Mauricio R.B. Campos

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou um amante das letras. Desde muito cedo vivo muitas vidas através dos livros, e escrevo já há bastante tempo, tendo começado a publicar com mais intensidade recentemente.

  1. O que você faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Ganho o pão em um grande banco. O trabalho burocrático praticamente não me inspira, mas como válvula de escape a escrita é uma terapia interessante.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Deixo aqui um trecho de Mosaicos Urbanos que reflete bem a minha impressão da literatura:

(…) o que mais a encantava na literatura, era que, quando se abria um livro, ninguém sabia onde aquela história poderia nos levar. Era uma surpresa, era colocar a alma nas mãos do autor e deixar-se levar… ”

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Eu escrevo muito no sofá, de frente para a televisão em minha sala de estar. Quando preciso de um nível maior de concentração, vou para a sala de jantar e coloco algum som nos fones de ouvido. Algo que tenha a ver com o que estou escrevendo. Eu gostaria de ter um local com uma vista legal, para um jardim ou para a rua, acho que seria bem interessante e produtivo, mas por enquanto não tenho um local assim, como o da foto (sonho meu J):

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu passeio por vários estilos literários em meus contos, já escrevi ficção científica (Primus AD), literatura policial (Post Mortem, Contos Insólitos, Os Bastidores do Crime, Sombras e Desejos),  fantasia (Sonhos Lúcidos) e terror (O Rei Amarelo em Quadrinhos, Eu me ofereço!, King Edgar Hotel, @medo.com, Demontale). Na categoria conto fui o ganhador do V Concurso de Contos Livrarias Curitiba [2014], como poeta recebi menção honrosa da Associação de Escritores de Bragança Paulista, durante o III Prêmio Cidade Poesia (2014), e esse ano O Rei Amarelo em Quadrinhos foi eleito melhor publicação mix de 2015, levando o Troféu HQ Mix, o oscar dos quadrinhos brasileiros.

Normalmente eu intercalo um trabalho fantástico ou de terror com um trabalho mais realista. Acho que esses gêneros se retroalimentam. Eu terminei Mosaicos Urbanos e iniciei o trabalho para o roteiro do Rei Amarelo. Assim que terminei essa história de terror, que teve bastante pesquisa histórica durante o processo, iniciei a escrita de meu primeiro romance, um policial sem elementos fantásticos, mais realista e contemporâneo, que pretendo publicar em breve no Wattpad.

  1. Fale-nos um pouco sobre Mosaicos Urbanos. Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Mosaicos Urbanos é uma coleção de contos, em vários cenários urbanos diferentes, mas que mantém uma certa estrutura lírica entre si. Os contos compartilham alguns personagens entre si, mas como nem todos os personagens se relacionam, eu acho que não dá para dizer que é um romance fix-up.

Sobre os dois contos mais extensos do livro, que são O Palhaço e No Coração de Macau, o que posso dizer é que O Palhaço é sobre a magia que envolve a folia de reis. Quando eu visitava o interior de São Paulo nas férias, ainda criança, aquele pessoal fantasiado cantando ininteligivelmente exerceu um fascínio que carreguei para o resto da vida. Esse conto é uma homenagem a fé daquelas pessoas simples que encenam aquilo com uma reverência de um tempo que se perdeu. No Coração de Macau é um conto criado em homenagem à cidade mais estranha do planeta. Onde milhares de chineses levam suas vidas em uma antiga colônia portuguesa, e, ao lado de Hong Kong, é a mais ocidental das cidades da antiga China. Mas há uma aura e uma história que diferenciam Macau de qualquer outra cidade no mundo. Arturo de Oliveira, o escritor ficcional que passeia por outros contos dessa antologia encontra uma amante do mundo das letras, mas será que mundos tão distantes podem coexistir?

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Eu pesquiso bastante, estudo a cultura, os costumes, os aspectos profissionais, psicológicos, econômicos, sociais e tudo o mais que eu puder encontrar sobre o assunto em pauta. Para escrever No Coração de Macau, por exemplo, eu fiz o download de músicas locais, assisti alguns filmes, pesquisei no Bing Maps, dei um passeio virtual pela cidade no Google Street View e conversei com alguns locais pelo Skype.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Minhas referências são Ernest Hemingway e Fitzgerald, com certeza. A maior influência que eu trago para o meu trabalho de literatura policial é o sueco Stieg Larsson, autor que sou muito fã. Para histórias fantásticas eu penso em escrever uma história que Alan Moore escreveria. Às vezes passo perto, mas normalmente não, o que por um alado é bom, pois o Alan é o cara mais pirado da face da Terra, e ele já disse que o melhor que escreveu foi sobre influência de drogas pesadas (risos).

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Auto publicação está aí, acessível e grátis. Então qualquer autor hoje tem acesso, já publicar por uma editora é mais difícil, principalmente em tempos de crise como agora. Acredito também que se a editora não der um retorno sobre o trabalho do escritor, nem vale a pena, na verdade pode ser pior, pois você perde o controle sobre o seu material e fica preso a contratos de direitos autorais.

