Além do Fake – Nathalie D. A

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Ainda existe a ideia de que toda a evolução vem no sentido de melhorar a vida do ser humano. Tornar as relações entre os indivíduos mais propícias. Será mesmo? Bem, eu tenho cá minhas dúvidas. A era digital está aí, e é praticamente impossível não ser impactado e influenciado por ela. Não pode-se negar que benefícios inúmeros foram alcançados com todo esse avanço tecnológico.

O advento das redes sociais e aplicativos tem permitido que a comunicação seja cada vez mais instantânea, independente da distância. Isso é ótimo. Mas tem gente que se isola, se prende demais, mergulha de cabeça nesse mundo virtual e abandona o calor humano, o aperto de mão, o abraço, o encontro para a resenha no fim do dia ou fim de semana, a descontração num barzinho…

E os perfis fakes??? Eu mesmo já tive alguns (e ainda tenho, rsrsrsrsrsrs).  Manter contato sem ser devidamente identificado, por quaisquer que sejam os motivos é uma estratégia utilizada por muita gente. Infelizmente algumas dessas pessoas usam desse recurso com planos maldosos e isso é lamentável.

Mas, vamos à nossa resenha.

Além do Fake” é uma publicação da Chiado Editora, lançada no ano de 2016. Já li outros livros bem interessantes dessa editora. A autora chama-se Nathalie D. A, uma gaúcha que mudou-se para São Paulo a fim de estudar Direito. Tem 172 páginas.

Annie é uma adolescente como tantas outras. Viciada desde cedo em redes sociais e chats, mantinha contato com outros perfis fakes. Pessoas para falar sobre qualquer assunto, mas sem ter qualquer elo.  Acontece que sempre há alguém de quem nos “aproximamos” e criamos afinidade. Lembro que na época em que frequentava salas de bate papo, tinha um pessoal que saía do virtual e se encontrava toda sexta feira na praça de alimentação do shopping. Tenho uns três ou quatro amigos que conheci dessa forma, e isso já tem pra lá de 15 anos!

O uso contínuo da internet também era uma espécie de fuga para a garota (o é para muita gente). E também as suas leituras. Morava a pouco tempo naquela cidade, conhecia pouca gente, se sentia só. Características próprias da adolescência.

“Nos dias que não falava com ele eu sentia como se estivesse faltando algo, como se eu tivesse esquecendo de fazer alguma obrigação naquele dia. Eu sentia simplesmente um vazio, um buraco em meu peito. Acho que eu ainda não sabia o que estava sentindo…”

Bem, a garota encontrou um rapaz com quem tinha afinidade, e surgiu ali amizade. Falavam-se todos os dias pelo chat, depois passaram a manter contato por telefone. Chamava-se Thomas e morava em outro estado. Com o passar dos dias a aproximação entre os dois só crescia e ambos sabiam que havia um sentimento mais forte. Ele escreveu uma carta para ela (a história se passa em 2009; é raro alguém escrever cartas hoje em dia) e a menina respondeu, onde expressava aquilo que estava no seu coração. Mas não teve coragem de postar.

Não era a primeira vez que ela experimentava aquilo. Por viver desde cedo conectada, Annie teve um namorado virtual. Isso mesmo! Muita gente já teve. Ele chamava-se Nick. Mantiveram contato por quase três anos, sem nunca encontrarem-se pessoalmente. A menina sabia que sentia algo forte, mas o contato foi interrompido. Agora ela vivia esse “romance” com o Thomas.

A vontade de poder finalmente se conhecerem estava para ser saciada. A mãe do Thomas iria fazer um curso de teatro exatamente na cidade em que a garota morava. Annie ficou animada, ansiosa, nervosa. Em pânico. A possibilidade de ter nosso sonho realizado também pode nos provocar inúmeros sentimentos receosos. Como eles não conheciam a cidade ficou certo da mãe da menina ir buscá-los no aeroporto e ajudá-los a encontrar um local para ficarem hospedados. Vale salientar aqui que ambas as mães sabiam da existência dessa amizade/romance virtual.

Tem uma coisa que me surpreendeu muito. Thomas e a mãe ficaram na casa da mãe da Annie nos primeiros dias. Pensei sinceramente que os dois adolescentes iriam aproveitar para “tirar os atrasos”, pois apesar da vigilância da Jess (mãe da garota), eles tiveram essa oportunidade. Todavia o que se viu foi algo diferente. Havia muita cumplicidade entre os dois jovens, muito a compartilhar e as outras coisas seriam consequência.

Como Thomas estava com tempo livre enquanto sua mãe estudava Annie o levou a vários lugares. Numa das oportunidades em que saíram juntamente com a amiga da garota, um fato aconteceu. Algo totalmente inesperado para Annie. Algo que mexeu profundamente com as suas emoções. E que daria rumo de certa forma surpreendente ao final da historia.

Eu gostei do livro. A temática me desperta a atenção. Além disso, o livro é bem escrito. Não é cansativo e a autora consegue sair do lugar comum, dando outras possibilidades às situações vividas pelos personagens.

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2 Comentários

  1. Parabéns pela resenha, gostei bastante e o livro parece muito interessante. É um tema muito atual.

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