Ana Lúcia Santana

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou uma eterna apaixonada pelas palavras. Escrever, prá mim, é como respirar. Escolhi ser jornalista graças a essa paixão, mas é tecer histórias que realmente me dá prazer. Tenho um livro de contos, A Garota da Luz Dourada, publicado por uma editora de livros artesanais, a Scenarium; e um ebook de ficção, Terras dos Encantados – A Jornada do Círculo, publicado na Amazon pela Editora Astronauta, de Tiago Soriano, também responsável pela capa.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Hoje presto serviços editoriais em minha empresa virtual, o Book Page, trabalho como terapeuta floral e quântica, me dedico a trabalhos voluntários e aos meus blogs, o Prosa Encantada e o Valise de Palavras. Também tenho uma coluna no site Contos Cabulosos e atuo como colaboradora na Revista Pense Mais, tanto na versão virtual quanto no veículo impresso. E faço parte de um grupo de Folia de Reis, a Companhia Folia- Bela- Sol.

Quanto à inspiração, acredito que as histórias podem transformar vidas. Isso me inspira, pois sempre quis fazer algo para construir um mundo melhor. Também me inspiro em outros autores, em músicas e em séries de TV, que sempre assisto nas horas vagas.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Escrever me dá prazer, é algo que deixa minha alma mais leve, me embriaga. Eu nem vejo a hora passar. É algo mágico, transformador. E me deixa ainda mais feliz a possibilidade de compartilhar minhas estórias, de imaginar que elas podem ser tijolinhos a mais na construção de um novo mundo, como o que as personagens de Terras dos Encantados se empenham em criar, vencendo obstáculos e desafios que insistem em brotar ao longo da jornada.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Sim, meu quarto, onde sempre me refugio para meditar, trabalhar e criar. Tudo nele me inspira, pois acolhe tudo que amo e me dá prazer.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

É o gênero fantástico. Comecei escrevendo poesia, até me convencer de que era capaz de passar para o papel as estórias que minha mente não cessava de criar. Então escrevi alguns contos e agora parti para a ficção. Estou partindo, agora, para a distopia e pretendo investir um pouco mais no gênero romântico, mas sempre mesclado com a fantasia ou, pelo menos, com uma boa dose de suspense.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

No meu livro, prepondera a presença feminina. E nada é o que aparenta ser. É uma estória sobre duas jovens que vivem em dimensões opostas, herdeiras de um legado sombrio. Elas têm 17 anos e desejam apenas viver seus sonhos, mas a vida lhes reserva uma jornada inesperada, em busca de um artefato, o Livro do Futuro, única esperança de salvar seus mundos. Para isso, elas precisarão superar seus medos e transformar a rebeldia que arde em seus corações num instrumento de transformação, não só de uma era, mas também de si mesmas.

Na hora de criar os nomes, faço uma boa pesquisa. Gosto de ligar os nomes dos personagens as suas personalidades; então, busco sempre o significado dos nomes, e procuro também adaptá-los ao universo onde a estória se passa. O título do livro é bem mais difícil; às vezes, levo um bom tempo para me decidir; outras, ele vêm num insight, enquanto escrevo.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Depende. Em Terras dos Encantados fiz pesquisas no Google, consultei minha irmã, meu primo, troquei ideias com meu consultor literário, busquei inspiração em outras estórias e em letras de músicas que acabaram até se transformando em personagens da estória. E há uma curiosidade sobre esta estória. O Livro do Futuro, objeto misterioso que motiva a jornada das personagens, é transcrito de forma alternada, em capítulos à parte, mais ou menos como no Livro Crônicas de Amor e Ódio, da Mary E. Pearson. Ele exigiu muitas pesquisas, além do esforço de imaginar um mundo completamente novo.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Amo desde Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Jane Austen, até Tolkien, J. K. Rowling, Rick Riordan, Rick Yancey, George R. R. Martin. Estou completamente apaixonada por uma autora nova, Mary E. Pearson, da trilogia Crônicas de Amor e Ódio. A escrita dela é fascinante, poética, sedutora. Meus livros inspiradores são: Grande Sertão: Veredas; Orgulho e Preconceito; Crônicas de Gelo e Fogo; Harry Potter; O Senhor dos Anéis; Divergente – gosto muito das distopias. Eu me inspiro muito nestes livros e autores, principalmente na questão da jornada.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Até agora só publiquei alguns contos em uma antologia, uma experiência um tanto frustrante, pois os autores tiveram muitos problemas com o editor. Por outro lado, tive outra experiência muito positiva, ao publicar A Garota da Luz Dourada, pela Scenarium, uma edição artesanal e limitada. Consegui fazer um lançamento estiloso, de forma independente, em uma hamburgueria bem descolada.

