14 Dias – Barbara Biazioli

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Sabe quando sua vida está um verdadeiro marasmo, a rotina te consome e nada de diferente aparece para alterar essa realidade? Quando você precisa se desdobrar mais do que normalmente é necessário e as complicações da vida parecem recair apenas sobre sua pessoa?

 E quando de repente, do nada, do inesperado, tudo muda, acontece um giro espetacular de 180° e você passa do “lixo ao luxo”? E por fim você percebe que toda essa mudança é um sonho que pode se tornar um pesadelo, e que você poderá experimentar no final situação pior do que antes?

Bem, tudo isso parece se desenhar na vida da protagonista de nossa resenha de hoje. Ela se chama Caroline de Francis e está presente nas páginas de “14 dias” livro da escritora Barbara Biazioli. A publicação é de 2015, possui 130 páginas e é distribuído pela Bezz. O acabamento é simplesmente perfeito, característica marcante nas obras dessa editora. Todas as que já tive acesso seguem o mesmo padrão de eficiência.

A moça é órfã de pai e mãe. Mora sozinha num minúsculo apartamento. Estuda engenharia. Sua meta de vida é formar-se, conseguir uma ocupação melhor no mercado de trabalho e ganhar dinheiro para poder ter as coisas que ela anseia. Também deseja poder viajar para os lugares de seus sonhos. Trabalha como arquivista numa grande empresa, a ARTAME. Num prédio de 87 andares, ocupa o que ela mesma chama de “cubículo”, no segundo subsolo.

Neste dia especificamente Carol está muito irritada. Sozinha, possui inúmeras coisas para arrumar, pois precisa deixar tudo pronto para o inventário. Por diversas vezes é interrompida por alguém solicitando ou entregando algum arquivo, e ela tentar fugir a todo custo de quem começa a puxar papo. No corre para concluir seu trabalho nem se dá conta do horário. Já passa das 23 horas e ela perdeu uma prova importante na faculdade. Minutos depois o telefone toca, e ela pergunta quem a incomoda uma hora daquelas.

Ela atende, identifica-se mas a pessoa do outro lado desliga. Minutos depois a mesma voz aparece na sua frente. É nada mais, nada menos que Pedro Villas Boas, seu chefe. A pessoa a quem ela nunca vira nesse período que trabalha lá. Também, quem iria sair das luxuosas acomodações da cobertura para ir até o subsolo?

Pois bem, eles trocam algumas palavras, Pedro ajuda sua funcionária em algumas tarefas e se dispõe a levá-la para casa, pois já são quase 3 da manhã! Carol fica fascinada por aquele homem que conheceu a poucas horas. Mas é seu chefe, e ele irá casar-se em duas semanas. Esquece.

Chegando ao local onde ela mora, o cara decide subir para conhecer o apartamento, e em poucos minutos sai. Ela fica meio frustrada, pois imaginou que ele queria algo a mais… Faz dois anos que terminara o seu último relacionamento e desde então ela não sabe o que é homem. Minutos depois alguém bate à porta; ela vai abrir e é Pedro. Ele a agarra com força, dando-lhe um beijo quente e demorado. Ela fica meio atordoada mas deixa-se levar pelo momento. É gostoso demais! A coisa não fica apenas nisso:

“Ele abre a minha perna e lambe do início ao fim o meu sexo… Ele abocanha e lambe verozmente, circulando com sua língua macia me fazendo gemer alto…” (pag. 16)

“- Preciso que você goze na minha boca, agora – ele ordena e eu obedeço…” (pag. 16)

Confesso que o relato me causou certo espanto, ainda que eu soubesse que se tratava de uma literatura erótica! Talvez tenha sido a intensidade da coisa! E o lance entre eles segue nessa pegada o tempo todo.

Depois desse primeiro encontro as coisas entre os dois irão se aprofundar. Pedro confessa que já tinha observado Carol antes, através das câmeras da empresa. Que ela o excitava. E faz uma proposta inusitada: nos próximos 13 dias ela será a namorada dele. Irão se comportar como um casal, tudo isso discretamente, sem ninguém ficar sabendo. Ele deseja ter um romance com ela, antes de casar-se. Daí o porquê do título.

Carol fica balançada a principio, mas acaba aceitando a proposta do chefe. Ele providencia para que ela saia oficialmente de férias do trabalho, e os dois partem para uma aventura recheada de muito, muito sexo, prazer, lascívia, satisfação:

“Preciso que você arrume os seus objetos pessoais… assim que terminarmos o jantar, partiremos” (pag. 33)

“- Eu vou gozar – ele declara e enche a minha boca, e sem pensar engulo cada gota” (pag. 43)

“E quanto mais forte ele me invadia, mais eu o queria; e durante os golpes e os puxões de cabelo, sinto na entrada de meu útero sua presença e gozo, rebolo loucamente com seu membro enfiado até o limite em mim” (pag. 46)

O trato daquela relação não incluía sentimentos. A garota, contudo, parece que se deixou envolver demais:

“Como posso descrever aquela sensação? Tudo tão novo. Pode parecer algo simples, ele apenas me banha, mas é algo mais que isso. Sinto-o tomando posse de algo que nunca permiti alguém tomar. E quando me dou conta, estou gozando na mão dele”. (pag. 30)

Está chegando o dia do casamento e a aventura encerrar-se. O que será de Carol? Será que haverá alguma possibilidade desse conto de fadas tornar-se realidade?

As páginas finais responderão essas e outras questões.

A narrativa dá uma queda depois da metade do livro. Senti falta de algo mais substancial, mais envolvente para o desfecho da trama. O final, pra mim, fica devendo.

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