A Jornada de Tony Farkas – Operação Guarulhos – Vol.1 – R. G. Werther

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Já falei em outra resenha que em matéria de livros algumas temáticas eu leio apenas por indicação ou se algo na sinopse despertar meu interesse. Histórias que trabalham com distopia enquadram-se nesse perfil. Deixei pelo caminho alguns títulos que para mim eram confusos demais ou de narrativa muito amarrada. Hoje irei falar de uma história que merece ser lida.

Lançado pela Editora Autografia em 2017 e com 270 páginas “A Jornada de Tony Farkas – Operação Guarulhos” é o primeiro volume da série escrita pelo R. G. Werther. Uma mistura de suspense, ficção e aventura.

A história é narrada em primeira pessoa, pelo protagonista da saga, o próprio Tony. O ano é 2070. O mundo vive o caos, consequência da Terceira Guerra Mundial que explodiu em 2045. Afeganistão e Iraque de um lado, e no outro Japão, Inglaterra e França. Diversos lugares em todo o planeta encontram-se devastados, em total estado de calamidade. O fogo oriundo de todo tipo de armamento também atinge as calotas polares, causando o derretimento das mesmas de forma muito mais rápida. Sem ter muitas opções para onde fugir, as pessoas procuram refúgio nos países menos atingidos.

No Brasil, a situação também encontrava-se caótica. As pessoas viviam presas em suas residências, temendo serem vítimas da Manobra Limpeza, uma espécie de extermínio de alguns grupos e reconstrução da sociedade apenas com pessoas consideradas “nobres”. Quem fosse encontrado e não preenchesse os requisitos exigidos, era morto sem qualquer compaixão.

Você não está sozinho no mundo. Há outros como você… Eu vim aqui lhe dizer que ainda há uma chance para todos nós. Todo sábado, ao meio dia, um avião cargueiro … estará no Aeroporto Internacional de Guarulhos esperando por sobreviventes” (pág. 34).

Os pais do Tony haviam morrido, e o garoto encontrava-se sozinho. Ficou muito tempo escondido e as poucas vezes que se aventurava em sair à procura de comida, tomava todo o cuidado possível. Foi numa dessas saídas que ele encontrou aquele que se tornaria o seu único amigo, o único ser com quem mantinha contato, o cãozinho Max.

Ele encontrou uma gravação clandestina, que dizia existir outros sobreviventes. O áudio também falava de um avião que saía aos sábados do Aeroporto de Guarulhos com destino à Brasília, local considerado seguro. Diante do que acabara de ouvir, o rapaz decide arriscar e ir até lá.

No trajeto, algo inesperado acontece. Os milicianos acabam encontrando o garoto, e quando estão prestes a liquidar sua vida, Tony é salvo. Um grupo de sobreviventes resgata o rapaz, e decide lhe dar acolhida, verificando antes quais as intenções dele. Paco, o líder do grupo, tem muita resistência a presença do desconhecido, mas termina por ceder. Alguns dos personagens que passarão a fazer parte do cotidiano do Tony são: Dinho, Beto, Clara, Sofia.

– Muito bem! Vamos voltar Tony. Acho que você já teve a sua cota de verdade por hoje” (pág. 184).

Durante a convivência com o grupo ele conta sobre a gravação e os seus planos de se dirigir até o Aeroporto e conseguir embarcar para Brasília. Esta informação termina por contagiar alguns, que se unem ao Tony no mesmo objetivo. Mas, as coisas irão ganhar um rumo totalmente diferente, e nosso protagonista aos poucos irá descobrir que nem tudo é o que parece!

A narrativa é extremamente dinâmica. Os fatos se sucedem de forma lógica, coerente, e no ritmo certo. A reunião de alguns elementos na trama ajudou bastante no seu enriquecimento e bom desenvolvimento. Além do clima presente, que nos instiga a querer saber o que irá acontecer, o autor trabalha algumas questões que podemos enxergar no nosso cotidiano. Em uma entrevista, ele revelou que as manifestações de 2014 serviram de inspiração para a construção de alguns fatos presentes na obra.  Há referências mencionadas que ajudam a compreender alguns momentos históricos, como também situações atuais.

Uma das coisas que muito me agradou na leitura é a associação que é possível fazer, em alguns momentos, com coisas que eu já conhecia. A relação do garoto com o cão Max me levou ao filme “Eu Sou a Lenda”. O nome do cachorro me fez recordar de Mel Gibson em “Mad Max”. Em determinado momento, Tony está tranquilo escutando “Ribbon in the sky” do Stevie Wonder e lembrando do pai. Obrigatoriamente eu tive que acionar o Youtube e procurar a música, uma das minhas favoritas.

Por se tratar de uma série, o final deste primeiro livro deixa um grande ponto de interrogação na cabeça do leitor. O que fazer então? Esperar o R. G. Werther dar continuidade a aventura do Tony Farkas para sabermos o destino do protagonista.

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