Francisco Siqueira

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Entrevista

  1. Fale-nos um pouco de você.

R.: Antes de iniciar essa entrevista gostaria de agradecer a oportunidade que a “Arca Literária” está me proporcionado, e, claro, o trabalho que ela vem fazendo nesses últimos 16 anos ao apoiar escritores __ acredito que muita das vezes de primeira viagem, como eu __ a divulgar o seu trabalho.

Sobre mim (rrsrsrs), penso que sempre poderá parecer um tanto pretensioso quando alguém tenta dizer algo sobre si, ou então não encontrará palavras para essa autodenominação, mas vamos lá… Sou uma pessoa que tenta viver a vida da maneira menos pragmática possível, pois acredito (não sei se depois dos 40 isso acontece naturalmente… rsrr) que problemas e alegrias devam existir no seu devido tempo… Claro, não reclamo se os momentos felizes estiverem em alta… rsrsr

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

R.: Tenho um trabalho tradicional que nada tem a ver com “escrever”.

 Sobre a escrita, confesso que não sei te dizer de onde veio a inspiração (ou de onde vem). É inerente. Minha mente trabalha (discuto com “ela” algumas vezes), concateno ideias até eu me sentar e transmiti-las para o papel.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

R.: Criar um mundo, um universo particular onde os personagens transitam, inserindo emoções, dando vida a cada uma deles, e certamente saber que poderá tocar, mesmo que seja de uma forma minimalista, alguém que dará ao autor o privilégio da sua leitura.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

R.: Rsrsrsrs… Não. Ainda não tenho o meu “escritório”, mas sempre busco escrever em locais da minha casa onde possa estar só. Já escrevi texto na sala, de madrugada…

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R.: Retratar o ser humano e suas emoções, seus dramas, sua complexidade, ressaltando as imperfeições e esperanças que todos nós possuímos. Não sou fã daqueles personagens “heroicos” ou das “mocinhas indefesas”, mas respeito os gêneros que fazem uso deles como ferramentas para contar uma história.

Na adolescência tentei escrever romance policial e suspense/terror… Confesso que não tenho o mínimo dom para esses dois gêneros. Ah, ainda não tentei a ficção científica (rsrsr)

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R.: A história de Kadu, um adolescente de 17 anos que convive com a sua homossexualidade guardada a sete chaves dentro de si, ou pelo menos acredita nisso. Optei pela narrativa na primeira pessoa, pois assim a visão do protagonista é registrada de maneira bem pessoal, um universo particular, para dessa forma ser contrastada com a realidade do mundo que o rodeia, afinal, a visão que trazemos de nós mesmos quase sempre vai de encontro àquela das pessoas com as quais convivemos.

A inspiração para títulos, confesso que não tenho tanta habilidade nessa área…(rssr). “Eu, Kadu”, inclusive teve outros tantos nomes até chegar ao atual, que consegui após algumas pesquisas junto a opiniões de adolescentes. Quanto aos nomes de personagens, nenhum critério particular, penso em vários, claro, é como escolher o nome de um filho, então pondero bastante as opções até chegar a uma que eu mais gosto ou que será bom para a história.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R.: Para esse, “Eu, Kadu”, li alguns livros com temas sobre a adolescência e assisti alguns episódios de séries “teens” , e também busquei alguma coisa na minha própria adolescência.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R.: Não, mas quando “crescer” quero ser como o Gabriel Garcia Marquez (rsrsrs)

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R.: Essa e minha primeira tentativa, quer dizer, estou iniciando com o “universo” do e-book, mas venho acompanhando em sites, em conversas com outros “novos autores”, o dilema que é a publicação de um livro.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R.: Promissor, apesar de ainda existir bastante preconceito sobre nossas obras. Vide o percentual de livros importados expostos para venda em comparação aos nacionais…

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R.: “A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses”    (Oscar Wilde)

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R.: Sou um consumidor de livros. Sempre que posso estou adquirindo um, dois, três… Sou daqueles que não podem entrar em uma livraria (rsrsrs), e é fato incontestável de que os títulos, de maneira geral, nacionais e internacionais, têm valores quase sempre elevados para a maioria da população, não sei dizer se é um resultado direto dos custos editoriais.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R.: Cem Anos de Solidão, do mestre Gabriel Garcia Marquez

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 

R.: Nossa! Não havia pensando nisso. Mas gostaria de ter na “trilha” do meu livro Roupa Nova e Renato Russo.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R.: Cem Anos de Solidão

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R.: Estou trabalhando na continuação de “Eu, Kadu” e tenho um esboço de uma saga nordestina, cuja trama atravessa os 70 primeiros anos do século XX e outro esboço sobre a história de um escritor, de meia idade, bem sucedido na carreira, e que depois de mais de vinte anos recebe a notícia de que seu pai __ que o expulsou de casa aos 18 anos quando descobriu sua homossexualidade __ quer revê-lo, sendo esse o estopim para iniciar a trama do protagonista, que vai precisar lidar com velhas mágoas, seu orgulho e com isso, talvez, aprender a ver a vida com outra perspectiva.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R.: Já dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”… Então acho válidas as críticas, opiniões.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R.: Martha Medeiros

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

R.: Outro dia encontrei na internet essa mensagem: TODO ESCRITOR SOFRE COM O “Será que eles vão gostar?”

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R.: Vou responder à essa pergunta com um trecho de um texto de Martha Medeiros, “Não desista nunca.”

“Se você não acreditar naquilo que você é capaz de fazer; quem vai acreditar?
Dizer que existe uma idade certa, tempo certo, local certo, não existe.
Quando você visualizar o seu objetivo e criar a coragem suficiente em realizá-lo, tenha em mente que para a sua concretização, alguns detalhes deverão estar bem claros na cabeça ou seja, facilidades e dificuldades aparecerão, mas se realmente acredita que pode fazer, os incômodos desaparecerão.
É só não se desesperar.“

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