Eu vejo com muito bons olhos a auto publicação, se bem feita, com a contratação de revisores, capistas, etc.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que no Brasil há poucos leitores, mas que melhorou muito desde Harry Potter. Precisamos de outro fenômeno como esse, para despertar os leitores. Quanto a avalanche de escritores que temos hoje, acho isso muito bom, pois é um mercado que está buscando seu equilíbrio.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Hoje é muito fácil publicar um livro, e todos que acreditam em seus sonhos, devem tentar. Já encontrar leitores, aí a coisa muda de figura. É um mercado tão feroz quanto o do mercado financeiro.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acho que isso desestimula tanto os leitores quanto os autores. Aos leitores que tem que selecionar o que podem comprar a cada ida à livraria, e muitas vezes, menos do que gostariam. Isso gera um problema aos autores nacionais, principalmente aos iniciantes ou independentes, que sem ter o apelo de marketing dos grandes lançamentos acabam, muitas vezes, preteridos. Outro ponto complicado desse mercado é que estimula a pirataria e elitiza a leitura, que deveria ser o mais democrático dos prazeres.

O modelo das livrarias em nosso país também não ajuda. São organizadas como lojas de conveniência, enquanto deveriam ser pontos de cultura. Nos Estados Unidos, as livrarias organizam clubes do livro e patrocinam sessões de discussão sobre literatura, fomentando toda a cadeia. Mas infelizmente ainda estamos longe disso.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Os Homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson. É um livro que trabalha com algumas premissas simples, mas que formam um quebra-cabeças muito complexo, realmente genial.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?

No caso de Mosaicos Urbanos a trilha sonora seria algo como:

Unicorn – Apopytgma Berzek

Salzburg – Worakls

Famous Blue Raincoat – Leonard Cohen

Round Here – Counting Crows

The only thing  worth fighting for – Lera Lynn

Whistle – Sporto Kantès

Eu enviei os links, são músicas bem interessantes, que de certa forma me inspiraram a escrevê-lo. Vale a pena mergulhar nessa playlist. Lendo Mosaicos Urbanos, melhor ainda 😉

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

O livro que mudou minha vida, pois com certeza foi depois de sua leitura que eu decidi me tornar um escritor, foi David Copperfield, de Charles Dickens. David Copperfield é um dos pilares da literatura ocidental moderna e leva o leitor às lágrimas ao narrar as desventuras de um pobre órfão em um mundo sem misericórdia. Mostra também a batalha de um escritor em busca de seu lugar nas prateleiras das livrarias.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou organizando duas antologias que serão lançadas na Amazon ainda esse ano. A primeira a ser lançada será uma colaboração de diversos amigos, posso adiantar que serão contos meus, do Gilson Luis da Cunha, Thiago Lee e Marcelo Fernandes em uma homenagem à H.P.Lovecraft. O livro será ilustrado por Samuel Bono, artista muito talentoso, com o qual trabalhei em O Rei Amarelo em Quadrinhos.

Na área de literatura fantástica estou trabalhando junto com o Gilson Luís da Cunha na organização da primeira antologia de Bizarro Fiction do Brasil. Bizarro é um gênero que mistura humor, fantasia e nonsense de um modo novo. Criado no Oregon, Estados Unidos, o gênero vem ganhando novos adeptos pelo mundo e pretendemos apresentá-lo devidamente aos brasileiros.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho. E esses blogueiros vem fazendo um trabalho formidável na divulgação da literatura nacional. Para os autores independentes ou de pequenas editoras, que não tem acesso aos meios de comunicação de massa, os blogueiros são a ponte pelo qual os pequenos autores conseguem chegar a seu público.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro quem seria?

Charles Bukowski. Gostaria de ver o velho safado ler e me xingar em seguida. Mas tomaríamos uma gelada e ele me ensinaria muitas coisas sobre o mundo e a literatura, depois disso.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Receber um feedback dos leitores. Os autores insistem que o leitor deve postar comentários na Amazon, deixar uma resenha no Skoob, mas não é pelo marketing, aliás, não é só pelo marketing, mas é muito legal saber a opinião e mesmo as impressões dos leitores. Muitas vezes um texto pode suscitar reações completamente diferentes em leitores distintos, mostrando visões que muitas vezes o próprio autor desconhece. Essa é uma das magias que só a literatura proporciona.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Aos iniciantes na arte da escrita, os conselhos que posso dar é que tenham persistência, façam amigos nas antologias que participarem e sejam legais com seus colegas autores. Precisamos somar, não dividir, há mercado para todos.

Deixo aqui meu abraço aos leitores do Arca Literária e espero que deem uma olhada em Mosaicos Urbanos, você pode baixar uma amostra no site da Amazon ou comprar o livro no Clube de Autores.

Um abraço.

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