Léo Otaciano

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Olá, tudo bem? Sou o Léo Otaciano: carioca, aquariano, amante da vida e sempre atraído pelos mistérios do Universo. Sou um cara simples, persistente, perfeccionista e que curte demais os amigos. Tenho um site que administro há cinco anos, o MarcasLiterárias.com.br.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Gosto de estudar e pesquisar; obter mais conhecimento nunca é demais. No momento estudo Iniciação Teológica, Ética e Cidadania, Estatuto e Legislação, Sociologia, Especificações da Filosofia e Preceitos da Psicologia. Além disso, faço parte de um grupo de Recursos Humanos e Departamento Pessoal e darei início em atividades como ministrante de repartição escolar. Sou técnico de informática e designer, e encontrei inspirações para escrever desde quando fui apresentado às poesias na escola, ainda no período infantil. 

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

O livre acesso à expressão e o conhecimento de novos mundos, essas são as melhores coisas no ato da escrita. Quem escreve transmite o que está na alma, na mente, no coração. Aquele que escreve quer trazer à tona as várias possibilidades da vida. 

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Na verdade, não. Escrevo em qualquer lugar, a qualquer hora, desde que esteja com tempo disponível. 

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Embora venha me aperfeiçoando bastante no universo do terror, escrevendo livros e contos que apresentam as caras do mundo tétrico e de suas criaturas e façanhas, considero-me um integrante do infantojuvenil/jovem adulto; adoro escrever histórias leves, cativantes e que, ao mesmo tempo, levem informes, referências à realidade jovem e críticas sociais. Sinto-me seguro quando faço isso. É como exercer a cidadania. Acho importante expor o ambiente do seguimento desse público e apontar as disfunções que há na sociedade e que corrompem ou anulam o exercício dos mais jovens no corpo social dentro da coletividade. 

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Já escrevi e publiquei mais de oito livros. Os últimos foram ‘Loui, O Palhaço Medonho & Outros Contos Sombrios’, publicado pela Editora Fonzie; ‘Histórias Loucas de um Mundo Tresloucado’, escrito em parceria com meu irmão e ‘Até que dia você vai ficar?’. O primeiro escrevi com meu filho e utilizamos uma linguagem bem informal do mundo do horror. A aceitação do público foi formidável. A leitura os leva diretamente a mundos e criaturas aterradoras. O segundo tem como base extrair de cada leitor as formas mais diferentes de mundos, seres e situações. Combinamos linguagens e objetivos e jogamos tudo dentro da fantasia. O final nos agradou bastante. Já o último é um jovem adulto que estava guardado há dois anos. A causas da escassez de água no sertão brasileiro, a agressão contra a mulher, a exploração do trabalho infantil e a violência sexual contra menores são os temas discutidos. Esse livro traz a minha primeira personagem feminina, a pequena Rafaela. Em relação aos títulos, surgem sempre antes da obra. Já os nomes de personagens são escolhidos levando em consideração alguns critérios pessoais.  

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Gosto de pesquisar sobre lugares que combinem melhor com o contexto. Faço uma busca minuciosa e leio bastante sobre costumes locais, história, população, etc. Quando o âmbito é mais voltado para a ficção, uso como base algum modelo encontrado em jogos, filmes, séries ou mesmo, o crio do zero, acho bem legal essa motivação do autor em originar seus universos. 

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não. Tive uma inspiração inicial lá atrás quando li O Meu Pé de Laranja Lima, de Vasconcelos e Dom Casmurro, de Machado de Assis, que na verdade serviram como o ponta pé inicial da minha carreira na literatura. Os autores e obras me deram um grande estímulo; descobri que tinha histórias para contar e que podia, assim como eles, fazê-las reais. 

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Já tive essa dificuldade mas, como disse, hoje em dia o trabalho de algumas editoras estão mais acessíveis e elas facilitam a publicação. Há diversas maneiras disso ser feito e cabe ao autor escolher a casa editorial e a forma que mais lhe parecer viável para publicar. Já publiquei oito livros, de forma independente e um pela Editora Fonzie, cujo muito me agradou em todos os aspectos. Sempre encontro uma forma para publicá-los. Se não posso de um lado, tento o outro, e vice-versa. 

