A.G. Olyver

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 1. A. G. Olyver para nós é um grande prazer entrevista-lo. Conte-nos quem é AG Olyver??

A. G. Olyver é um sonhador, um criador de histórias, antes de um “contador”. Amo criar histórias, sejam para quadrinhos ou para livros, seja conto ou diálogo. Amo criar.Desde pequeno a imaginação tem sido uma grande aliada e, já na adolescência, aprendi que ela podia me dar mais do que apenas histórias; sendo assim me tornei um grande amigo dela. Sou uma pessoa tranquila de se lidar, bastante atenciosa – apesar de um pouco desligada – que tenta sempre fazer com que a experiência de quem estiver falando comigo seja boa. Gosto de fazer amigos. Sempre se aprende algo novo, mesmo que de um estranho. Tudo é experiência para mim. Um fato, talvez curioso sobre mim é que, ao contrário da grande maioria dos escritores que acabei conhecendo, eu não gosto de ler literatura. Dou prioridade a livros didáticos aos literários. Pode parecer ruim um “escritor que não lê”, mas não leio literatura; em compensação leio muitos outros livros. Não leio literatura porque a mim me parece que estou perdendo tempo – não pelo trabalho do autor ser ruim ou coisa assim – porque poderia estar criando ao invés de estar lendo. É difícil de explicar sem parecer ruim (risos), mas é a verdade. Gosto de criar a cada minuto e por isso me dedico a ler apenas o essencial para aprender mais.

 2. Qual seu estilo literário?

Segundo o Léo Kades, editor chefe da Editora Dracaena, é o “estilo A. G. Olyver” (risos). Talvez isso ocorra já por não ler trabalhos de outros autores e, de certa forma, mantém minha escrita bem particular. Sobre gêneros eu não poderia – e nem gostaria – de permanecer em um único tema. Gosto de fantasia, gosto de romance, gosto de ficção científica, gosto de suspense… Então é difícil. Sempre tento desenvolver uma boa história, seja ela o gênero que for e tento mantê-la o mais fiel à minha escrita particular possível.

 3. Qual seu público alvo?

Isso depende do gênero que escrevo; mas geralmente o juvenil. Os jovens de hoje têm um gosto mais eclético do que tinham antigamente e isso facilita nosso trabalho de entretenimento – porque é isso que fazemos a princípio, entretemos – precisamos saber o que querem para dar a eles os sonhos de que precisam. O juvenil é sempre um bom público. É claro que não se pode agradar a todos, as pessoas são diferentes em tantos aspectos, mas tentamos sempre fazer o melhor. Como eu disse uma vez: Se pudermos inspirar uma pessoa a seguir seus sonhos com um texto, então fizemos o nosso trabalho.

 4. Quais seus autores e estilo favoritos?

Como já disse, não sou um ávido leitor de literatura, mas dos que li – muitos podem querer me atirar pedras – Paulo Coelho é o meu favorito. Isso acontece pela simplicidade do texto. Ele não tem enrolação nem firula e seus livros não tem mais de 200 páginas; ainda assim é o autor brasileiro mais lido no mundo e uma lenda na literatura mundial. Acho que temos que dar algum crédito a ele, porque de graça é que não foi que ele chegou a esse status, não é? Então se alguma coisa eu absorvi dele foi que, não importa o meu texto, não importa o estilo, nem o gênero, mas eu preciso sempre ter algo a passar naquele livro que estou escrevendo. Preciso ensinar algo para que não seja apenas entretenimento, mas também algo para refletir, algo para melhorar a vida de quem lê a obra.

 5. O que te motivou a escrever o livro Lady Lake? Quando sentiu que estava pronto para publicar seu primeiro livro? Alguém o incentivou, como foi esta iniciativa?

Sempre amei criar histórias e Lady Lake não foi a primeira, mas foi a que mais me satisfez na qualidade. É um texto que ainda hoje me surpreende, e por esse motivo investi na energia para publicá-lo. Senti que, com ele, estava pronto para me jogar na literatura. Considero Lady Lake o meu amadurecer literário, por assim dizer. Incentivo sempre tive. Minha família é especial por isso mesmo; por incentivar a corrermos atrás de nossos sonhos, sejam eles quais for.

 6. Fale-nos um pouco sobre o livro Lady Lake

Lady Lake é um texto especial. Fala sobre amizade, sobre confiança. Não sobre romance entre um jovem e uma jovem, nem sobre um lobisomem, nem sobre vampiros ou anjos, não. Ele fala sobre uma garota insegura, acima do peso com baixíssima auto-estima. Essa garota, chamada Bonnie, cresce muito durante o decorrer da história graças a uma nova amiga. Essa amizade é que a faz florescer e esse crescimento é o foco principal do livro. Ele ensina a ver a vida com outros olhos, a ter mais coragem, mesmo quando tudo está contra nós. Desistir nunca é uma opção. Lady Lake é um livro que involve e toca diretamente na alma. Tive sua inspiração vendo uma imagem: o quadro de uma fada, chamada Leanan Sidhe, musa dos artistas. Uma das personagens tem muito de Leanan, a Elizabeth. Ela é quem inspira Bonnie a se aceitar e melhorar cada vez mais, a acreditar em si mesma e ser corajosa. É um livro fenomenal – mesmo sendo eu suspeito para falar.

