Márcio Lacerdda

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Meu nome é Márcio Lacerdda, nasci no interior do Ceará em uma cidade chamada Quiterianópolis. Sou funcionário público, formado em Administração Publica pela Universidade Federal do Ceará. Casei no ano de 2009 com minha eterna companheira e amor, Francihilda, mas todos nós a chamamos carinhosamente de Fran. Tenho uma filha chamada Bianca, dona de uma felicidade contagiante e que faz meus dias serem perfeitos, até mesmo em momentos não perfeitos. 

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou funcionário publico municipal, concursado desde 2002. Sempre gostei de escrever, pois é através da imaginação que encontro um mundo maravilhoso, que faz meu mundo real se reinventar a cada momento. A minha inspiração vem sempre da arte, seja ela a música, pintura, poesia, dança. Sempre que veio a inspiração de escrever algo, estava encantado com alguma arte que observava no momento ou que tinha visto antes. O sentimento como o amor também é uma fonte inesgotável de inspiração para mim.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A melhor coisa em escrever é criar um mundo, uma história e vive-la como se fosse uma vida paralela. Um livro é como um filho, cujos personagens passam a pertencer sua realidade em outro plano, digamos, criando assim um mundo particular do escritor.

Escrever para mim é brincar com as palavras, mas nem sempre é algo fácil. Às vezes a inspiração nos pressiona a produzir algo, mas é com a criatividade que você deve dar vida a coisas complexas como realidade dos personagens, personalidades, conflitos e tantas outras coisas. Além disso, você deve conhecer muito sobre o assunto que o livro terá como base principal, necessitando assim de muita pesquisa e estudo. Isso exige muito energia, dedicação e concentração por parte do autor. Quando terminamos de escrever um livro é como se vencêssemos uma batalha importante. Assim, cada livro que nos propomos a escrever, travamos uma batalha para podemos criar um mundo e se falharmos a dor da frustração deve ser muito angustiante. Ainda não passei por isso e nem pretendo passar. Tenho medo desse possível momento.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Sim. Além do lugar, tenho um horário específico, que geralmente é na madrugada.

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  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Gênero literário que escrevo geralmente é épico ou narrativo, mas ás vezes arrisco o gênero lírico como escrever um soneto, por exemplo. Sim, já pensei em escrever outro gênero como o dramático. Certa vez até escrevi uma peça teatral, mas infelizmente perdi esses escritos.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

O primeiro livro que escrevi foi O sertão encantado de Ritinha. Esse livro contra a estória de uma garotinha que vai atrás do responsável, por uma grande estiagem que passa sua terra nordestina naquele momento. No caminho, ela se depara com vários seres encantados como o Curupira, bruxa, sereia e o monstro el-nino. Também faz muitos amigos que a ajudam em sua missão, vivendo assim grandes aventuras.

Procurei colocar nesse livro problemas reais, que instigasse no leitor maior atenção em relação ao assunto. Contudo ao mesmo tempo em que o livro informa e chama atenção para a problemática da seca, também retrata a cultura de um povo, seu folclore e magia, amenizando o peso que o assunto trás, sem tirar sua seriedade. O resultado que espero produzir com o livro é uma leitura leve, gostosa, mas ao mesmo tempo informativa, que chama atenção para um assunto sério. Espero ter conseguido esse propósito.

O segundo livro ainda não foi publicado, mas  tem uma proposta de uma editora comercial. Seu  título é Estórias de Trancoso. Esse original é um conjunto de fábulas e contos de fadas, que traz em sua essência folclore de todo o mundo, misturando com folclore brasileiro. É um trabalho direcionado ao publico infantil, mas que pode agradar a criança que todos nós adultos temos em nosso interior.  São estórias curtas que tem no mínimo três páginas e no máximo 15 páginas. Ao todo são 19 estórias que compõe o livro em questão.

