A Desconhecida – Mary Kubica

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1943

A Desconhecida é um suspense psicológico surpreendente. O livro se inicia de forma muito tranquila, contando a história de Heide, uma mulher que trabalha com questões humanitárias, ajudando refugiados.

Heide possui uma filha chamada Zoe e um marido que no início da leitura me pareceu um pouco desleixado com sua família, apesar de demonstrar carinho pela mulher e filha, atenção não é o forte de Chris. Mas no geral, somos apresentados a uma família normal, formada por um homem que trabalha muito, uma mulher com um coração gigante e uma adolescente que oscila entre a rebeldia e a naturalidade, atitudes bastante comuns para jovens da sua idade.

Conforme vamos adentrando na história conhecemos Willow, uma jovem que Heide passa a observar todos os dias na estação de trem com sua bebezinha Ruby no colo. Como já era de se esperar, devido ao trabalho que realiza, Heide sente-se tocada por de Willow e sua filha e em um momento de coragem, se aproxima, oferece ajuda e leva as duas para dentro da sua casa e é então que as coisas começam a mudar naquela casa de família aparentemente normal.

O livro possui uma capa muito interessante e o título do livro traz algumas letras separadas e invertidas, o que para mim simbolizou todo o drama e as surpresas que a história reserva. A capa nos mostra como situações que parecem óbvias podem ser invertidas e como de uma hora para outra os fatos e as pessoas podem mudar de posição. Não é um livro grosso, pode ser lido em poucos dias, até por que a história consegue prender a atenção do leitor e fazer com que desejamos saber como será o final e quais segredos a história reserva.

A história é contada em primeira pessoa, na maior parte do tempo pela Heide e pela Willow, mas em algumas outras vezes podemos observar a história através do ponto de vista do Chris, marido da Heide e isso é muito interessante, pois nos possibilita ter mais intimidade e proximidade com os personagens, compreendendo os seus medos, suas dúvidas e desejos. Os personagens são simples, mas ao mesmo tempo muito complexos, fáceis de compreender em alguns momentos, mas bastante complicados em outros, ou seja, são simplesmente muito humanos e com defeitos e qualidades que todas as pessoas possuem.

Gostei muito desse livro, achei muito interessante a forma como a autora foi abrindo a história aos poucos, nos fazendo juntar os pontos a cada página, descobrindo os mistérios de cada personagem e os motivos que levaram cada um a seguir determinado caminho. O livro trata de temas polêmicos, tristes e principalmente de problemas que na maioria das vezes a sociedade, o poder público e as vezes a própria família não enxerga ou trata com descaso, como por exemplo os casos de abuso infantil. Observamos durante a leitura como a sociedade na maioria das vezes pune mais a vítima, do que o agressor.

Observamos também como pessoas com distúrbios psicológicos passam despercebidas até mesmo pela própria família e como a falta de um diagnóstico, tratamento e um acompanhamento sério pode inclusive colocar em risco a vida da pessoa e de todos que estão ao redor. A autora chama a atenção para pessoas que mesmo morando na mesma casa, são distantes porque não conhecem profundamente um ao outro e não percebem ou não se esforçam para perceber quando o outro precisa de ajuda.

Indico esse livro para quem gosta de suspense, de desvendar mistérios, para quem gosta de um drama real, com muito foco na realidade e nas dificuldades e vulnerabilidade humana. É um livro forte, mas muito interessante e nota-se que a autora buscou ao máximo trazer leveza para as situações. Se são livros com finais surpreendentes e difíceis de adivinhar que você gosta, então esse certamente será uma ótima escolha.

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Até breve,

2 Comentários

  1. Muito interessante a história, fiquei curioso para saber o final, os segredos que a história esconde. Parabéns pela resenha,

    • Obrigada Guga, continue acompanhando as resenhas e realmente a história tem um final bem diferente do que eu imaginei no início da leitura.

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