1808 – Laurentino Gomes

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Seu autor é o jornalista paranaense de Maringa? Laurentino Gomes, essa obra é resultado de dez anos de investigac?a?o, segundo ele mesmo afirma ao apresentar logo de ini?cio uma vasta fonte de livros, periódicos e acervos históricos. O autor ressalta que embora não possua a pretensão de ser um livro acadêmico, todas as suas informações são baseadas em relatos e documentos históricos, exaustivamente apurados e checados.

Como o próprio Laurentino declara na introdução: O objetivo deste livro é tornar um pedaço da história brasileira mais acessível para leitores interessados em acontecimentos históricos, mas com dificuldade em entender uma linguagem acadêmica (evidentemente rebuscada e de difícil compreensão). Por várias semanas foi um dos mais vendidos no Brasil e em Portugal, com uma linguagem jornalística que mostra o quão rica é a historia do nosso país!

 O livro relata detalhes de um pedaço da historia brasileira que começa no final de 1807 com a partida (fuga) da corte portuguesa para o Brasil e estende-se ao retorno desta no inicio do ano de 1821.

 Nesta época a rainha de Portugal era D. Maria I, porém como ela foi considerada insana, não poderia assumir o trono. Tendo o seu filho mais velho D. José falecido aos 27 anos acometido por uma varíola, quem assumiu o trono foi D. João como o Príncipe Regente. D. João não tinha sido criado e preparado para assumir o trono de Portugal, era um homem medroso, indeciso e de certa forma muito influenciável.

 Historiadores afirmam que em 1580, apenas 80 anos após o descobrimento do Brasil, a historia já apresentava indícios sobre a vontade da corte portuguesa em vir para o Brasil, mas o que impulsionou a aparente repentina decisão de D. João em vir para a colônia brasileira foi a noticia de que as tropas francesas, lideradas por Napoleão Bonaparte, estavam a caminho de Portugal e como era sabido quão grande força tinham as tropas de Napoleão, D. João reconheceu que não tinha condições de vencê-la. Por isso, resolveu com a ajuda e influencia britânica que fugiriam antes do raiar do Sol no dia 29 de novembro de 1807. Credito esta fuga não apenas ao medo e insegurança de D. João, mas como também aos interesses dos Ingleses, estes escoltaram as embarcações da fuga e em troca D. João se comprometeu numa aliança que em minha opinião só beneficiava os próprios ingleses.

 Ao lermos este livro, podemos entender um pouco da situação atual do Brasil, nada é por acaso, pois acredito que o povo brasileiro foi muito injustiçado, em especial o povo negro que fora trazido na condição de escravos. As cidades brasileiras não estavam preparadas para receber a corte portuguesa, faltavam moradias e a forma mais prática encontrada pelos nobres portugueses foi simplesmente expulsar de suas casas as famílias que aqui viviam.

 É um livro até cômico, mostra detalhes da falta de higiene do rei, das suas atrapalhadas e medos e conta um pouco da sua intimidade com sua esposa a Rainha Carlota Joaquina.

 D. João só resolveu voltar para Portugal após a derrota de Napoleão. E incumbiu seu filho mais velho D. Pedro I para ficar e cuidar da sua valiosa colônia.

Tenho consciência de que quando a corte portuguesa veio para o Brasil trouxe consigo toda a sua riqueza, mas não apoio o fato de que ao voltar para Portugal D. João levou consigo toda a nossa riqueza, deixando para traz um povo miserável e revoltado.

 Se você tem interesse em saber mais e entender de onde vem nossas raízes, indico esta leitura, pois no meu ponto de vista, nossas raízes explicam o que somos hoje.

 “As pessoas fazem a Historia, mas raramente se dão conta do que estão fazendo.” Christopher Lee, This Sceptred Isle – Empire.

 Resenha de Daiane Menezes, resenhista do Arca Literária

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