A marcha dos Javalis – Esther Lya Livonius

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Sinopse:

Varke – A Cidade do Muro. Enquanto seus pacatos habitantes tentam levar uma vida normal, a cruel ditadura militar que governa o país oprime a todos com leis e penas cada vez mais duras.

Em meio a esse cenário de caos, onde uma série de mortes sem explicação amedronta ainda mais a população, uma curiosa garota vai lutar contra tudo e todos para descobrir o que existe por trás dos muros e dos segredos que eles escondem.

Uma emocionante história de amores e desafetos onde, apesar de tudo o que o destino nos reserva, os javalis continuam sempre marchando.

Eternamente.

 Resenha:

A obra possui uma capa bonita por ter um javali estampado e uma cor laranja que destaca o título em letras brancas. As letras são visualmente boas para leitura, assim, como a cor e gramatura do papel.

O livro aborda o cotidiano de pessoas que viram suas vidas mudarem pela chegada dos militares e a personagem Kyia vai além do que é possível para descobrir os mistérios que pairam sobre a cidade de Varke, principalmente na zona proibida. Um misto de sentimentos emana a narrativa do livro, como: amor, ideal, família, liderança, ódio, amizade, poder, morte, guerra e outros.

O casal Kyia e Asir foram até a árvore da amizade para prestar uma homenagem ao amigo Wile, que possivelmente foi morto pelos militares. Eles cantarolavam uma canção tradicional e milenar em respeito aos mortos, enfeitava com flores coloridas o tronco, eis que se aproxima o Major Gowon que começa a indagar com arrogância e hostilidade os jovens, afirmando que rituais eram proibidos.

 “– Rituais? – perguntou Kyia olhando abismada. – Ritual fúnebre? Desejar que a alma do meu melhor amigo descanse é considerado ritual fúnebre? E o governo tê-lo matado é considerado o quê?

O major arregalou os olhos, e Asir sentiu o coração pulsar loucamente ao ver o homem segurar forte a arma pendurada no quadril largo.

– Suicídio ou homicídio? – questionou ela.

A raiva era a única coisa em comum entre Kyia e Gowon. Só que enquanto um podia atacar com palavras, o outro atacava fisicamente.

Um tapa foi o suficiente para calar Kyia”.(p.25)

A jovem Kyia não se conforma com o rumo que as coisas em sua cidade estão tomando e a sua curiosidade pode custar até a sua própria vida, de seus familiares e amigos. Inconformada com o toque de recolher, mortes sem explicação, zona proibida e uma onda de censura, a moça sai da sua zona de conforto e começa a investigar os militares e em especial o Major Gowon.

 “Vivemos num mundo onde falar é restrito. Ler é limitado. Escrever é censurado. E pesquisar é ilegal. Isso tudo por que nos escondem algo…”. (p.33)

A escritora Esther Lya consegue magnanimamente prender o leitor até o fim da história de uma forma prazerosa e não cansativa. Por ela ser uma historiadora a narrativa histórica foi instigante e esse fato me levou a pesquisar se alguns assuntos abordados eram verdades ou da própria criação da autora. Aprender com um livro é muito bom e levar valores antes não conhecidos, como a simplicidade e a profundidade que representa uma tatuagem de pinguim (representando o amor eterno) e do javali (inteligência, liderança e outros) faz toda a diferença.

A obra é recomendada para todos aqueles amantes da boa literatura, e é também um orgulho por ser um livro de uma escritora brasileira, com toda sua particularidade na arte da escrita e que termina a obra de uma forma espetacular, com gostinho de quero mais. Espero ansiosamente por A marcha dos javalis: a continuação!

Resenha de Fernanda Avelar, resenhista do Arca Literária

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