Ricardo Faria

0
663
  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou mineiro, nasci numa pequena cidade chamada Dores do Indaiá. O “Dores” faz referência a Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade, e “Indaiá” é o nome do rio que corta a região. Aos 10 anos minha família foi morar em Juiz de Fora.
Em 1966, mudamos para Belo Horizonte e fui estudar no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Minas Gerais, que ficava junto da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, local em que se passa grande parte do romance que escrevi.
Comecei o curso de História em 1969 e concluí em 1973. Era bancário e larguei o banco para ser professor desde o primeiro ano em que cursava a faculdade. Fui professor por 35 anos, lecionei para o 1º e 2º graus (nomes que tinham o Ensino Fundamental e Médio atuais), cursos supletivos e pré-vestibulares. Nos últimos 18 anos de magistério, fui professor titular de História Moderna e Contemporânea do Centro Universitário de Belo Horizonte.
Em 1975 publiquei meu primeiro livro didático e não parei mais de escrever. Ao todo, foram dez coleções destinadas ao 1º grau (com 4 volumes em cada coleção), um volume único para o 2º grau, duas coleções para o 2º grau (com 3 volumes cada uma). Mais recentemente, dois volumes únicos para o ensino médio, uma coleção para ensino médio (com 3 volumes), os livros “História e Linguagens”, “As revoluções do século XX”, “Da Guerra Fria à Nova Ordem Mundial”, “História de Minas”. Para professores, escrevi também “Educação Ambiental em foco”. Para preparar os estudantes para vestibulares e Enem publiquei “Realidade Contemporânea”. Escrevi 3 livros para estudantes universitários, abordando a História Moderna e Contemporânea. Fui um dos organizadores do “Dicionário Ilustrado da Inconfidência Mineira”.
O livro “As revoluções do século XX” esgotou e fiz algumas mexidas nele para republicar, com o nome “Utopias do século XX”. Ele pode ser encontrado no formato E-book, no site do Clube de Autores
Aposentado, enveredei pelos caminhos da Literatura, publicando o romance “O amor nos tempos do AI-5” que, em breve, terá sua continuação publicada.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Como falei acima, eu era professor de História que, num dado momento da carreira, foi convidado a escrever livros didáticos e daí em diante não parei mais de escrever. A inspiração para o romance veio justamente da minha prática docente.

Além de historiador, sou também fotógrafo, tendo feito várias exposições individuais e coletivas.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Penso que tudo… o autor se envolve com as personagens, passa a viver com elas, dialoga com elas o tempo todo. É uma experiência fascinante. Depois do livro pronto, o melhor é vê-lo publicado, lido e comentado. Sem dúvida!

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Tenho um quarto no apartamento que transformei em escritório/biblioteca. É aqui que escrevo.

20170520_183041

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Meu livro já publicado (O amor nos tempos do AI-5) é um romance, assim como o volume 2 e último da série. Tenho um terceiro, já pronto também, voltado para o público infanto-juvenil, que trata de História do Brasil de uma forma dialogada entre um avô e três netos. Não sei se irei sair disso…rsss

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Bem, não tenho como negar que o título do primeiro romance foi inspirado no Gabriel Garcia Marquez. Já tinha bolado o título antes mesmo de começar a escrevê-lo. O segundo, porque não tinha sido planejado, ainda estou brigando comigo mesmo para dar um título.

Quanto às personagens, eu estabeleci um certo padrão de comportamento para elas e assim procurei os nomes mais adequados. Numa das páginas do livro, inclusive, essa escolha aparece. Permitam-me a citação:

“ É como os nomes das pessoas. Você sabe o que significa Haydée?

– Não, não sei.

– Vai gostar de saber que seu nome é de origem francesa e significa “aquela que ajuda”. Está implícito no significado que você é uma pessoa independente, ousada; se não fosse, não poderia ajudar a ninguém. Agora, pessoas muito seguras geralmente são também muito sensíveis. Bateu direitinho com você… bicho?

Ela riu, aquele riso franco, aberto…

– Acho que bate sim… bicho. E Afonso, quer dizer o quê?

– Meu nome é de origem teutônica, tem um significado que não se adequa muito bem comigo não. Significa ‘guerreiro de ânimo combativo’.

– Hum… ânimo combativo eu acho que você tem. Agora, guerreiro… acho que não (…)’

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Como o livro é um romance de época, além de puxar pela memória, pois vivi intensamente os anos 70, tive de fazer grandes pesquisas em jornais da época, para contextualizar corretamente as ações das personagens.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não, procuro escrever a história do jeito eu que acho que devo. Somente o título é que devo a inspiração, como já falei acima.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Olha, com relação aos livros didáticos nunca tive não, porque, geralmente eles são encomendados pelas editoras. É bem tranquilo nesse aspecto. Já o romance que publiquei, tive dificuldade sim.

