A Última Festa – Lorena Miyuki

1
640

“Talvez eu que não tenha observado direito,

já que desperdicei anos da minha vida

com quem não me observava também”.

(Lorena Miyuki,

in: A Última Festa, 2014)

Qual o momento marcante na sua vida? A autora Lorena Miyuki nos mostra no conto “A Última Festa” que um acontecimento corriqueiro pode ser palco de grandes decisões.

Tenho orgulho de dizer que foi um alento ler A Última Festa, da autora Lorena Miyuki num momento em que, olhando certas notícias e alguns comentários em redes sociais, parece que estamos regredindo a 1930, com o que havia de mais preconceituoso, disfarçado de falso puritanismo. Nesse conto a escritora destaca um dos momentos mais importantes na vida de qualquer pessoa: a última festa antes da formatura do Ensino Médio.

Não é a toa que essas festas, chamadas nos EUA de “Prom” ou bailes, são amplamente retratadas nos filmes, pois vai muito além de uma comemoração, tornando-se um marco de ruptura entre a adolescência e o início da vida adulta. É aquele momento final para acertar os rumos que realmente queremos para nosso futuro.

Exatamente por essas indagações existenciais que Marco, o protagonista desse conto, é acometido durante a festa que deveria ser repleta de conquistas, mas se transforma numa ‘deadline’ para decidir sua relação, até então secreta, com Eduardo. Narrado em primeira pessoa, a autora consegue, na brevidade de 37 páginas, criar personagens profundos e reais. É impossível que o leitor também não se pergunte: o que você gostaria de estar fazendo agora, qualquer coisa que pareça realmente verdadeira?

Não é a toa que “A Última Festa” é um sucesso na Amazon, alcançando o segundo lugar nos mais vendidos de eBooks Kindle: LGBT/GLS. Contudo, considero errôneo o afunilamento em um nicho específico. Sim, se trata um protagonista em uma relação homo afetiva, mas poderia muito bem ser qualquer tipo de relacionamento, pois se trata de um tema universal: o conto fala da necessidade de ser enxergado e ter seus sentimentos validados, assim como isso está intrinsecamente ligado a reciprocidade. Você enxerga as pessoas a sua volta?

Apresentando uma escrita impecável e envolvente, a autora alcança o intento máximo que um conto pode deixar em um leitor: aquele desejo que o enredo se expandisse em um livro. Bem que poderia ter um livro “Depois Daquela Festa”… não custa sonhar.

Um comentário

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here