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Essa é uma pergunta que sempre é feita em entrevistas e há algum tempo venho respondendo de forma sincera a respeito. As obras de muitos autores promissores finalmente começaram a ser lidas mas ainda somos carentes de leitores. Esse, na minha opinião, é o grande entrave da evolução do cenário. Tem gente que só lê pra criticar e achar erros, como se o livro fosse o famoso jogo dos sete erros. Na verdade, acho que os leitores se permitem tanto navegar por águas do mercado estrangeiro que aderem tudo o que é vendido. Quanto as editoras, tô achando muito legal o surgimento de algumas que realmente fazem acontecer, facilitando o lado do autor e leitor. Mas vale ressaltar que temos que dar valor ao que é nosso, e isso é um preceito que deve ser feito por todos: editora, autor, leitor, sociedade. 

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que, antes de ser uma opinião, é preconceito detonar um livro qualificando-o como ‘desesperador’. Os autores iniciantes, por exemplo, nem sempre têm uma boa orientação sobre como e por onde começar. Não sabem ainda o que utilizar, a qual público se destina a sua história e muitas vezes ainda não sabem nem o motivo que os fazem escrever. Isso influência demais no conteúdo e no material final. Essa variação de talento e qualidade pode ser muito observada na plataforma do Wattpad, onde muitos usuários se sentem seguros para escrever o que querem mas demonstram falta de personalidade quando se permitem alterar, às vezes, a história quase toda por causa de críticas desestimulantes. É claro que isso também se dá por razão da falta de experiência. Mas acho que não deve ser assim. Temos que usar o bom senso e entender que tudo tem o seu lado positivo. Às vezes as pessoas destroem sonhos por causa de uma palavra mal colocada. Histórias e autores promissores acabam sendo suprimidos assim. Temos que lembrar que, na verdade, a maioria só quer um espaço para mostrar sua capacidade, mesmo que esse espaço seja pequeno. 

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Não acho que os preços sejam elevados. Investir em conhecimento e educação não tem preço. Se gastam uma grana alta em diversão e futilidades, por que dizer que R$ 40 é caro? Essa declaração é um absurdo, é uma maneira de disfarçar a hipocrisia. 

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não lembro de nenhum no momento, mas acho que o ser humano é capaz de tudo. Boas ideias surgem de onde e quando menos esperamos. Por isso é importante ficar atento; se tiver uma ideia, não a deixe passar pois ela a qualquer instante renascerá em outro indivíduo, e este poderá não deixá-la ir. 

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Pela variabilidade não escolheria somente uma, certamente, mas nos últimos escritos tenha escutado o bom rock n’ roll do Europe. 

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Já. O Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos. 

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Bom, no momento estou escrevendo o término de uma trilogia juvenil onde o sobrenatural é o aspecto mais marcante. Tenho um projeto cujo vou escrever com meu filho também; trata-se da continuidade da história de Loui, O Palhaço Medonho. O personagem agora vai ganhar um livro exclusivo e uma história ainda mais realista, com fortes características psicológicas. Também quero me arriscar com Luciano Otaciano, meu irmão, na composição de contos policiais. joguei a ideia e o cara curtiu. Acho que vem coisa boa por aí. 

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Tenho o costume de ler e acho de suma importância o trabalho desenvolvido pelos blogueiros quando com seriedade e finalidade de auxiliar o autor e levar a obra ao conhecimento do leitor. Essa interação é ótima e mantém o leitor muito mais próximo do autor. 

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Não sei. Tenho até alguns nomes em mente mas, independente disso, gostaria que não somente eles os lessem, mas sim o público em geral destinado aos meus livros. 

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Acho que isso varia, cada um tem um objetivo e uma visão sobre alegria. Uns querem chegar ao topo da fama, outros desejam viver da literatura, alguns só pretendem escrever, um grupo almeja transmitir algo e ser acolhido por  seu moderado público e os demais misturam um pouquinho de todos esses pensamentos. Eu faço parte do grupo que quer transmitir e ser aceito por seu público, e acho que essa é uma das maiores alegrias pra mim. 

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Já disse isso certa vez e volto a repetir: abra os olhos e tape os ouvidos. Isso vai ser necessário e você nem sabe o quanto. Adquira o máximo de conhecimento que puder sobre determinados assuntos e em relação ao que for escrever. O aperfeiçoamento é fundamental e deve andar junto ao amor pela escrita. Tenha atitude e determinação. Pense, invente, escreva, apague e reescreva se quiser, inove e invista em seu sonho. Sempre. Esse não é um caminho sem espinhos embora todos gostaríamos que fosse. Então, a primeira frase dessa resposta deve ser a sua primeira tarefa. Obrigado pelo espaço e parabéns pelo trabalho que desempenham. Abraço a todos.

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