A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe

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Foi próximo ao final de 2013 que eu comecei a ler “A Máquina de Fazer Espanhóis”. Comprei-o numa promoção da Cosac. Não consegui passar de dez páginas; achei o livro muito, muito cansativo e coloquei-o de lado. Dois anos depois resolvi dar outra chance ao romance do Vitor Hugo Mãe. A leitura fluiu. Me empolguei e me encantei. Mas o encanto não durou até o final…

Antônio Jorge da Silva, barbeiro aposentado, perde a sua querida Laura, companheira de tantos anos. O ancião é levado pela filha a uma casa destinado à idosos(as), onde passa a conviver. O “Sr. Silva”, como é chamado, passa a nutrir sentimentos de revolta para com a filha, pois acha injusto ser largado naquele ambiente. E adquire ódio pelo filho, que sequer compareceu à cerimônia de sepultamento da mãe.

Para completar, decide não manter relação com qualquer pessoa; isola-se no seu mundo, permanece mudo.

Até que o contato com outro interno muda essa realidade. Trata-se do “Esteves sem metafísica”, homem que é mencionado pelo poeta Fernando Pessoa no poema “Tabacaria”. O “Sr. Silva” passa a ser um cara comunicativo, interage com o outros presentes ali naquele ambiente. Ele também passa a relembrar de várias situações ocorridas ao longo de sua vida, e também a rever alguns conceitos, inclusive os sentimentos sobre ox filhxs.

Eu particularmente achei a leitura chatíssima depois da metade. Mas li até o fim. Acho que o autor poderia ser mais objetivo em muitas partes. A forma como o livro é narrado – em prosa – e a linguagem utilizada afastam de cara um leitor menos exigente. Mas essa forma de escrita é interessante. Foge dos clichês. No início do livro, o Antônio Silva conversa com o recepcionista do hospital (que também é Silva, e que depois vai parar na mesma casa para idosos) onde a Laura esta internada. A forma como ele expressa o amor que sente pela esposa e da importância dela na sua vida é de uma beleza e ternura formidáveis.

Se você gosta de livros tipo Nicholas Sparks, Jojo Moyes, Lucinda Riley, ou outros autores mais leves, esqueça do Hugo Mãe. Mas também pode ser a oportunidade de você experimentar outro tipo de leitura.

Resenha de Renato Neres

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