A Sétima Morte – Paul Cleave

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Vamos a mais uma resenha, pessoal.

Dentre os muitos gêneros literários, existem alguns que nos são mais agradáveis, nos identificamos mais, nos proporcionam melhor entretenimento. Eu particularmente curto demais uma boa trama dramática ou policial. O livro de hoje contempla essa segunda opção.

Ele é do ano de 2012. Lembro-me de tê-lo visto nas prateleiras da livraria onde trabalhei por alguns anos, mas só recentemente tive a oportunidade de conferi-lo. Do escritor Paul Cleave, A Sétima Morte possui 310 páginas e foi publicado pela Editora Fundamento. É a primeira vez, pelo menos que eu lembre, que tive contato com uma obra de ficção de um escritor da Nova Zelândia.

Joe é um cara que já passou dos trinta anos de idade. Bastante recluso, pacato, divide um pequeno apartamento localizado num complexo habitacional com os seus dois amigos, Picles e Jeová. São dois peixes que vivem no aquário localizado na residência. À noite, depois que chega do trabalho, costuma ir jantar na casa de sua mãe. A sua genitora começou a apresentar alguns lapsos de memória.

Joe trabalha numa delegacia como faxineiro. Todos gostam dele, pois o rapaz aparenta ter dificuldades de raciocínio e demonstra comportamento inocente, quase infantil. Talvez por isso, ele consegue circular por todos os ambientes da delegacia, até os mais privados. Para os delegados e demais funcionários ele não representa qualquer ameaça.

“Não foi difícil eles duvidarem da minha história, e quando falei da recompensa, alegando que a merecia por tê-lo matado e, em seguida, usei a palavra ‘lá fora’ para indicar onde havia matado a vítima a facadas, minha performance de ‘Joe lerdo’ estava sacramentada. Quando deixei de ser Hannibal Lecter para me tornar Forrest Gump em questão de segundos, descobri que a policia não tinha suspeito algum.”

Mas, essa é não é a verdade sobre Joe. De inocente e bobo ele não possui nada. Ele é um cara inteligente, observador, de raciocínio rápido e um meticuloso serial killer, responsável pelo assassinato de algumas mulheres que ocorreram na região de Christchurch. A polícia não possui qualquer tipo de pista que possa levar à identificação do assassino, e Joe se diverte com isso. Enquanto limpa as salas, ele fica observando as fotos e as anotações dos investigadores, e percebe que eles não obtiveram nenhum progresso.

Gosta de conversar muito. E essa é outra forma que utiliza para saber das coisas. Ele costuma fazer perguntas aparentemente despretensiosas sobre o dia de trabalho dos delegados, sobre o que estão investigando, sobre os crimes. E os oficiais acabam respondendo, pensando que não há mal algum por se tratar de uma pessoa com retardo mental. Mal sabem eles a verdade.

Costuma carregar consigo uma maleta. Pensam que dentro dela está o almoço e o lanche dele. Mas estão mais uma vez enganados. A maleta de Joe traz todo o material que ele utiliza para cometer os assassinatos: facas, luvas, revolver, cordas e outros objetos.

Algo passa a incomodá-lo. Um sétimo corpo feminino foi encontrado sem vida. A polícia pensa que se trata de mais uma vítima do assassino, o “carniceiro de Chrischurch”, pelas características do crime. Mas não foi ele que o cometeu. Não possui a assinatura dele. Ele não está satisfeito em saber que lhe foi atribuído mais uma morte, sendo que não tem nada a ver com ela. Desfrutando da facilidade que possui em ter acesso a todos locais da delegacia, Joe discretamente começa a reunir os resultados das investigações feitas pelos policiais para descobrir quem é esse que está se passando por ele.

A busca de Joe pelo culpado da sétima morte o levará a caminhos e descobertas que nem ele mesmo, na sua genialidade, poderia imaginar. Revelações farão com que ele tenha que tomar algumas providências. Além disso, ele irá conhecer Melissa. Os dois estão num bar e depois de alguns papos resolvem ir para o apartamento dele. O que irá acontecer no trajeto é algo inusitado.

É uma leitura viciante. Os fatos que se sucedem no transcorrer do livro deixam o leitor eufórico, ansioso, angustiado, em saber o que virá pela frente.  A narrativa é em primeira pessoa, bem feita, sem espaço para cansaço.

Confiram!

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