A Lenda de Ruff Ghanor – A Lenda do Garoto Cabra – Leonel Caldela

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Alguns pontos devem ser levados em consideração ao ler esta história, por isso começo esta resenha já avisando de antemão: O ambiente que a história é narrado é um mundo medieval fictício, com fortes influências de jogos de RPG de mesa, animações como “Caverna do Dragão” e dos videogames. Ao Ler este livro, tente imaginar assistindo um desenho animado, vendo uma cutscene de um grande game atual e etc… se você está habituado com esses mundos, bem-vindo! Aqui começa uma divertida e empolgante jornada!

Como a própria sinopse oficial indica, o livro aborda o drama da população escravizada por um tirano draconiano, o último Dragão Vermelho: Zamir. Os servos e soldados de Zamir vão desde humanos ricos e influentes, até mesmo mortos-vivo. A esperança e luz de muitos se encontra nos sacerdotes de santos, nossa aventura começa no mosteiro de São Arnaldo, que é um santo milagreiro dos miseráveis e aflitos, seus milagres enquanto vivia no mundo mortal era de alimentar e curar os pobres. Isso faz com que os sacerdotes sejam responsáveis por vilarejos mais pobres, criar animais e outros suprimentos para alimentar a população (que tem que pagar altos impostos e ceder familiares como escravos e mulheres como objeto sexual dos exércitos de Zamir).

A dificuldade de viver em mundo desses cheio de opressão é muito bem descrita pelo autor, que aliás é um autor jovem e cheio de talento, quando comecei a ler o livro notei referência às magias, comportamento e estrutura das cidades semelhante ao RPG 3D&T/Tormenta publicado pela antiga revista Nerd brasileira chamada Dragão Brasil, ao fim do livro lendo os agradecimentos do autor, vi que Leonel Caldela não só era o autor das histórias e um dos co-criadores do mundo de Tormenta como ele recentemente publicou livros com romances desse mundo do meu antigo RPG simplificado jogado na hora do recreio na escola. Essas memórias e bons sentimentos da infância e adolescência fizeram gostar ainda mais da história de Ruff Ghanor, O garoto-cabra!

A jornada do herói, fórmula contida em milhares de histórias com um protagonista que precisa evoluir para vencer um vilão que aterroriza a todos é obviamente presente aqui, desde a sinopse podemos ver claramente isso, o que torna tudo especial é como isso acontece, e é assim que bons livros tem que ser, com uma história engraçada, envolvente, empolgante, que te aguce a curiosidade e que te faça imaginar as partes que não são contadas no livro. Afinal, como um menino nu, sujo, que mal sabe falar o próprio nome e cheio de sangue dos animais que matou quando tentaram o atacar, irá conseguir matar um dragão que pesa toneladas, é quase do tamanho de uma pequena montanha, sabe usar magia e tem um exército com uma quantia infinita de soldados? Essa dúvida faz você ler para saber se é realmente possível isso, e leiam, vale a pena! Se divertirão e se emocionarão na jornada de Ruff!

A amizade, respeito, amor e outros valores preciosos para as relações humanas são bem debatidos, certamente você irá se identificar com pelo menos um dos dilemas de Ruff e os amigos que ele irá fazer durante a jornada. Também irá odiar pelo menos dois ou mais personagens que irão aparecer. Certamente você ficará ansioso para saber como a jornada de Ruff irá terminar, pois cada capítulo te toca emocionalmente e faz se comunicar com a história.

Algumas referências ao nazismo como Zamir, o Tirano ordenar queimar livros para destruir o conhecimento do povo e impedir que ele seja questionado ou derrubado é bem interessante, preste atenção neste arco, um ponto crucial da história será apresentado ali mas não darei spoiler. Leia. Algumas referências ao nosso mundo real também existem lá, assim podemos nos identificar e sentir pena ou raiva de alguns personagens, mas tudo é feito com maestria e ótimas justificativas. Como alguns sacerdotes ricos e esnobes que só pensam em dinheiro, crianças que sofrem bullying porque a mãe é a prostituta da Taverna e etc…

A narrativa é em terceira pessoa, não é muito descritiva, mas é muito boa, te faz imaginar o local e criar um mundo de acordo com o que você já jogou/conhece/imaginou. Alguns pontos me lembraram os mundos do jogo Zelda, The Witcher, outros de Final Fantasy, enfim você acaba mergulhando na aventura e se sentindo familiar, alguns desenhos no livro também ajudam a entender como são algumas paisagens… Se você nunca jogou nenhum desses, não tem problema, sua mente irá imaginar lugares magníficos que já tenha visto em alguma situação.

Os diálogos são os necessários para determinar ação e decisões dos personagens, todos são acompanhado de emoções e julgamentos que te fazem ficar no meio do muro algumas vezes, talvez até ficar sem opinião de quem está correto em uma discussão bem argumentada, situações que questionam se os deuses realmente existem ou o povo está sem fé, se Zamir é realmente um vilão ou um protetor do mundo. Mas ao final, quando tudo desenrola e se conecta, mesmo você tendo suas convicções, sua cabeça explode e fica ansioso para mais aventuras de Ruff Ghanor! Uma ótima pedida para todo Geek, Nerd ou leitor de fantasia!

Embarque nessa aventura, irá se divertir, dar boas risadas e ponderar sobre muita coisa. Além de ajudar O Garoto Cabra a cumprir sua missão! Que São Arnaldo nos ajude!

Resenha de E. F. Costa, resenhista e autor parceiro

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