Ao escrever esse livro, tive de mergulhar profundamente nas lembranças de minha infância, no intuito de conseguir resgatar o mundo puro e cheio de magia de uma criança. Confesso que foi um aprendizado, pois reencontrei um mundo maravilhoso que pensei não existir mais.

Estórias de Trancoso também tem um propósito em especial. Ao escrevê-lo queria produzir um livro de estórias cativantes, curtas, que pudesse facilitar o jovem leitor a encontrar o prazer da leitura, adquirindo assim esse hábito, que considero de grande relevância para a formação de um individuo.

Enigma do Tempo  fala do amor proibido entre Lúcifer e uma mortal. O original tem como ponto de partida um mistério, onde uma tumba do ultimo rei marajoara é encontrado na cidade de Soure/Pará. Nesse achado arqueológico é encontrado misteriosos símbolos e escritas que não condizem com a realidade e a cultura daquele povo, tais como símbolos e escritas judaicas, babilônicas, sumérias entre outras. Além disso, escritos decifrados por arqueólogos, levam aos poucos a desenterrarem uma estória há muito perdida no tempo, que revelam um amor proibido entre Lúcifer e uma mortal. Amor esse, que poderia destruir tudo que existe tanto na terra como no céu.

O livro em questão necessita de muita dedicação e pesquisas, pois envolve várias mitologias e culturas, inclusive a cristã e judaica. Assim tenho de ser cauteloso quanto ao produto final desse original.

O afilhado do Santo é inspirado na história real de um militante comunista, que participou das manifestações contra o regime militar. Embora esse original traga como pano de fundo o regime militar no Brasil, seu ponto principal é a vida do jovem Teobaldo e seus desafios na vida. O enredo é forte, contudo é tratado com a suavidade da visão jovem sobre o que é o mundo. O livro   é recheado também de relacionamentos amorosos turbulentos e amores proibidos, que farão o jovem amadurecer mais rápido nos caminhos de seu destino.

Dias de solidão – Relata a vida de um senhor de idade avançada, que viveu um amor cheio de lembranças amargas e felicidades que poderiam ter acontecido. Em seus últimos dias de vida tudo o que lhe resta é o mundo que um dia fora do seu amor e que nunca o pertenceu. O ponto crucial do livro, acredito, é o personagem depara-se a certa altura de sua vida com uma luta que travou por anos e que não sabe se valeu apena. O livro ainda é um resumo, então seu enredo pode mudar a medida que for desenvolvendo-o. Afinal, quem é escritor, sabe que os personagens ganham vida rápido e muitas vezes se negam ao destino que escolhemos de início. 

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Geralmente minhas pesquisas são através da internet. Procuro tudo sobre o assunto que irá estrutura a estória do livro, principalmente informações sérias que possam dar ao enredo um caráter mais realístico. Despois de absorver bem conhecimentos sobre o tema, tenho a liberdade que preciso para poder usar minha imaginação e moldar a realidade da vida de acordo com a realidade do livro.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Tem muitos autores que sou fascinado pela maneira como escrevem e seus livros, como José de Alencar, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Mary Zimmerman Bradley, Émille Broter, Virgílio, Dante, Nicolay Gogol e tantos outros. Contudo ao escrever não penso neles ou como escreveriam, por mais que gostasse de escrever como Machado de Assim, por exemplo. A inspiração vem e pronto, revelo a história no papel da minha maneira, meu estilo e minha imaginação. É bem provável que em minha formação literária, vamos dizer assim, tenha muito desses autores, já que cresci lendo seus livros e os admirando.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Recentemente embarquei nessa de publicar livros através de editoras tradicionais. Foi apenas em 2016 que criei coragem para enviar os originais que tinha em mãos para editoras. Os quatros originais que enviei, foram aceitos.

De início, por morar uma cidade afastada dos grandes centros urbanos, sentia a realidade de escritor  muito distante de mim, então apenas escrevia e guardava os originais. Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicações, em especial a internet, descobri plataformas de autopublicação, e foi assim, que tudo começou.

