Fernanda Borges

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1. Fernanda para nós é um grande prazer entrevista-la. Conte-nos quem é Fernanda Borges??

O prazer é todo meu, obrigada pela oportunidade. Bem, Fernanda Borges, nascida Elaine Fernanda, é carioca e foi criada no subúrbio. Sou uma pessoa comum do povo, simples, que sempre gostou de ler e de ouvir histórias. Me formei em Direito e me especializei na área criminal, onde também trabalho há mais de 12 anos. Tenho um filho de 20 anos de idade e 3 gatos peludos e fofos, além de antigos e leais amigos. Sou uma pessoa que preza demais as amizades e costumo dizer que cada amigo leal é um membro da família que temos oportunidade de escolher como nossa.

2. Qual seu estilo literário?

É como um imã; o suspense policial está na veia, rsrsrs. Eu adoro escrever tramas policiais, com um acentuado estilo neo noir, mas não só isso, tenho que colocar muito suspense nas tramas que escrevo. Às vezes brinco um pouco com histórias sobrenaturais, mas nesse caso prefiro escrevê-las como contos, não descobri ainda por quê. Sou muito instintiva, deixo a escrita me levar.

3. Qual seu público alvo?

Basicamente adultos. Isto porque os meus livros têm cenas de sexo escritas de forma explícita, então, não os recomendo a menores de idade. Alguns contos eu recomendo a adolescentes, mas a série neo noir só para adultos mesmo.

4. Quais seus autores e estilo favoritos?

Raymond Chandler, Nelson Rodrigues, Stephen King, Sir Arthur Conan Doyle. Existem outros, mas esses são os principais. Quanto ao estilo, gosto de livros que tenham suspense, reviravoltas, que me enganem no final, sabe? Gosto de ser desafiada como leitora e por isso acho que faço o mesmo com meu público alvo.

5. O que te motivou a escrever os livros da série Noir “Orgasmos fatais” e “O Reverso do destino”?

Quando sentiu que estava pronta para publicar seu primeiro livro? Alguém a incentivou, como foi esta iniciativa?

Bem, vamos lá… é uma história interessante esse despertar para a escrita. Em 2009 eu sofri um baque ao descobrir um câncer e, mesmo depois de operada e a doença eliminada, o emocional ficou abalado. Eu estava em uma fase muito legal da minha vida, estava em um ritmo frenético nos estudos para outro concurso público, quando tive que parar tudo pra me cuidar. Quando tentei voltar a estudar, eu simplesmente não conseguia ter foco, não conseguia ler um parágrafo sequer e me perdia. Fiquei pra baixo e não queria saber mais daquilo. Pra me distrair, comecei a assistir a alguns filmes e séries policiais. Então, certo dia, eu estava assistindo ao filme Instinto Selvagem e comecei a pensar que no Brasil, o que temos de histórias policiais normalmente se referem a tráfico de drogas; não temos tramas sensuais como a desse filme, que é meu neo noir preferido; não temos personagens ambíguos e nem aquele suspense que desafia o telespectador ou o leitor a descobrir o “pulo do gato”.
Então, como um passatempo, eu comecei a escrever uma história nessa linha, mas toda ambientada no Brasil, onde o detetive é um policial civil do Rio de Janeiro. Pedi a algumas pessoas de confiança e bastante honestas, que me dessem opiniões sobre aquele livro e, para minha surpresa, ouvi de todos o que eu mais gostaria de ouvir: “essa história prende, não dá vontade de parar de ler”. Eu resolvi procurar uma editora para publicar, porque queria ver se a obra seria bem aceita pelos leitores ainda desconhecidos e, felizmente, recebo bastante elogios sobre Orgasmos Fatais, publicado em 2011. O Reverso do Destino veio 2 anos depois e ainda estou recebendo as primeiras impressões a respeito.

6. Fale-nos um pouco sobre os livros “Orgasmos fatais” e “O Reverso do destino”:

Orgasmos Fatais foi um desafio pessoal em uma época de crise, como eu contei, mas foi também uma homenagem ao meu filme preferido, que é Instinto Selvagem.
A trama gira em torno de um homicídio de uma mulher, Mariana, cujo noivo Rodolfo é um advogado e jornalista influente na política. Daniela, a suspeita número 1 do assassinato, era rival da vítima e ex amante de Rodolfo, com quem tem um passado bastante nebuloso. O policial encarregado das investigações, Douglas, é bastante competente, porém, bastante humano também;
ele se sente atraído pela investigada, que se mostra inteligente, sexy, a mulher fatal que é uma caixa de surpresas a todo instante.
O final surpreende, assim os leitores me disseram. É um final justo. Você até pode descobrir quem matou, mas depois disso vem o verdadeiro desfecho.

O Reverso do Destino, embora não seja uma continuação obrigatória de Orgasmos Fatais, contém spoilers deste. Aqui, temos a personagem Laura, uma jovem mulher que, aliada a Leo, seu namorado bad boy, resolve se infiltrar na residência da milionária família Lutz. Laura se candidata ao emprego de babá de Marcelinho Lutz, um garoto tímido e triste, para iniciar seu plano de furto de jóias. Porém, convivendo com aquela família tradicional, começa a perceber que não são tão tradicionais assim e que escondem muitos segredos
perigosos, como por exemplo, o desaparecimento da menina Jéssica Lutz. Os papéis de caça e caçador se invertem e o perigo ronda a todos. Douglas continua sendo o investigador aqui e se depara com seu mais bizarro caso de serial killer.
O final também é inesperado e, disso estou convicta, é para amar ou odiar, sem meio termo. Alguns leitores vão adorar e outros vão me excomungar, rsrsrs. Mas é um final pra fazer pensar a respeito de nossas cobiças em relação a terceiros e que cada um tem seu próprio caminho a trilhar. Quanto muito se faz para que certos destinos se misturem, as pessoas podem trocar de papéis e isso pode ser muito, muito perigoso mesmo.

