritor. Existe certo glamour na ideia de ser escritor que, sinceramente, eu não sei de onde vem, pois na realidade este glamour só acontece para poucos.

E assim nos deparamos com todo tipo de literatura e de autor, dentro de uma carreira que precisa, cada vez mais, de credibilidade e de ser levada a sério em nosso país, até mesmo para deixar de ser apenas uma carreira e poder se tornar uma profissão rentável para o próprio autor.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Infelizmente é o reflexo da nossa economia. O que é uma pena e mais uma dificuldade num país que pouco lê.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Nunca pensei isso… Acho que as ideias que temos são as ideias que tínhamos que ter, que tem a ver com nossa natureza e vivências pessoais.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Olha, A Rainha da Floresta foi toda concebida ouvindo dois álbuns da cantora inglesa Kate Bush: Hound of Love e Lionheart. Então claro que seriam as músicas desses álbuns… Walking the Witch, Jig of Life, etc. Eu fui construindo toda a base da história ouvindo as músicas, como uma ópera rock, um show. Depois percebi que aquilo tudo era material para um livro.

Como já disse aqui, muito vem dos meus devaneios, e só depois que chegam ao papel (nos dias de hoje, computador rsrs). Convido as pessoas a conhecerem as obras desta excelente compositora e cantora inglesa.

Para O Pássaro e a Âncora escolheria Gloria Box do Portishead – que é citada no livro –, Mad About You, do Hooverphonic e Painted on My Heart, do The Cult – cuja melodia me inspirou a criar a letra de uma música presente no livro. Daria espaço também para Yellow Ledbetter, do Pearl Jam, pois parece que a letra foi escrita para a obra (fiquei pasma ao ver a tradução depois do livro escrito!).

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Talvez O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, que li várias vezes. Inclusive, recentemente, comprei uma bela edição bilíngue da obra, pra ver se consigo emplacar o meu inglês rsrs.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim! Já escrevo a continuação de O Pássaro e a Âncora e pretendo dar continuidade ao epílogo de A Rainha da Floresta, destacando outros personagens da trama, um spin-off. Também pretendo escrever um livro de contos eróticos, gostei da experiência de escrever o conto para a antologia.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Já acompanhei mais. Acho válido, mas o blogueiro em primeiro lugar precisa ter um background, uma base. É importante percebermos se aquele blogueiro tem realmente condições, conhecimento e vivência de mundo para fazer uma crítica literária, e não apenas um monte de seguidores e uma fama superficial.

O blogueiro não pode fazer uma crítica apenas por um gosto pessoal. Por isso admiro aqueles que só se propõem a fazer as críticas de gêneros literários que apreciam. Não é impossível, mas é mais difícil gostar e/ou ver qualidade em temas de que não se gosta ou não se tem familiaridade.

Mas o mais importante de tudo é o respeito ao autor. Por pior que seja o livro, e que o autor não tenha talento para escrever, o blogueiro não deve humilhá-lo. A crítica pode ser negativa, mas com respeito e educação. Isto é uma questão de humanidade e consciência.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Ah… São tantas pessoas que não saberia por onde começar!

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser bastante lido, com certeza!

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Em primeiro lugar quero agradecer pela oportunidade da entrevista e dela estar sendo lida por você, leitor.

Para quem está começando na carreira literária, eu sugiro que em primeiro lugar perceba se isto vem mesmo de dentro, se é algo que pulsa nas suas veias.  Questione o porquê de você querer ser um autor. Se sempre gostou de escrever, acho que está no caminho certo.

Quando descobrir que a escrita faz mesmo parte de você e não é apenas um modismo, ou porque aparentemente dá status ter um livro publicado, não desista jamais!

Escreva sempre, busque alternativas de publicação, mantenha-se sempre atualizado com o mercado editorial e com as novidades do ramo. Procure se cercar de pessoas do meio, colegas escritores, enfim, trocar. Não se isole, pois nossa carreira já tem um lado bastante solitário.

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