A vida

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Desde criança eu vinha aprendendo que a vida parece um tanto linear: estudar, namorar, encontrar a alma gêmea, trabalhar, casar, ter filhos, viver feliz para sempre. Essa é a ideia geral de uma vida. Bem, para alguns realmente é essa.

Mas a Pós-Modernidade tem nos mostrado (e a vida sempre nos mostrou) que não é bem assim. Que nossa vida não é um conto de fadas medieval (pobres gerações as nossas, que cresceram acreditando, sem querer querendo, na total dualização das coisas e em castelos impenetráveis de amor). E por que digo Pós-Modernidade? É que o que mais caracteriza nossa época é exatamente a desconstrução de padrões, instituições e crenças antigos.

E isso é aceitar que a vida não é (ou não precisa ser) linear.

Que a vida é feita de recomeços, de dúvidas, de não saber exatamente, eu tô aprendendo. Que não se pode estar tão certo de tudo, mesmo seguindo todas as premissas. Que as premissas podem mudar. Que ter a mente aberta não quer dizer arrancar todas as raízes, mas que algumas raízes precisam ser arrancadas para se ir mais longe.

E que cada um tenha a vida que escolher, dentro do que puder optar. E que nos importemos menos com as escolhas alheias, mais com as nossas. E entendamos que cada um é diferente e tem um caminho próprio nesta vida. E o que é bom para um pode não ser para o outro. E o que foi bom um dia, hoje pode não mais ser. E não é necessário sempre saber.

E que a mania de sempre ter respostas e soluções não nos roube o mistério e a emoção que é viver. Que volta e meia haja “outra curva ali”. E possamos ir, voltar, tentar mil vezes ou não tentar.

Nosso maior objetivo só pode ser a felicidade. E ela não é um pote de ouro no fim do arco-íris (como nos ensinam os livros, os filmes, os contos e as regras), mas o próprio arco-íris por onde você caminha – e às vezes ele é bem cinzento.

Caminha e o caminho se abrirá, diz um ditado oriental. Viva e você descobrirá o que é viver para você. Às vezes não é tão linear. Às vezes, dentro de uma só vida você inventa várias vidas. E se reinventa. E de repente, sem perceber, é feliz.

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