Alexandre Braoios

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou paulistano, mas desde 2009 moro em Jataí-GO, onde sou docente da Universidade Federal de Goiás. Tenho graduação em biomedicina e doutorado em Microbiologia. Atualmente curso  graduação em Psicologia.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou professor universitário há 24 anos. Iniciei na docência no interior de São Paulo, na Universidade do Oeste Paulista e atualmente trabalho na Universidade Federal de Goiás. Sempre gostei muito de escrever, mas como muitos nunca me empenhei realmente. Há três anos fiz alguns cursos de escrita criativa com o Prof. Marcelo Spalding e essa foi a primeira oportunidade de publicação, tendo um conto selecionado para a coletânea Contos de Som e Silêncio. A partir daí participei de diversas antologias da Editora Illuminare com a antologista Rosana Mierling.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

No meu caso, eu acredito que a escrita é uma maneira de concretizar em palavras escritas muitos sentimentos, opiniões, sensações e experiências. É uma forma de libertação. Até mesmo quando se escreve ficção, depositamos nas páginas muito de nós. Certamente isso é enriquecedor. Particularmente, tenho muita necessidade de me expressar e, sem dúvida nenhuma, a escrita é a forma como melhor me expresso.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Ainda não tenho, mas até o final do ano terei um escritório em casa com o único objetivo de servir como meu refúgio para escrever.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Grande parte dos contos já publicados são do gênero suspense/terror. Mas meu primeiro romance é um drama. Tenho um conto publicado na Antologia Mulheres e Meninas que gosto muito, esse conto é o único com uma boa dose de humor.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

O livro Coisas de Menino é meu primeiro romance. Tenho uma preocupação muito grande com questões sociais e como disse, a escrita é uma forma de mostrar meu ponto de vista. Esse livro, que será lançado oficialmente na Bienal Internacional de São Paulo em 31 de agosto, fala sobre abuso sexual infantil. É um livro de ficção baseado em uma história real. Preferi partir de uma história real para dar mais veracidade ao livro. O livro não fala somente do abuso, não quis fazer um livro “pesado” demais, por isso quis dar vida a outros personagens. Por exemplo, tento explorar um pouco a consciência do abusador, as consequências para a criança e a percepção geral sobre o assunto. O título foi trabalhado junto com minha editora e acredito que o livro não poderia ter outro título, foi um casamento perfeito. Em relação aos nomes dos personagens, gosto muito do significado dos nomes e tento adequar pelo menos os nomes dos personagens principais a nomes que tenham um significado condizente com sua história.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Para esse livro li muitos artigos sobre abuso sexual de crianças, li também matérias sobre o perfil psicológicos de abusadores. Pesquisei bastante sobre isso e nesse ponto o curso de Psicologia que frequento ajudou bastante.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

É claro que todos os livros que li acabam por me ajudar na escrita. Mas nesse caso não tive um autor ou livro específico que me servisse de inspiração. Na verdade, a grande inspiração para o mote do livro foi a luta da nadadora Joanna Maranhão quando ela decidiu denunciar ou divulgar os abusos que sofreu na sua infância e adolescência. Graças a ela a lei que prevê a prescrição para o crime de abuso sexual de menores foi modificada. Desde 2012 a nova lei, que recebeu o nome da nadadora, prevê que o tempo para prescrição desse crime deve começar a ser contado a partir do momento em que a criança completa dezoito anos, pois é muito difícil submeter uma criança abusada a todos os trâmites de um processo desse tipo. Assim, a grande questão do livro foi “Como responsabilizar um abusador após a prescrição do crime?”.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Esse é meu primeiro livro individual. A publicação só foi possível graças a uma parceira feita com a Editora Illuminare que tem a honrosa missão de divulgar novos autores. Os custos foram divididos, mas mesmo assim ainda é muito caro para um autor desconhecido. As grandes editoras estão entulhadas de originais para analisar e muitos deles não chegam nem a ser lidos, principalmente de autores desconhecidos. Isso tudo gera um ciclo onde os grandes autores ou aqueles que já são premiados continuam tendo ótimas oportunidades e novos nomes, muitas vezes de talento, não conseguem sequer serem considerados. Mas essa é a lei de mercado. A maioria das editoras querem e precisam do lucro, mas eu acredito que seria muito saudável para a literatura um maior acesso para autores desconhecidos.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Para ser sincero tenho lido muito pouco novos autores. Mas os poucos que li e as notícias e matérias que tenho acompanhado me mostram que estamos vivendo um momento importante, onde novos autores tem surgido e se firmado como boas apostas literárias.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Eu acredito que todos têm seu espaço. Para que surjam autores de excelência é preciso experimentar, dar espaço para todos. É claro que nesse processo muitos não terão a qualidade que se espera de um bom escritor, mas esse boom é necessário e bem vindo. É muito difícil um autor acertar logo de primeira um bom livro. Escrever requer prática e experiência.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Mais uma vez a lei do lucro fala mais alto. É compreensível que uma empresa queira ter lucros, esse é o objetivo de toda empresa. Mas em diversos campos me parece que a lei de mercado acaba por sufocar a área a que ela se destina. Aliar os interesses de uma empresa com a arte é muito difícil. Qualquer manifestação artística parece ser incompatível com o mundo capitalista em que vivemos. Mas sou otimista e acredito que um meio termo deva ser alcançado.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Quase todos. Acho incrível a capacidade criativa dos escritores e outros artistas. Tem histórias que são espetaculares, desfechos inacreditáveis. Diversos livros do Stephen King provocaram isso em mim. Mas falando sobre autores nacionais, o livro Fim da Fernanda Torres certamente é um que acho espetacular e que me provocou esse pensamento.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Preparei um vídeo amador para divulgação (link: https://www.youtube.com/watch?v=W-rp4qjsBDI ) e nele usei a música Sacrifice do Elton John, interpretada de forma inesquecível pela Sinéad O’Oconnor. Acho que essa música é perfeita para ilustrar o livro.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sem dúvida nenhuma Cem anos de Solidão do Gabriel Garcia Marquez e também O Perfume do Patrick Suskind.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, já estou elaborando o próximo romance. Ainda está na fase das ideias, mas certamente ele terá como tema intolerância, preconceito e segregação.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

As críticas são necessárias a qualquer obra. Mas é preciso que o leitor tenha muito critério. Com a facilidade hoje de se montar um blog e com as redes sociais, vemos centenas de auto proclamados críticos. Mas é preciso conhecer mais essa pessoa. Mesmo a crítica especializada não pode ser tida como definitiva. Me lembro de muitas ocasiões que li críticas negativas sobre livros e filmes e quando li ou assisti, gostei muito. O contrário também aconteceu. Então, eu acho que o ideal é que o blog ou crítico que você costuma seguir, tenha um perfil ou gostos parecidos com os seus. É impossível confiar em uma crítica 100%. Muitas vezes é preciso pagar para ver.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Eu sou fã do Stephen King, gosto muito da simplicidade do seu texto e ainda mais da capacidade criativa dele. Certamente eu adoraria que ele lesse meu livro. Outro que me vem à cabeça e que gosto muito é João Ubaldo Ribeiro, um gênio.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Sem dúvida nenhuma, ser lido, ser compreendido, passar o seu recado de forma eficiente.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Acreditem em vocês. Estudem, se aperfeiçoem e principalmente leiam muito, dos clássicos aos populares.

 

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