 7. A. G. Olyver o que mais lhe inspira a escrever?

Certamente o que mais me inspira a escrever é poder também inspirar. Acho que todo autor deveria procurar levar algo além do entretenimento. Temos talvez, a obrigação de inspirar, de ensinar, de ajudar os nossos leitores. Ser escritor é ter uma responsabilidade nas mãos tão grande, que uma palavra, uma frase certa pode, para certos leitores, ser um renovador de esperanças; assim como uma frase errada, pode ser aniquiladora. Por isso devemos sempre tentar, mesmo que nos textos mais tristes, inspirar coisas boas em nossos leitores. Temos essa responsabilidade.

 8. Fale-nos sobre o atual momento literário do Brasil. quais as principais dificuldades que você encontra, hoje, para publicação de livros?

Acho que o momento literário no Brasil nunca esteve tão bom. Existem muitos escritores novos fazendo trabalhos incríveis e a cada minutos um novo livro é publicado. Há alguns anos isso era raro, hoje é comum e isso é extraordinário. Existem muito mais leitores hoje e por isso a demanda de livros é muito maior o que dá espaço para novos autores se aventurarem nesse mundo. Infelizmente muitos desistem por encontrar certas dificuldades na publicação, mas pecam nisso, porque tambéme existem muitas ferramentas para publicar seus textos até que uma editora queira trabalhar com ele.

 9. Quais são seus projetos literários? teremos novidades para 2014? Quais?

Talvez para o ano de 2014 ainda não encontremos livros novos nas livrarias. Eu sou um escritor muito atencioso com minhas histórias e isso significa muita, mas muita pesquisa. Estou escrevendo três livros no momento: “Lady Price” (continuação de Lady Lake), “A Saga Draconiana – Sophie Dupont e os Lordes Dragões” (Sequência de A Saga Draconiana – Sophie Dupont e o Drakkar de Prata) e “O Conde”. O Conde é o que mais me toma tempo devido aos detalhes. Estou escrevendo-o há três anos e está na metade… talvez nem na metade, mas desse não tenho pressa. Esse será o meu legado na literatura (risos).

 10. Quais os maiores problemas encontrados pelo autor na publicação de seu livro?

Com todo o respeito aos leitores do Arca, mas vou usar as mesmas palavras de um amigo sobre essa pergunta: “No Brasil, o autor, além de ser estuprado pelas editoras, ainda tem que comprar a vaselina”. Tive sorte com a minha editora. O Léo sempre correu atrás da máquina para fazer o possível para que Lady Lake estivesse nas maiores livrarias e, claro, conseguiu. Devo muito a ele e a Dracaena. Mas no geral, no Brasil, é muito difícil conseguir uma editora que aposte no seu livro pelo texto, a grande maioria quer o seu dinheiro. Você paga tudo, inclusive a impressão. Na verdade, você paga para ter o selo da editora na capa de seu livro e se beneficiar da distribuição e é isso. No Brasil é raro as editoras fazerem como as editoras do RESTO DO MUNDO! (a caixa alta é de propósito, para ver se acordam!) NO resto do planeta, se uma editora gosta do seu texto, ela lhe paga por ele e publica. Você não gasta um centavo além do correio para mandar-lhes o original no incício do processo. NO Brasil isso ainda é muito raro. Nesse quesito estamos muito atrasados. Se o texto é bom, acho que a editora deveria apostar com ele, porque para o autor, desembolsar uma quantia astronômica, para ter o prazer de ver seu título na livraria, nem sempre é válido. Pode parecer que não, mas escritor também come, bebe e veste roupa. Escrever é um trabalho e precisamos ganhar por isso, porque… se precisarmos trabalhar em outra coisa, não teremos tempo para escrever e ai… morre um escritor. No Brasil, mesmo um grande escritor encontra essas dificuldades, o que não é justo e é triste. Por isso temos três escritores famosos brasileiros apenas, enquanto o resto do mundo tem um monte…Não é pelo nível do escritor, é pela falta de apoio.

 11. Dê uma dica para os jovens escritores nacionais que querem ter seus livros publicados.

A clássica: Não desistam. Há dificuldade, mas também há ferramentas. Busquem recursos, façam blogues. Ninguém lança um livro e fica rico (não no Brasil). Mesmo o Paulo Coelho, com seus mais de cem milhões na conta, levou quase dez anos para começar a ficar famosos pelos seus livros e isso que ele tinha Raul Seixas de padrinho… então para nós reles imortais, pode ser um pouco mais difícil, mas jamais impossível. Nada é impossível. É tudo uma questão de persistência e foco. Lembrem-se que, se a cada vinte editoras, dezenove dizem não… basta que enviemos vinte originais, porque só precisamos de UM sim. Não desistam porque lhe disseram NÃO, porque na maioria das vezes não é pela qualidade do seu trabalho. Existem N fatores que levam uma editora a dizer NÃO e muitas vezes, quem perde é eles, porque deixam de ler o que negaram, pois vão só pela sinopse e sabemos que nem sempre a sinopse tem a qualidade do texto (deveria, mas nem sempre tem). Por isso tenham coragem e, como disse Christina Aguilera uma vez “Não permita que as críticas alheias definam quem você é”. Não desistam.

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