Alina – Emília Lima

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E o que dizer de ALINA? Simplesmente maravilhoso. O romance se desenvolve na Bahia, (e isso foi uma das primeiras coisas que me cativou de imediato, ler um romance ambientado na minha Bahia), no final do século XVI e conta a história de Alina, uma jovem de família Portuguesa que veio para o Brasil para ajudar na colonização, (situação bastante comum nessa época). Alina era membro da família Cirilo, família conhecida na colônia e respeitada dentre outras coisas pelo caráter dos seus membros. A família Cirilo era composta por Luiz Cirilo o pai, a mãe e seus cinco filhos, dentre eles, Alina uma jovem doce, gentil, encantadora e que nunca se conformou com as injustiças e desigualdades que ocorriam na colônia naquela época.

 O livro é lindo, possui uma capa perfeita com combinação de cores tão lindas que a capa por si só já chama a atenção e transmite uma delicadeza e serenidade que poucos conseguem. Terminei essa leitura em poucos dias, nada difícil de fazer quando se tem ótimos personagens, diálogos inteligentes, uma história bem feita, bem amarrada e acontecimentos inesperados, porém correntes.

 Mas Alina, não era apenas doce e gentil, Alina era corajosa e determinada, trabalhava com o irmão mais velho que era advogado, pelas causas dos negros e índios e nutria desde muito jovem um amor impossível por Pedro Henrique, que era um grande amigo do seu irmão e também trabalhava com Alina e Luiz (que possuía o mesmo nome do pai) como advogado em defesa dentre outras coisas, dos que mais precisavam. Era um homem bom, correto e dedicado, mas que tornava-se impossível para Alina por ser um homem casado.

Alina era uma jovem bem à frente do seu tempo e tinha uma relação muito boa com seu pai, que após o casamento dos outros filhos passou para o nome de Alina um casarão na capital, onde a jovem vivia somente com seus empregados. A moça era uma personagem bastante incomum para a época. O pai e Alina tinham muita proximidade e o homem, apesar de seguir os ditames da época, queria ver a felicidade de sua filha e por isso, nunca a impediu de ser livre e a apoiou sempre que foi preciso. Conceder-lhe uma casa e dar-lhe a liberdade era uma das formas que o mesmo possuía de agradar a filha querida que ao contrário do que se esperava na época, não pensava em casamento.

 O que mais me chamou a atenção nesse livro foi o caráter dos personagens, é muito bom você abrir um livro e poder conhecer personagens tão corretos e encantadores. Capazes de sacrifícios para o bem daqueles que os amam e para agir dentro do que acreditavam ser o correto. Um outro ponto que não deve ser esquecido são os diálogos cheios de amor, respeito lucidez e compreensão existentes entre Alina, seu pai e Pedro Henrique.

 A vida de Alina seguia normalmente até que ela descobre que Pedro também nutria amor por ela, então, tudo mudou. A partir da descoberta da reciprocidade desse amor, em um momento de fraqueza, Alina e Pedro se rendem a paixão e se entregam um ao outro. Apesar de Pedro estar disposto a abrir mão de sua vida atual para viver esse amor, Alina recusa-se a carregar o peso de destruir uma família e resolve antecipar a viagem que a muito tempo já vinha programando, deixando Pedro de Coração partido e a sua procura.

 A partir dessa viagem os rumos da vida de Alina mudam completamente e são inseridos na história outros personagens tão encantadores quanto os primeiros e Naru é um deles, um mestiço cheio que qualidades, onde Alina vê a chance de estabilizar a sua vida e ser feliz, mesmo não tendo esquecido o grande amor da sua vida.

 Mas será possível viver completamente feliz longe do amor verdadeiro? É possível conviver amando com intensidades diferentes e ainda assim essa relação durar? É possível ser realmente feliz quando no meio da história existe algo inacabado? Enfim, essas são as incógnitas que observei durante essa leitura e que no final da história são respondidas com a mesma dose de delicadeza e respeito que são disseminados durante toda a narrativa.

 Alina é uma história cheia de personagens fortes, decididos e movidos pela ternura, desejo e amor. É um livro muito bonito, cheio de reencontros, fala do respeito à família e da luta entre o amor e as conveniências sociais de uma época onde a sociedade era ainda mais cruel com aqueles que não se enquadravam. Fala sobre escolhas feitas por um, mas que são capazes de mudar a vida muitas pessoas. Para mim Alina foi uma das melhores leituras que fiz, não é cansativo, é verdadeiro, cativante, onde o respeito e o desejo de ser feliz é presente em todas as páginas.

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13 Comentários

  1. Nossa! Adorei “Alina”. Me chamou atenção logo de cara, assim como você, o fato de a história se passar na Bahia. E ainda mais, pela narrativa estar agregada à fatos que remetem a História, como a questão da colonização e outros aspectos marcantes da época. Tudo isso com uma pitada de romance e boas reflexões. Fiquei curiosa para lê-lo inteiro.
    Isso aí Bráulia, gostei muito da resenha, pois foi bem escrita, nos trouxe os pontos mais importantes e foi bastante coerente nas palavras.
    Parabéns amiga!

  2. Nossa! Adorei “Alina”. Logo de cara me chamou atenção, assim como você, o fato de a história se passar na Bahia. E ainda mais, por se tratar de uma narrativa que remete a história, envolvendo a colonizaç

  3. Eu adoro ler livros que me remetem ao passado e esse tenho certeza que irei adora ler, como sempre lia a sua resenha foi perfeita, simples porém objetiva. Admiro muito o seu trabalho. Parabéns!

  4. Obrigada Daniele. E foi bem difícil a jornada de Alina sim, mesmo tendo um pai bem a frente do seu tempo e ter mais liberdade que muitas mulheres da época, não foi nada fácil.

  5. Gostei da resenha, a capa me lembrou bastante os livros da Saga da A seleção, porém ao ver a resenha vi que é completamente diferente, fiquei curioso

  6. Eu fiquei imaginando uma garota a abolicionista, apaixonada por um homem casado em pleno século XVI. Nossa! a vida dele deve ter sido cheia de obstáculos. Eu sou historiadora e sei bem que nessa época, e até pouco tempo, mulher era menos que nada. Eu fiquei com muita vontade de ler. Vou procurar. Obrigada pela dica, você escreve muito bem!

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