Mas ainda não consegui publicar Terras dos Encantados em uma editora física, pois o mercado editorial se fechou muito desde o início da crise econômica. Encontrei, então, um caminho alternativo, lançar no formato ebook, pela Amazon, incentivada por alguns editores. Mas, ao contrário de minhas expectativas, tenho encontrado uma resistência muito grande dos leitores e dos próprios blogueiros, pois muitos alegam não ler no computador.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Hoje há um boom na nossa literatura, o que é algo muito promissor. A cada dia surgem novos nomes, mas a verdade é que poucos mantêm o seu público cativo. É meio como a questão das celebridades, dos cinco minutos de fama. Para se destacar, e manter essa relevância, além dos modismos, é preciso oferecer algo mais consistente, provar que realmente sabe escrever. E isso demanda não só inspiração, mas também técnica. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, os autores aprendem a criar estórias nos bancos da escola, desde cedo. Está na hora de investir nisso também em nosso país.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Pois é. Respeito o gosto de cada autor e leitor, mas eu, particularmente, não gosto desse boom de literatura erótica e de livros de youtubers. Acho muito excessivo. Há coisas boas, claro, mas boa parte acaba sendo repetitiva ou de qualidade inferior. Como você disse, são desesperadores. Isso acontece também entre os ebooks, gerando um contexto contraditório. Muitos alegam não ler ebooks, mas entre os mais vendidos estão inúmeros romances eróticos e obras de youtubers. Como explicar isso?

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Precisamos fazer uma campanha para baixar os impostos, pois é realmente inviável. Há pouco tempo, uma editora me ofereceu uma oportunidade de publicação. Mas eu teria que adquirir um número elevado de exemplares a um preço exorbitante. Teria que vendê-los por um preço ainda maior. Seria totalmente inacessível. Como um autor, principalmente desconhecido, lançando seu primeiro livro, pode vender sua obra por um preço tão elevado?

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Há passagens do livro A Quinta Onda que li e reli várias vezes, desejando ter escrito algo daquela forma. O mesmo acontece com Grande Sertão: Veredas e com um livro que estou lendo agora, The Kiss of Deception: Crônicas de Amor e Ódio. Mas se pensar em um livro como um todo, seria a série Harry Potter.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 

Ai, meu Deus, são tantas trilhas! Hoje, nesse momento, seria Happy, da banda Marina And The Diamonds.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sou um pouco volúvel, nesse sentido. Mas amo de paixão O Senhor dos Anéis, Harry Potter e Grande Sertão: Veredas. E, nesse momento, estou considerando Crônicas de Amor e Ódio o livro da minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, estou escrevendo uma nova estória, uma mistura de fantasia, distopia e ficção científica, A Esfera de Perseu (Título Provisório). Em breve ela estará no Wattpad. Vou explorar um pouco essa plataforma para alcançar mais rápido o meu leitor.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não acompanho muito, mas as redes sociais, hoje, são plataformas para todo tipo de ação e manifestação. Não seria diferente com a crítica literária, em especial dos blogueiros. Acho que as redes são espaços essenciais, e que requerem muito respeito e ética. Se as críticas se guiarem por esses princípios, não vejo problemas.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Eu escolheria duas pessoas: o Papa Francisco e a ativista paquistanesa Malala Yousafzai.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser reconhecido pelo seu público. Eu escrevo para o leitor, para compartilhar uma mensagem na qual acredito, na tentativa de construir pessoas e mundos melhores.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

É preciso ter consciência de que, tanto quanto os personagens, nós também enfrentamos uma longa jornada na luta para alcançar nossos objetivos, realizar nossos sonhos. Portanto, é natural que apareçam obstáculos e desafios. Assim como nossos heróis não desistem e persistem até o fim em suas batalhas e confrontos com monstros, fantasmas e conflitos interiores, é necessário que nós também sigamos em frente, refletindo, enfrentando nossos próprios dilemas e tomando decisões que nos levarão adiante, até o desfecho final. Dessa travessia, com certeza, sairemos sempre transformados.

Isso vale tanto para os leitores quanto para quem está iniciando no universo literário. É nessa crença que me apoio para acreditar que meu ebook ainda será bem sucedido na Amazon e, em breve, será publicado por uma editora física, alcançando um número ainda maior de leitores.

 

2 Comentários

  1. PARABÉNS PELA ENTREVISTA, ANA.
    VOCÊ É UMA PESSOA SENSÍVEL E AMA O QUE FAZ, POR ESSE MOTIVO FAZ LINDOS TEXTOS.
    CONTINUE ASSIM!

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