A última mensagem de Hiroshima: o que vi e como sobrevivi à bomba atômica – Takashi Morita

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O livro narra, em primeira pessoa, a história do senhor Takashi Morita e sua experiência de sobrevivente da bomba que vitimou Hiroshima. A narrativa está dividida entre as fases da vida de Morita, ele narra o nascimento, infância, ingresso no exército, experiência na polícia militar japonesa, a bomba atômica e a vida no Japão pós-bomba, além da vinda para o Brasil e  sua luta para conquistar o auxilio do governo Japonês como sobrevivente da bomba atômica em Hiroshima.

Takashi foi um sobrevivente desde o nascimento, e ele relata isso no início do livro, com o crescimento, foi cedo aprender o ofício de relojoeiro, o pai considerava que o trabalho era o mais importante para a vida. No ofício, Morita seguiu para sua segunda experiência como aprendiz e no mesmo período se alista ao exercito onde passa por experiências bem difíceis. É interessante ver essa parte da vida dele por contextualizar a vida de um jovem japonês da época e o senhor Takashi detalha bem as circunstancias.

Outro aspecto bacana é que a narração da história de vida de Takashi Morita vem acompanhada das datas de acontecimentos no cenário mundial, contextualizando o que ocorria em Hiroshima e, principalmente, como se desencadearia o ataque à Hiroshima e Nagasaki.

O dia 06 de agosto de 1945, fatídico dia em que os EUA detonaram a bomba sobre Hiroshima é descrito com minúcia. Morita dedica um capítulo a ele que, diferente dos anteriores e posteriores titulados com as fases de sua vida, é registrado exatamente com a data, um marco não só na história do Japão ou do mundo, mas também na historia pessoal de Morita. A devastação causada pela bomba, o sofrimento das pessoas, e vasta área de mortes é narrada com precisão capaz de fazer com que o leitor possa visualizar cada experiência pela qual Morita passou naquele dia.

Os dias que seguiram também são narrados. Neles, Morita e os demais sobreviventes tiveram momentos decisivos entre vida e morte, pois, mesmo depois de passado o perigo da bomba, as consequências do artefato eram desastrosas e a doença que fora chamada de “doença da bomba atômica” fez suas vítimas ao longo do tempo pós-bomba, além da trágica notícia de que Nagasaki também fora vitimada.

Após as duas tragédias, especialmente a de Hiroshima, foco principal da narrativa, a vida dos sobreviventes não foi fácil, como retrata Morita, estigmatizados pelo que passaram e sem o suporte governamental, Takashi decide imigrar para o Brasil em busca de um recomeço, e esse é o tema dos capítulos que seguem, juntamente com sua luta para que ele sua esposa e outros imigrantes no brasil também fossem reconhecidos como hibakusha, termo japonês para tal, pois o governo nipônico se recusava a prestar auxilio aos sobreviventes que tentaram continuar suas vidas  longe do país.

O livro tem uma forte carga emocional e transmite tudo o que Morita, sua esposa e os demais que vivenciaram aquele difícil período passaram. Também permite refletir sobre a guerra, a administração pública de um país em guerra, a culpabilidade dos gestores, o papel dos soldados – peças  que movem uma guerra sem necessariamente terem motivos para dar continuidade a ela – , e a negligencia estatal tanto antes, durante e no pós-guerra pode repercutir nas vidas de todo um povo. Com certeza é uma leitura ímpar, mas que exige um emocional forte, da qual você não sai sem um aprendizado ou uma reflexão sociológica.

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2 Comentários

  1. Parabéns pela resenha.
    Livros narrados em primeira pessoa são sempre muito fortes e principalmente em se tratando de uma história tão triste e uma parte tão sombria da história. Gostei .parabéns.

  2. Ual, massa, na netflix tem um documentário sobre esse dia em que a bomba foi solta e alguns depoimentos dos últimos sobreviventes ainda vivos até a criação do filme. Gosto de livros assim. Parabéns pela resenha.

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