A aventura de um pai solteiro com sua filha adolescente

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A aventura de um pai solteiro com sua filha adolescente

 

Sempre tive vontade de ser pai. E de uma menina. Nesse sentido fui abençoado duplamente. O que não esperava era me tornar um pai solteiro.

Existem pais que pagam somente a pensão, fazem visitas ocasionais, compram presentes e está tudo bem. Não está tudo bem.

Um pai tem que estar sempre presente, participar da educação dos filhos, perguntar e acompanhar o rendimento escolar e da saúde.

Quando a minha filha nasceu, sem medo de parecer clichê, foi um dos dias mais felizes da minha vida e sempre fiz questão de ajudar em tudo o que fosse necessário. Desde trocar a fralda ate fazer a mamadeira. Brincar com ela então, não era obrigação, era prazer.

Até por estar sempre presente, quando eu a mãe dela nos separamos foi um choque para todos, principalmente para nossa filha, que mesmo sendo madura para a idade dela ainda tinha que conviver com os pais longes um do outro.

Mesmo quando ela foi morar com a mãe no Recife, indo morar do outro lado do país, nunca fiquei distante. Estava sempre presente. Comprei um telefone e um chip para poder falar com minha filha a hora que eu quisesse.

E para minha alegria ela sempre manifestou o desejo de morar com o pai. Depois de quatro anos distante, eis que ela vem morar comigo. No início foi só festa, mas depois vieram as obrigações e aí a situação se tornou diferente. Ela entendeu, um pouco tarde, que tinha obrigações e que agora não eram só férias, onde vinha só para brincar. Claro que às vezes eu que ia visitá-la e assim pegava uma praia, porque ninguém é de ferro.

Não foi fácil a reintegração da família, mas depois nós nos adaptamos à situação e a relação começou a fluir mais naturalmente.

Até que ela manifestou o desejo de voltar a morar com a mãe. Não fiz nenhuma objeção, afinal era um direito dela, no entanto, assim que ela voltou a morar com a mãe, não passou um mês já quis voltar a morar com o pai novamente. Se eu fiquei feliz? Com certeza. Afinal, se tenho uma razão maior da minha vida, só pode ser minha filha.

Estamos morando só eu e ela, vivendo uma aventura a cada dia, descobrindo as necessidades, obrigações, os lados mais difíceis de cada um.

Minha filha está prestes a completar quatorze anos de idade. Já uma adolescente, uma mocinha.

Já tivemos muitas conversas sérias sobre o mundo. Fui uma das primeiras pessoas a conversar com ela sobre menstruação, e falamos sobre sexo sim, de uma maneira que ela possa entender dentro da idade dela, mas sem rodeios. Brigo com ela quando preciso, elogio (porque filho precisa também de elogio), tento, na maioria das vezes ensinar as coisas, mesmo que ela não tenha muita paciência (nisso ela puxou a mãe). Gostamos de muitas coisas em comum, e isso ajuda no relacionamento. Ajuda também conhecer os gostos da filha, sendo musicais, filmes, livros e revistas.

Temos um vídeo game em casa e quando lembramos, jogamos juntos, ela mais me ensinando do que eu a ela (eita geração porreta que sabe tudo de games kkkkk).

Mesmo adolescente (eu diria aborrecente mesmo) eu brinco muito com ela e a gente sempre faz planos. Não sabemos se iremos concluir esses planos, mas sonhar não custa nada.

O mundo é um perigo e sempre ensino a ela como deve agir para evitar alguma coisa ruim, como ser assaltada por causa de um celular. Cuido dela, mesmo que ela só vá ao shopping ver filme com amiguinhas dela (vou junto e verifico se são amiguinhas mesmo), tento conhecer, quem são os amigos ou amigas. Deixo na escola e vou pegar todos os dias.

Faço isso com o maior prazer, porque como eu disse antes, cada dia que passo com minha filha é uma aventura, pois nos dias de hoje, ser pai (ou mãe) é um desafio muito grande. Ensino o que é certo, o que é errado, o que pode e o que não pode fazer, já que muitos pais na atualidade não estão mais se dando a esse trabalho.

E cada dia que passa eu aprendo a ser mais pai. E me torno um ser humano melhor sendo pai. E dou uma dica para os homens: sejam pais, pode ter certeza que irão crescer muito mais. A gente só aprende o que é amor de pai e mãe, quando nos tornamos um.

Antonio Henrique Fernandes

Colunista

10 Comentários

  1. Muito bom. Sou pai de duas lindas moças e concordo. Filhos nos tornam melhores quando nos preocupamos em dar amor a eles, cuidar. Acabamos descobrindo nossas falhas, reproduzidas neles, e ao corrigi-los, nos corrigimos.
    Também me separei, mas sempre vejo a minha ex, as minhas filhas, e todos nos apoiamos e nos damos bem. Um relacionamento que termina, não precisa se extinguir, se conseguir preservar o respeito entre os parceiros, pode-se tornar algo muito bom também.

    Abraços.

  2. Cara que massa, é invejável até – inveja branca – porque teve um tempo em que eu era assim com o meu, mas por questões de coisas da vida, a gente foi se distanciando de todas as formas. Parabéns, pelo texto e por ser um paizão!

  3. Que lindo esse texto, parabéns Antonio, não somente pelo texto, mas por sua dedicação à sua filha e todo esse aprendizado pelo qual você vem passando. Acredito que vocês dois aprenderão e evoluirão juntos a cada dia.

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