Enviei o original para uma editora tradicional, respeitada no mercado livreiro, tive a promessa de receber a resposta em aproximadamente três meses. Seis meses se passaram. Enviei um email questionando, não obtive resposta. Mais três meses, novo email e já deixando claro que queria enviar o livro para outra editora, mas não o faria por uma questão ética, eu precisava ter a resposta. Que fosse negativa, porque era isso que eu imaginava dado o silêncio. Continuei sem resposta. Ou seja, um ano após ter vencido o prazo de três meses que eles próprios definiram, eu continuava sem resposta. Não tive alternativa: enviei outro email considerando que o silêncio significava recusa e, portanto, eu me considerava livre para apresentar a outra editora.

Foi o que fiz e tive a surpresa de ser aceito. As condições eu considerei meio draconianas, mas entendi que, sendo o primeiro romance de minha autoria, eu teria de me submeter. Eles exigiam que eu adquirisse uma parte da edição. Me cobraram um valor alto, mas eu paguei. Livro publicado – justiça seja feita, produção esmerada – eu vi que eles estavam repassando o livro para as distribuidoras praticamente pela metade do preço que me cobraram. Reclamei e tive como resposta que “amigos compram o livro no lançamento pela amizade com o autor” e que eles vendiam mais barato para divulgar o autor. Claro está para mim que, se houver uma segunda edição, não será com esta editora.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Vejo pontos positivos e negativos. O surgimento de inúmeros autores e autoras, das mais variadas idades e de variados extratos sociais só pode ser motivo de júbilo. No entanto, escrever um livro não é apenas colocar palavras no papel. E eu vejo uma grande produção de “livros” escritos por pessoas que não sabem escrever e que deveriam ter a postura humilde de entregar os textos para revisores profissionais, que podem ajudar a dar um aspecto mais literário e digno de ser lido. Já peguei um livro desses, que desisti de ler só de ver a primeira linha, tinha um erro tão grosseiro que nem quis imaginar o que iria ver pela frente. Esse, inclusive, é um dos motivos, creio eu, de muitas pessoas desvalorizarem os autores nacionais, preferindo os estrangeiros.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Bem, acredito que respondi essa questão ao comentar a anterior… não?

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Um absurdo, é outro fator que impede que o número de leitores seja maior. Pela minha experiência como autor de mais de 70 livros, eu sei que livros a quatro cores, com muitas imagens, são de produção cara, sim. Muito cara. Mas livro de literatura, que é só texto? Lamento, tinha de ser muito mais barato. Eu tenho certeza de que livros que estão sendo vendidos a 40,00, não custaram mais do que 5,00 de produção. Podiam, perfeitamente ser vendidos a 10.00. Livro é um produto que não tem imposto! Portanto, pagar 5,00 para produzir um livro e vendê-lo por 40,00 só tem um significado: Ganância dos editores!

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não apenas ter a ideia, mas a capacidade de escrevê-lo: O nome da Rosa, do Umberto Eco.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Meus romances são musicais, sabia? Inicio e concluo com a Petite Suite: En bateau, de Debussy. E no meio, tem Chico, tem Elis, tem Taiguara, tem Ray Conniff, tem Roberto Carlos. No volume 2 tem Secos e Molhados, a Petite Suite volta… modéstia à parte, é uma bela trilha sonora!

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sim, e recomendo: A arte de amar, de Erich Fromm. Quem não leu, não sabe o que está perdendo!

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Bem, acho que já falei dos projetos já realizados e que apenas falta encontrar uma editora para publicar, ou, caso não encontre, parto para a produção independente. Um é o segundo volume dessa saga que iniciei e o outro já tem o título de “Como contar a História do Brasil para meus netos”.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Já fiz parcerias com vários, já recebi resenhas feitas por eles. Acho legal. Mas penso que um resenhista não pode só elogiar. Ele ganha o livro não é para ficar “babando” em cima. Tem de fazer uma resenha crítica, apontando pontos negativos que se encontram na obra. Na verdade, muitos fazem um resumo, não uma resenha.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Eu já tive a oportunidade de ver meu livro lido e comentado por muitos leitores valiosos, como a historiadora Mary del Priore, o historiador e editor Jaime Pinsky, o jornalista Luciano Ornelas, que foi redator do “Estado de São Paulo”. Mas confesso que eu gostaria que muitas pessoas lessem.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Para mim foi o terminar o livro, gostar do que tinha feito e depois, vê-lo publicado. Penso que ver o livro numa livraria deve ser bem agradável, mas só penso, porque a editora não manda livros para livraria alguma…

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Eu diria que as pessoas nunca devem deixar de ler. De se emocionar com as histórias, de chorar, de rir, de pensar, de refletir. Para os que estão começando: sejam humildes, coloquem suas boas idéias no papel mas deixem que revisores competentes leiam e sugiram mudanças. Eles sabem o que fazem, seu trabalho é indispensável. Nenhum deles é ditador, eles fazem a leitura, apontam possíveis erros ortográficos/gramaticais e sugerem algumas alterações, que você vai aceitar ou não. Podem acreditar: vale a pena aceitar o que um revisor competente te aponta. Não adianta você rever. Como você já sabe o que escreveu, sua mente te engana e deixa passar erros banais. Seu namorado, sua esposa, também não servem como revisores.Tem de ser um profissional do ramo. E continuem escrevendo! Não parem!

 Quer ser divulgado por nossa equipe? clique aqui!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here