As dificuldades para um escritor no Brasil são enorme, quase invencíveis. O retorno que temos de nossos esforços em termos de reconhecimento é desanimador. Se colocarmos essa realidade em termos financeiros, piora infinitas vezes. Aprendi que se amo algo, devo fazer tudo por aquilo com base nesse sentimento. Amo escrever, então ninguém pode impedir meu caminhar, apenas Deus.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Ainda posso falar pouco sobre essa realidade. Moro em uma cidade afastada dos grandes centros e a correria do trabalho me impede de está por dentro do desenvolvimento desse cenário. Através de uma visão parcial posso dizer que vem se desenvolvendo bem e que podemos até chegar a ser um país de leitores, como os países de primeiro mundo.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

O resultado de um novo tempo que vivemos. Os avanços nas tecnologias de informação possibilitaram isso. O problema agora não é bem chegar ao mercado, mas se manter nele. O que vai assegurar o sucesso de um escritor e seu livro é a qualidade de seus escritos. Mesmo assim precisa-se de sorte para ser encontrado em meio a uma avalanche de produções, que muitas vezes confundem as pessoas, mas que é necessário.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acho prejudicial para um país que está ainda em processo de desenvolvimento quanto a esse assunto. Os preços altos dos livros  afastam o leitor, principalmente dos livros de escritores novatos e desconhecidos, podendo assim, fazer com que uma possível grande obra literária, seja desconhecida por muito tempo ou até mesmo para sempre.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

O morro dos ventos uivantes de Emile Bronte. O livro traz uma estória marcante e forte, onde sentimentos nostálgicos se misturam com lembranças amargas e vingança. A escritora conseguiu fascina-me com sua maneira direta de escrever e ao mesmo tempo detalhista, como se tivesse a capacidade transcrever sentimentos tão complexos, com extrema facilidade. É prazeroso viajar no mundo desse livro, pois se vive fácil a realidade dos personagens, e por um instante, te faz ter a impressão que você pertence aquele mundo.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor) 

O sertão encantado de Ritinha – Asa branca (Luiz Gonzaga)

Estórias de Trancoso – Aquarela (Toquinho)

Enigma do Tempo – Sadeness (Enigma)

O afilhado do santo – Para não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré)

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sim, O morro dos ventos uivantes.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, tenho vários. O projeto que estou tentando dar prioridade no momento é o terceiro livro da série enigma do tempo. Dessa série já tenho escrito Enigma do Tempo – A tumba do rei marajoara, Enigma do Tempo – Lilith e estou escrevendo Enigma do Tempo – Atlântida. Além desses, tenho o livro caminhos da solidão, que é um drama que por enquanto está guardado em um resumo breve, para que possa desenvolvê-lo quando possível.

Esse ano publicaram O sertão encantado de Ritinha pela Editora Multifoco. Próximo ano tenho Estórias de Trancoso para ser publicado. Pretendo fechar contrato com uma editora de Portugal que interessou-se pelo original em questão, depois vem o afilhado do santo, que também tem uma proposta por uma editora de Portugal. Acho que é o tempo que termino de escrever a série enigma do tempo e poderei assim correr atrás de uma editora para publicação desses livros.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho sempre que possível. Acho salutar, quando a crítica é feita com responsabilidade.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Fácil, Machado de Assis.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Para mim a maior alegria é conseguir cumprir a missão que pretendia ao escrever o livro.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não escrevam por dinheiro, sucesso ou reconhecimento. Escrevam por amor, para ajudar e construir um mundo melhor. O que vier depois disso é lucro.

Para os leitores, gostaria de dizer que adquiram o habito da leitura. Nunca conseguiram inventar uma ferramenta tão eficaz para forma um ser humano digno, como a leitura. A humanidade necessita da leitura, para evoluir de todas as formas. Sem a leitura somos folhas secas levadas pelo o vento, indo a lugar nenhum.

 

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