Alexandre Loch

0
513
  1. Fale-nos um pouco de você.

Tenho 37 anos de idade, moro em São Paulo, cidade onde nasci. Formei-me médico pela Faculdade de Medicina da USP, onde também fiz minha residência em psiquiatria e defendi meu doutorado. Em 2014 concluí uma graduação em filosofia pela FFLCH-USP. Sempre gostei muito de ler e escrever. Quando criança gostava de escrever crônicas e de distribui-las para meus familiares como pequenos livros. Depois de tanto tempo como acadêmico, escrevendo trabalhos científicos, decidi voltar a dedicar-me à escrita literária.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de escrever, trabalho como psiquiatra e psicoterapeuta no meu consultório e como pesquisador no Hospital das Clínicas de São Paulo. Em ambos os trabalhos tenho contato com tanto material humano que resolvi colocar tudo isso no papel. A vivência como profissional da área de saúde mental e o contato com a riqueza das emoções humanas me impeliram a traduzir isso não de uma forma técnica, como na psiquiatria, mas de uma forma artística, poética, através da escrita literária.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Poder criar um mundo fantástico e, sobretudo, saber que você está compartilhando aquela criação sua com o seu leitor.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Gosto de escrever na varanda de meu apartamento. É um lugar silencioso e cheio de verde, o que me inspira.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Gosto de escrever romances com vernizes psicológicos. Acho que um dos papéis do livro é colocar o leitor para pensar. Fazer ele refletir, trazer a ele de alguma forma um amadurecimento. Livros devem proporcionar catarse aos seus leitores.

  1. Fale-nos um pouco sobre seus livros. Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

A inspiração vem do meu dia-a-dia. As pessoas que vejo, que conheço, o sofrimento humano que lido como psiquiatra e psicoterapeuta. Estas são as principais fontes de inspiração. Além disso, como bom filósofo, sou muito observador e gosto de analisar o que está acontecendo no mundo, em nossa sociedade. Meus livros sempre têm uma âncora com o contemporâneo, com os impasses, as incongruências e injustiças da vida moderna.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Pesquiso muito outros livros, leio muito jornal, leio muitas análises sobre a sociedade. Minhas influências para criar o universo do livro são a sociologia e a filosofia.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Uma pergunta difícil. Eu diria que não me inspiro em nenhum autor ou livro em específico, mas talvez em vários. Gosto muito de Saramago, Erico Veríssimo e Gabriel Garcia Marques. Mas não acho que dê pra notar claramente estas referências em meus livros. Pois no final leio tanta coisa que acho que cada autor acaba contribuindo um pouco para a minha escrita.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Atualmente estou com um romance pronto que está sendo avaliado por editoras. Já recebi uma negativa, mas estou no aguardo de outras respostas. É um momento ruim, também, para submeter propostas, tendo em vista a atual crise no país. Tenho amigos com livros que estavam aprovados para 2015, cuja publicação foi postergada para o ano que vem. Mas estou esperançoso.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho fantástico que o brasileiro esteja se interessando mais pela leitura. Lancei “Bile Negra” na Bienal do Livro de São Paulo em 2014, e admito que nunca havia visto tanta gente no Anhembi. O pavilhão estava apinhado de pessoas vorazes por literatura. Confesso que o gosto mais popular, com histórias de vilões e heróis, personagens da mitologia medieval, romances vampirescos, não são os que mais me atraem, mas só o fato de o Brasil estar lendo mais é fascinante.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que o mercado está vendo o que dá certo, por tentativa e erro. Temos a trilogia dos Cinquenta Tons de Cinza que vendeu muito, mas que é um dos livros mais abandonados por leitores. Muita gente que os leu diz ser uma história até ingênua, em certo ponto, sem novidade alguma. Temos Paulo Coelho, que vende muito mas que é muito rejeitado por críticos literários. Acredito que as editoras têm que investir em novos talentos. Vai que acham um novo Paulo Coelho, sucesso de vendas, por aí, por exemplo?

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Precificação é complicado. Se ele fica muito barato, o autor ganha menos, e pode parecer que o livro “valha menos” em comparação com autores internacionais. Há uma cultura de que o internacional é sempre melhor do que o nacional. Se não dermos o valor correto aos autores nacionais, já saem de cara com uma desvantagem. Fora isso, a diferença entre autores nacionais e internacionais traduzidos é gritante. Logo se vê que é muito difícil você conseguir a mesma riqueza lexical na tradução, quando comparada com um escritor nativo. Isso em todas as línguas. O ideal seria que tanto livros nacionais quanto internacionais fossem mais baratos, acessíveis à população geral.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

“Ensaio sobre a cegueira”, do Saramago. A premissa é genial.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Concerto para Piano no 2, de Johannes Brahms.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

“Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Márques.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Depois de ter concluído meu segundo romance, estou pesquisando para escrever o terceiro. Não posso revelar nada ainda sobre ele, mas como sempre é pra colocar o leitor para refletir sobre suas decisões na vida.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho e acho elas muito importantes. Tanto para o leitor, para se guiar em ler um livro que tenha mais o seu jeito, como para o autor, para divulgar o seu trabalho.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

John Maxwell Coetzee, prêmio Nobel, autor de “Desonra”.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

A maior alegria do escritor são seus leitores. Ouvir de alguém que leu seu livro que as palavras o tocaram, que a trama o mobilizou, que o livro cumpriu seu papel como obra de arte, é a maior recompensa para o escritor.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Gostaria de agradecer muito aos leitores de “Bile Negra” e aos leitores da “Arca Literária”. Aos novos escritores, uma palavra essencial: perseverança.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here