7. Fernanda o que mais lhe inspira a escrever?

Olha, não tem nada muito específico. Posso estar cozinhando, por exemplo, e surgirem ideias para uma história já em andamento ou para uma nova… eu tenho que parar tudo para anotar correndo, porque inspiração é algo tão sutil, que se você não a agarra rapidamente, ela flui e se esvai. Mas, já percebi que filmes costumam me inspirar às vezes.
Por exemplo, no caso de O Reverso do Destino, dois filmes me ajudaram. Só não posso dizer quais foram, porque, nesse caso, posso soltar um spoiler sem querer aos mais antenados.

8. Fale-nos sobre o atual momento literário do Brasil. Quais as principais dificuldades que você encontra, hoje, para publicação de livros?

Para a publicação em si não encontro qualquer dificuldade, até porque escolhi uma editora por demanda. O problema é a questão de marketing e o fato de os leitores resistirem em comprar os livros nos sites, pois a editora que publica meus livros não trabalha usualmente com livros impressos em lojas físicas. Para quem se interessa pelo mercado digital, não existe a menor dificuldade em publicar, o Amazon veio para ajudar nesse sentido.

O problema reside quando o escritor almeja realmente um grande sucesso, então, aconselho a tentar as editoras de maior porte, pois essas investem pesado em marketing, bem como na imagem do próprio autor. Confesso que nunca cheguei a enviar meus trabalhos para qualquer uma delas, porque queria publicar logo o primeiro livro; era uma necessidade pessoal que não comportava um tempo longo de espera até que eu recebesse uma resposta. Depois, passei a tomar gosto pela elaboração não só da história  em si, mas também pela elaboração da capa e contra capa, book trailer… E, pelo menos por enquanto, não me sentiria à vontade vendo uma editora impondo sua própria criação de capa, me dizendo para cortar isso ou aquilo na trama… Você me perguntaria se não toparia tais concessões em troca de muitas vendas e eu responderia que não.

Por enquanto, sou ciumenta demais com minhas criações para permitir que, em troca de publicidade, terceiros as alterem.

9. Quais são seus projetos literários? teremos novidades para 2014? Quais?

Em 2014 eu lancei dois contos sobrenaturais no Amazon, ambos no formato digital: O Suvenir da Iara e O Jogo do Copo. Então, espero que a novidade venha em 2015, na forma de outro romance policial, só que desta vez não é da série neo noir e sim um policial com toque sobrenatural e drama. O título é Os Esquecidos e está em andamento.

Além disso, a continuação simultânea de Orgasmos Fatais e de O Reverso do Destino (será o livro III da série noir) também está em andamento; o título provisório é Sob O Signo de Escorpião. Pretendo aqui reunir personagens dos livros anteriores.

10. Quais os maiores problemas encontrados pelo autor na publicação de seu livro?

Como eu disse, com a publicação em si eu não tive problemas. Acredito que seja em obter aprovação do texto, no caso de envios para grandes editoras. Hoje em dia a oferta de editoras novas é grande, o problema é selecionar os profissionais confiáveis e competentes no mercado. Existem editoras que são boas, mas sei que cobram cerca de R$ 15.000,00 para publicarem um livro. Não sei se vale à pena, porque se o trabalho é bom mesmo e se tem mercado pra ele, uma editora tão boa quanto ou melhor o publicará de graça.

11. Dê uma dica para os jovens escritores nacionais que querem ter seus livros publicados.

Primeiro, veja se escrever é realmente a sua praia, se não é só fogo de palha; uma coisa é gostar de ler, outra coisa é se dedicar a escrever. Para ser um bom escritor, a pessoa deve ser um leitor apaixonado, mas para ser um leitor dedicado a pessoa não precisa ser escritora. Escrever demanda criatividade, tempo, cuidado para não plagiar  ninguém, ainda que sem querer (uma professora de roteiro disse certa vez que todas as histórias já foram escritas, e de certa forma isso é verdade), gostar daquilo que está escrevendo. Se você não gosta de terror, não adianta querer ser escritor desse estilo, porque não vai rolar; escreva sobre aquilo que você domina e sobre assuntos que lhe atraem. Procure escrever da forma mais correta possível, porque apesar de um livro passar por um revisor gramatical (não dispense esse profissional), o escritor tem a obrigação de conhecer o Vernáculo. Um revisor tem um rendimento muito maior quando pega um texto com poucos erros; assim, ele vai apenas lapidar o seu trabalho e poderá deixá-lo impecável.

A última coisa é aceitar as críticas! Essa é a mais difícil, pelo que vejo por aí, rsrsrs. Quem publica um livro vai se deparar com pessoas que vão gostar, mas vai se deparar também com outras que não vão gostar do que você escreve, ou ainda, como você escreve. Faz parte. Existem ainda os “haters”, uns tipos que destilam ódio sem
muitaz vezez nem terel lido aquele trabalho que estão criticando com tanto fervor. Também faz parte. Aproveitar as boas críticas como estímulo para seguir em frente, bem como as críticas mais negativas para acertar os erros, isso é essencial para uma evolução na arte de escrever e agradar. Lembrando que é impossível agradar a gregos e troianos.

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