O Jogo-Volume 1 – Danny marks

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“Quando a Grande Causa, perdida nos domínios do Nada dobrou sobre si mesma, fez com que o Nada refletisse surgindo assim a Consciência Primordial do Si Mesmo, em contraponto ao Nada que o criara”.

O Jogo traz para o leitor um livro mítico com efeito minimalista onde, através de frases curtas e quase nenhuma ambientação Danny Marks trabalha o Mito da criação do Universo trabalhando com mitos ou arquétipos, entre eles; o Senhor do Amanhecer, o Pai, Gabriel e sua espada flamejante e o Ser Humano.

Valendo-se de alegorias o autor Danny Marks conta como o ser conhecido como O Pai elabora um jogo que tem como seus principais adversários e, porque não dizer, aliados, as figuras criadas a partir de Si Mesmo, na tentativa de recriar a perfeição, as quais denominou de Gabriel e Senhor do Amanhecer.

Nascido com um ímpeto destruidor, Gabriel fez com que o Pai ficasse preocupado que consumisse a si mesmo e o dividiu em dois aspectos, ele próprio e sua espada flamejante, onde concentrava boa parte de seu poder.

Na presença de Gabriel, o Pai pode finalmente usar o poder do Verbo e ordenando “Faça-se a Luz” personificou-a no Senhor do Amanhecer.

Gabriel, acreditando que o brilho do Senhor do Amanhecer rivalizaria com o poder que emanava do pai investiu contra ele, fragmentando os aspectos criados e não investidos do sopro de vida, sendo impedido pelo novo ser criado pelo poder do Verbo.

O Pai, então, reconstruiu os aspectos destruídos que passaram a se assemelhar a Gabriel, e se tornaram sua responsabilidade, formando o seu exército de seguidores.

Sobre os aspectos protegidos pelo Senhor do Amanhecer, soprou-lhes a vida e dedicou-os aos serviços daquele que por eles intercedera.

“O senhor do Amanhecer aproximou-se da Mesa e após aprender sobre as regras do Jogo que ora se iniciava cujo objetivo era a busca da liberdade, soprou sua peça preferida e disse:

-Tua vez, “Pai”.

O Jogo de tabuleiro onde as peças são os arquétipos da Criação apoiam-se sobre uma Mesa que, como a Sala, são objetos conceituais, que tem por objetivo simular o limite do entendimento a título de representação de um espaço-tempo. As metáforas desenvolvidas à partir dos arquétipos ampliam as possibilidades de releituras do que é dito, assumindo camadas de leitura que vão se aprofundando de acordo com as descobertas que forem feitas.

O Jogo de Danny Marks transcende Eras e cada peça do jogo evolui conforme o jogo continua e cada jogador reflete sobre suas jogadas e as jogadas de seus oponentes.

Com esse livro O jogo, Danny Marks traz para o leitor um meio-termo entre literatura e peça de teatro e várias vezes durante a leitura do livro senti-me numa plateia a ver, num jogo de luz e sombra, o Senhor das Sombras disputando com Gabriel o domínio sobre o Ser Humano. O Pai – que nunca deixara de ser a consciência Primordial de Si mesmo – apenas assumindo o codinome Pai a partir do momento que criou algo – no caso, vários aspectos de Si.

Cada aspecto, por mais diferente que pudesse aparentar ser da Consciência Primordial ainda era parte dela, menos evoluída, mas dela fazendo parte.

Com esse livro o autor discutiu sobre conceitos como Liberdade e escravidão, nascimento e morte e o significado de evolução.

Neste primeiro Volume de O Jogo o autor usou de somente 64 páginas, divididas em 11 partes como se fossem as horas do relógio e cada hora, um momento da criação. Ao final das onze etapas, o jogo iria reiniciar-se no Volume dois.

Um livro que permite vários entendimentos e que cada leitor encontrará motivos para tomar partido com cada oponente de acordo com seu entendimento sobre os valores. Como fosse o equilibrio entre ordem e caos. Eu me conectei com o Personagem Senhor das Sombras.

Para mim, O Senhor das Sombras é a fonte do equilibrio a síntese de Ying/Yang a disputa dual dos conceitos de certo/errado, sombra/luz.

Outra referência à O Jogo são os jogos de RPG-Role Playing Games – em que os participantes representam as razões de seus personagens, mais uma vez como se estivessem num teatro. NO RPG – que chegou ao Brasil ainda em 1970 e foi sucesso, especialmente entre jovens adultos universitários – há a figura do Mestre do Jogo, mas nessa versão elaborada por Danny Marks vejo o Mestre do Jogo como se fosse um narrador-personagem da Trama…e esse personagem é, na verdade, O Pai.

Revisão do Livro impecável, linguagem acessível embora com narrativa densa que exige releitura para compreender cada nuance da trama.

Não é um livro para entretenimento – e nem por isso O Jogo de Danny Marks deixa de ser divertido e instigante!

Venha se tornar um jogador com O Jogo, escolha as suas peças – e armas!

Recomendo.

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Um comentário

  1. O Jogo foi sem dúvida o mais difícil livro que já escrevi. Não iria deixar que ficasse simples para o leitor, não é mesmo, Michelle? rsrs.
    Mas não há nenhuma aventura que vale a pena ser vivenciada que seja fácil. As descobertas se sucedem e nos transformam ao mesmo tempo que a própria aventura do descobrir-se se transforma.
    O que nos parece simples e imediato, assume consequências que se estendem por todo o futuro e reinterpretam o passado. Como buscar respostas se já se vai com certezas prontas? A menos que se queira sacrificar a ilusão e desnudar os mistérios mais profundos da alma, na compreensão do Si Mesmo e na construção do que podemos ser, se tivermos a coragem de olhar para o impensável e jogar com todo o conhecimento que adquirimos.
    Seja bem vinda a essa jornada, Jogadora.

    Forte Abraço,

    Danny Marks

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