A Jovem Alessia – Louise Bennett

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França, século XVIII. Alessia é uma jovem simples e inocente, que vive numa fazenda vinícola com o pai, um conde amargurado que não tem carinho pela filha. Convidada pela princesa Anna, Alessia vai passar uma temporada na corte do rei Henri, seu padrinho, e lá se apaixona pelo jovem capitão Marcus de Lanpré, principal oficial da guarda real e braço direito do rei. Sofrendo por um amor impossível, já que era nobre e Marcus, um plebeu, Alessia enfrentará muitos obstáculos. Há lutas de espadas, festas, bailes, guerras, intrigas e um final inesperado! A descoberta do amor e do sexo, a vida conjugal e o valor das amizades, em meio a conflitos pessoais e familiares, recheiam este romance. Embora os muitos diálogos utilizem as formas verbais da segunda pessoa para dar um toque de época, o livro é fácil de ler, apresentando uma narrativa rápida.
O livro foi escrito com inspiração em antigos e consagrados romances juvenis da literatura internacional, tais como: “O Conde de Monte Cristo”, “Mulherzinhas”, “Ivanhoé”, etc., mas traz seguramente a marca da modernidade. As situações retratadas no livro não descrevem nenhum trecho da verdadeira história da França ou das famílias reais que lá viveram. No entanto, os detalhes históricos, principalmente sobre sucessão monárquica, sobre história dos costumes e outros de maior relevância, foram minuciosamente pesquisados com o intuito de dar veracidade à história.


O Minueto é uma dança aristocrática do século XVIII,de origem Francesa,cujo estilo de música homônima era executada por pianistas e orquestra nos grandes salões dos castelos para diversão da corte e nobreza.Caracterizada pela graciosidade de movimentos, os pares revezavam-se durante a contradança,distanciando  e reunindo os pares originais,com garbo e elegância.Alegres ( alegretto) e vibrantes(staccatos) o Minueto difundiu-se rapidamente pela Europa e era como a nobreza da época: despreocupada,superficial e com troca de poder frequente,através de casamentos arranjados, hipocrisia, mentiras e conchavos políticos.

A jovem Alessia  da autora Louise Bennett é um romance de época ambientado na Corte francesa .Romance ficcional,inspirado em fatos reais . Alessia,protagonista da trama,é filha do Conde Duchamp e afilhada do Rei Henri ,”o Bondoso”.

Alessia é muito querida pelo rei e especialmente por sua filha, a Princesa Anna.

Criada em reclusão na fazenda dos Duchamp, Alessia pouco sai para passeios fora da propriedade, e nas raras ocasiões em que o conde permite tais passeios, a jovem Emilie  acompanha Alessia sem perdê-la de vista.

Num desses raros passeios, Alessia admira-se ao conhecer o guarda real Marcus,amigo de Louis,guarda real da princesa. O encanto inicial se transforma em amor quando Alessia,por intermédio da voluntariosa e rebelde Anna, é convidada pelo rei para o baile de  aniversário da princesa e a Anna ainda consegue  pedir ao rei para convencer ao conde a enviar Alessia para uma temporada na corte.Apesar do rei ter o guarda real Marcus em alta conta,Marcus não passa de um plebeu,o que inviabiliza o romance entre ele e a nobre Alessia.O conde então  promete(Vende) Alessia  em casamento para um nobre da corte.

Por sua vez, Anna esconde um segredo compartilhado apenas por Louis,durante as cavalgadas da tarde em que comumente saem juntos por incursões além da fronteira do castelo. Num dessas cavalgadas, porém, Anna irá sozinha e acabará por provocar um incidente diplomático com a Germânia, encerrando assim anos de paz na França.

A sensação que me causou ao iniciar a leitura do romance A jovem Alessia é que a autora o construiu através de revelações que se sobrepões aos poucos, como compassos melódicos de uma sinfonia. Inicialmente alegres e mesmo frívolos, aos poucos a trama revela a angustia com que Mozart imprimiu à belíssima, porém triste Sinfonia N°40.

Ora alegres, ora tristes, a cadência da narrativa alterna momentos graciosos como “Alegrettos” e outros intensos, revoltosos, repletos de politicagem e disputas de poder. É quando a obra é tocada imprimindo o tom  “Fortíssimo” ou ainda  a  tristeza dos “Adágios”.

O acorde final da trama,vale a ressalva, merece aplausos!

Bravíssimo!

Resenha de Michelle Louise Paranhos, resenhista do Arca Literária e do Café Literatura

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