Um litro de lágrimas – Ichi Rittoru no Namida

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“Por que essa doença me escolheu? Destino é algo que não se pode colocar em palavras.”

 Drama é o meu gênero literário favorito porque ele consegue levar ao leitor muita emoção, até os mais durões se sentem comovidos com tantas lições de vida através da ficção, neste caso esse drama é uma história real, de uma menina de 15 anos diagnosticada com Degeneração Espinocerebelar, uma doença que afeta o cérebro da pessoa fazendo com que a pessoa perca seus movimentos gradativamente até não poder fazer mais nada, simplesmente vegetar em uma cama sem poder falar, escrever e até comer, mas o pior da doença é que a pessoa não perde a consciência e nem a memória, ou seja, é um sofrimento que não é possível mensurar estando de fora.

“Se eu fosse uma flor, minha vida seria um botão. Esse começo de juventude quero guardar sem arrependimentos.”

 O livro na verdade é o diário de Aya até onde ela conseguiu escrever, não sei se consigo descrever com palavras tudo que senti ao ler esse livro, compartilhar do sofrimento de uma jovem que teve sua juventude roubada por uma doença rara e incurável que só progride se apossando do controle de todo o corpo aos poucos, lendo suas palavras, lendo a sua dor, é simplesmente muito difícil e triste.

“As pessoas não deviam viver o passado. É o suficiente fazer o possível no presente.”

“A realidade é muito cruel, muito rígida. Não posso nem ao menos sonhar. Se imaginar o futuro, ainda outras lágrimas escorrem.”

Tive um choque cultural lendo esse livro, por muitas vezes achei as pessoas na trama frias demais, Aya com toda a dificuldade tinha que lavar roupa, ajudar a arrumar o dormitório no colégio para deficientes e até no hospital. A mãe não podia parar de trabalhar para cuidar da filha, mas podia pagar acompanhantes no hospital quando Aya já não podia mais ficar só. Tudo bem que o deficiente físico não deve ser tratado como se fosse inválido, mas não pode forçar a pessoa a fazer coisas que o corpo não permite mais.

“Por qual motivo eu estou vivendo? Aonde devo ir? Apesar de não conseguir respostas, se escrevo, meus sentimentos melhoram. Estou à procura de muitas mãos, mas não consigo alcançá-las, não consigo percebê-las, apenas sigo em direção à escuridão, apenas ouço minha voz que grita sem esperanças.”

O momento do livro que mais me emocionou foi quando Aya já não conseguia mais andar e foi se arrastando no chão para chegar ao banheiro, sua mãe vendo aquela cena foi se arrastando igual a ela e disse a seguinte frase que me deixou aos prantos:

“Pode deixar que ainda tenho força suficiente para te carregar nas costas e haja um terremoto ou incêndio, você será a primeira que correrei para salvar, por isso pode dormir tranqüila. Não precisa pensar em mais nada. – disse minha mãe me abraçando e me levando ao quarto.”

Uma das últimas frases que Aya teve forças para escrever em seu diário foi essa:

“O fato de eu estar viva é uma coisa tão encantadora e maravilhosa que me faz querer viver mais e mais.”

 Mais do que uma estória de superação, 1 litro de lágrimas é uma lição de vida para todos nós, que devemos dar valor a nossa vida e deixarmos de nos preocupar com coisas tão banais, pequenos defeitos e vaidade ao extremo.

Recomendo muito a leitura e estarei vendo o dorama muito em breve.

A estória de Aya foi adaptada para filme, virou também dorama (novela japonesa) e teve uma versão em mangá.

 Resenha de Danielle Peçanha, resenhista do Arca Literária e do blog Minhas Resenhas

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